sexta-feira, 30 de março de 2012

Missão Integral

Palestra sensacional do Bispo Robinson Cavalcanti sobre um tema tão discutido hoje que é a Missão Integral. Muitos acusam a Missão Integral de prejudicar a atuação evangelística da igreja, e de fato, algumas correntes deste movimento assim o fazem. Entretanto, nesta aula, o Bispo mostra uma visão equilibrada e totalmente Bíblica sobre a Missão da igreja. Vale a pena assistir!
Aproveitando, deixo aqui uma homenagem ao Bispo Robinson Cavalcanti, que nos deixou este ano e de forma trágica. Entretanto, nos anos em que viveu, contribuiu de maneira contundente para o avanço do Reino de Deus, mormente no campo da política, com contribuições inestimáveis.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Está todo mundo ficando louco?

Por Leonardo Verona


“O que há de errado com a sociedade? Quando vemos os jovens fazendo de tudo para estarem nos padrões da mídia? Garotas fazendo várias cirurgias e tomando pílulas dietéticas para ficarem igual ao padrão da TV ou das revistas? O que há de errado com a sociedade quando não vemos mais famílias normais? Quando vemos os pais agirem como inimigos dos filhos? O que há de errado quando vejo o tempo todo os ricos esbanjarem suas riquezas, enquanto crianças passam fome na rua sem ninguém se importar? Quando ninguém gosta de dividir? Está todo mundo ficando louco? Alguém pode me dizer o que está acontecendo?
Se você abrir os olhos, você verá que algo está errado!”

Acima, vemos uma denúncia muito lúcida do modo de viver da nossa sociedade. Primeiro, nos mostra uma sociedade totalmente hedonista e narcisista, que busca satisfazer os seus desejos a qualquer custo, mesmo que para isso os indivíduos tenham que comprometer a saúde e mutilar os seus corpos. Segundo, vemos uma crítica às famílias contemporâneas, que perderam seus referenciais morais. Terceiro, nos mostra a questão séria da desigualdade social e da pobreza, mormente causada pelo egoísmo humano. E por fim, termina reconhecendo que há algo de errado e nos instruí a abrirmos os olhos para esta realidade.
Mas, meus caros amigos, ainda não disse de onde tirei esta denúncia. O que os senhores acham? Parece ser de um humanitário e cristão não é mesmo? Entretanto, devemos desconfiar, pois ultimamente não temos visto muitos cristãos engajados nessas causas ditas “humanitárias”. A grande maioria, infelizmente, está preocupada apenas com questões eclesiásticas ou com uma piedade individual, isto quando não estão correndo atrás de prosperidade e fama a qualquer custo, da mesma forma que as pessoas de nossa sociedade! É triste, mas temos que muitas vezes escutar dos próprios ímpios, pela graça comum de Deus, verdades que muitas vezes não queremos enxergar! Esta música, que se chama “Crazy”, é da banda Simple Plain, um conjunto secular e até onde eu saiba seus integrantes não são evangélicos. Não conheço as outras canções desta banda, já que este estilo não me agrada muito, para afirmar se as outras letras são tão belas como esta. Mas, nesta canção, em específico, vemos a graça comum Deus, já que sabemos que toda verdade procede Dele.
Então, segue a música legendada logo abaixo. Meditem sobre essas verdades para que possamos nos engajar na cura de nossa sociedade.

Cristianismo, Liberdade e Consumismo

Bate papo com a psicóloga Cristã, Priscila Stofel, sobre consumismo, identidade e cristianismo na 3ª Semana do Cristianismo organizada pela ABU. Priscila é membro atuante do Grupo de Estudo em Cosmovisão Calvinista.

segunda-feira, 26 de março de 2012

LAICIDADE SIM, LAICISMO NÃO

Uma revisão histórica do Estado Laico e a ameaça do Estado secularista.

Por André M. Storck Nunes 

          Na Roma Antiga, quando os imperadores se declararam deuses e requereram a adoração dos cidadãos, os cristãos de todo o Império recusaram-se terminantemente a prestar culto a outra divindade senão ao Deus cristão. Essa desobediência civil resultou em sérias perseguições e incriminações contra os cristãos. Milhares foram devorados por feras nas arenas públicas como o Coliseu e outros milhares padeceram com torturas, prisões e execuções sumárias.
           Foi nesse contexto de grande perseguição que autores cristãos como Tertuliano e Lactâncio começaram pela primeira vez a falar da libertas religionis, ao defenderem o direito de todo indivíduo poder exercitar as suas crenças e sua fé sem ser incomodado pelo Estado ou quem quer que seja. A libertas religionis seria, pois, um direito inalienável da natureza. 
          A Idade Média, como é cediço, foi o período no qual quase toda a Europa permaneceu sobre rígido controle da Igreja Católica Apostólica Romana. O sumo pontífice era quem coroava os reis, numa clara demonstração de submissão e confusão da religião e poder político. Durante esse tempo o poder civil foi compelido pelo poder eclesiástico a perseguir como crime mortal todos aqueles que corrompiam a fé cristã. 
         Essa conjuntura perdurou por mais de mil anos antes de começar a ser rapidamente corroída com um acontecimento de suma importância para o resgate do sentido do libertas religionis: a Reforma Protestante iniciou um processo de quebra do poder da Igreja, rompimento com o poder Estatal e de busca por um Estado que respeitasse os cidadãos independentemente de sua crença. Em especial destaque a doutrina Calvinista do Sola Scriptura purificou a mentalidade cristã de diversos dogmas - que muito embora carentes de lastro bíblico - foram erigidos pela Igreja Católica através de seus Concílios. Entre eles, a separação institucional da Igreja e Estado (que remontam às palavras de Cristo: dai à César o que é de César e a Deus o que é de Deus) foi uma das bandeiras dos protestantes. A liberdade religiosa era um valor que decorria da doutrina reformada. Lutero abriu as suas XCV Teses declarando que: é prática anticristã o uso da espada contra os heréticos e, concluiu: o Espírito de Deus não coaduna com tais coisas. À guisa de exemplo, foi sob governo do protestante calvinista Maurício de Nassau que o nordeste do Brasil viu florescer um dos mais espetaculares períodos de liberdade àquela época, judeus, católicos e protestantes podiam conviver em uma harmonia garantida e protegida pelo próprio poder político. 
       A teoria protestante de liberdade de consciência prevaleceu em quase todos os países protestantes. Suécia, Suíça, Holanda, Dinamarca, todos sob auspícios da fé cristã reformada adotaram pioneiramente a liberdade religiosa como direito básico dos cidadãos. 
          Ao analisar os sistemas de relação que os diversos Estados nacionais desenvolveram com as religiões, percebe-se que o pensamento cristão primitivo na sua essência pregava a separação da Igreja do Estado, separação esta que devia existir apenas no nível institucional e não de forma a excluir o argumento religiosos do debate político. A análise da experiência histórica nos permite visualizar cinco modelos básicos de relação entre os Estados e as religiões: 

           1. O modelo de Estado teocrático: O Estado teocrático como a própria nomenclatura que lhe é atribuída deixa transparecer, é aquele no qual a figura do “ser supremo” possui papel fundamental na elaboração e consecução das políticas do Estado. A rigor o Estado teocrático, é aquele que confunde o poder divino com o poder político. Esta confusão chega a tal ponto que pecados tornam-se crimes contra o Estado e crimes contra o Estado tornam-se heresias. Enfim, o Estado mantém íntima relação com a religião oficial, a qual é sua legitimadora, sua fonte ideológica e grande fornecedora de quadros, ex vi o Vaticano. Por óbvio, esse modelo de interação entre o poder civil e a religião transforma-se numa camisa de força para o desenvolvimento da espiritualidade e religiosidades alternativas dos cidadãos, de modo que a repressão é uma constante e a dissidência religiosa é considerada delinqüente. 

          2. O modelo de Estado confessional: Há ainda hoje alguns Estados que adotam a chamada religião oficial sem, contudo, desenvolver uma animosidade contra as demais expressões religiosas e sem impedir o desenvolvimento das mesmas. Esses Estados são confessionais por declararem oficialmente que a identidade histórico-cultural do povo e da nação está intimamente ligada a uma determinada religião, a qual é elevada ao status de religio ufficiale ou religione di Stato. Ao contrário dos Estados teocráticos, no Estado confessional os cargos de governo, as decisões de governo e a elaboração de políticas públicas não estão vinculados obrigatoriamente ao ditames da religião oficial. Os Estados confessionais hoje também são muito poucos, e a maioria de religião protestante tais como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Inglaterra. Há ainda Estados confessionais católicos, tais como a Argentina, Peru e Bolívia. 

             3. O modelo de Estado ateu: O Estado ateu é aquele que, suprimindo a liberdade religiosa, rejeita todas as formas de religião em favor do ateísmo. Essa política foi adotada pelos regimes comunistas com fincas na doutrina do materialismo dialético de Karl Marx durante o século XX, todavia, hodiernamente trata-se de um modelo quase extinto, encontrado apenas na Coréia do Norte (haja vista que até o Estado Cubano emendou sua Constituição no ano de 2002 e abandonou o modelo ateu para adotar a laicidade). 
            No Estado ateu a religião não é vista com bons olhos. Na verdade, o fenômeno religioso é analisado sob o viés da luta de classes. O combate às cosmovisões religiosas se dá não somente na proibição de que argumentos religiosos tenham lugar no debate público e na vedação à liberdade de expressão religiosa com cultos públicos, mas também quanto no que diz respeito à vida privada dos cidadãos, os quais passam a ser compungidos ao ateísmo, como única forma considerada cívica de espiritualidade. As ideias que fundamentam o Estado ateu têm exercido grande influência no ideal de construção do chamado Estado secularista. 

          4. O modelo de Estado laico: Em suma, quando se afirma o caráter laico do Estado está se fazendo uma referência à separação institucional constitucional existente entre o mesmo e as denominações religiosas, (não ocorre uma separação ou rompimento cultural) não há confusão de ordem jurídica ou política entre as igrejas de qualquer credo e o Estado soberano. A nosso ver, a laicidade cumpre bem o papel de proteger tanto o Estado da ingerência indevida da Igreja (ou igrejas), quanto também proteger as igrejas da intervenção abusiva do poderio estatal. A laicidade seria uma posição de equilíbrio cuja coluna vertebral seria a separação institucional entre Igreja e Estado. 
          O Estado laico não persegue, impede ou malfere qualquer tipo de expressão religiosa. Pelo contrário, em respeito aos direitos fundamentais individuais do seu povo, tende a resguardar a liberdade de crença. A atuação estatal moderada é talvez o maior traço distintivo do Estado laico, posto que permite o pluralismo de crenças, seja abstendo-se de refreá-lo, seja atuando comissivamente para prestigiá-lo. Em razão disso, a laicidade foi o modelo adotado pela imensa maioria das Constituições dos Estados democráticos ocidentais. Conforme depreende-se do próprio processo de formação histórica, o Estado laico resguarda a herança cultural e histórica que compõe a identidade social do seu povo (laikós). Os valores decorrentes da fé não são avaliados negativamente ipso facto, pelo contrário são respeitados como parte integrante da identidade nacional. A preservação do patrimônio histórico-cultural inclui as religiões que povoaram o imaginário e a espiritualidade popular pelos séculos. A laicidade ao contrário do laicismo do Estado secularista reconhece o valor histórico e cultural da religião. A laicidade protege o lugar das pessoas e sua participação - ainda que com fundamento religioso - como variável ideológica legítima dos cidadãos no exercício da cidadania. 

         5. O modelo de Estado secularista (laicismo): A noção secularista, seguindo a ideologia do laicismo francês, se aproxima mais de uma retomada de um Estado ateu mitigado do que efetivamente um quinto modelo de Estado. O Estado secularista como o francês nasceu em um contexto de revolta contra a religião, no clima preparado pelo iluminismo e no dogma da autonomia da razão. Por isso, embora teoricamente afirme a liberdade de crença e religião, na prática tende a restringir a atuação dos cidadãos e dos argumentos religiosos no espaço público e político. (Recentemente a França proibiu que mulheres muçulmanas ostentem o véu islâmico em locais públicos, qualquer semelhança com o Estado Ateu não é mera coincidência). Embora afirme defender a laicidade, na verdade adota o laicismo e, não obstante se declare-se Estado laico, é de fato um Estado secularista. Tal postura do Estado secularista é um tanto quanto anti-religiosa e afronta a liberdade de expressão. Confunde-se aqui a separação entre Igreja e Estado com uma separação impossível de se concretizar entre religião e política. Embora pareça consentimento assentado no entendimento jurisprudencial, doutrinário e até mesmo em diversos diplomas internacionais, a liberdade religiosa tem hoje sofrido sérias ameaças com o agigantamento do ideal secularista do laicismo, daí a constante atualidade e necessidade de estudo sobre o tema. 

          A quase universal consagração do direito à liberdade religiosa e a adoção da laicidade por grande parte dos Estados ocidentais deixa transparecer uma falsa impressão de paz e tranqüilidade aos homens e mulheres de fé. Aqui e ali já se nota o arregimentar de setores da academia e grupos filosóficos que colocam em xeque o conteúdo jurídico da laicidade estatal e ameaçam a liberdade de expressão ao defender e tentar impor o modelo secularista de Estado, expurgando toda e qualquer participação ou simbolismo religioso do espaço cívico. Rememorar as origens históricas da laicidade é extremamente importante para alcançarmos o verdadeiro conteúdo jurídico do ideal laico e combater visões de mundo que – retomando inescrupulosas pretensões medievais – buscam hoje, às avessas, varrer o pluralismo religioso ao classificar a religião como parte dispensável do fantasioso imaginário popular que não pode servir ao embasamento de qualquer de suas opiniões e posições na arena pública. Ao invés da consolidação do ideal laico sonhado e acalentado por alguns dos reformados protestantes e filósofos iluministas, tem-se caminhado em direção a um modelo secularista de Estado no qual a religiosidade dos cidadãos não tem logrado o devido respeito e proteção do ordenamento jurídico.
          Diz-se que Tomás de Torquemada jantava feliz e cantando enquanto suas vítimas agonizavam nas fogueiras da inquisição, pensava ele estar fazendo um bem àquelas almas, livrando-as do fogo do inferno e da danação eterna. Os defensores do Estado secularista ou teocrático o fazem com a mesma alegria e boa intenção, pensando estar contribuindo para um mundo mais livre e justo no qual os espaços públicos estarão fechados aos discursos com qualquer fundamentação religiosa.

domingo, 25 de março de 2012

Liberdade Religiosa e Estado Laico.

Palestra ministrada por André Storck, membro do Grupo de Estudos, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela ocasião da 3ª Semana do Cristianismo, organizada pela Aliança Bíblica Universitária, que é um movimento estudantil confessional.



sábado, 24 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Canções para o mundo

por Leonardo M. Verona


Não é raro escutarmos por aí o seguinte discurso de líderes evangélicos: "o músico cristão deve apenas cantar música gospel!" E eu pergunto, será?
Imagine se você fosse pastor ou líder de uma igreja ou ministério e um grupo de adolescentes da igreja formassem uma banda. Aí um deles chega para você e diz: "montamos uma banda, e queremos compor e fazer canções para o o mundo, e gostaríamos de um conselho seu." E aí, como você reagiria? Tenho certeza que muitos ficariam de cabelo em pé ao escutarem tal pedido! E talvez diriam logo: "músicas do mundo? Que tal vocês cantarem louvores? Vocês devem fazer aquilo que edifica."
Meus caros, este tipo de atitude muito me irrita! A forma como muitas igrejas prendem seus músicos, limitando suas vocações. Isto sob a alegação de que o mundo é perigoso, de que podemos nos contaminar se assim o fizermos, ou pior, de que canções para o mundo não tem proveito algum, pois deveríamos estar gastando o nosso tempo com as coisas de Deus.
Estes argumentos são falácias que impedem a atuação da igreja no mundo. De fato, o mundo é perigoso, entretanto esta objeção apenas aparece quando se trata de música. Se fosse assim, o cristão não poderia estudar, trabalhar, usar serviços médicos de não cristãos, etc. Não somos chamados apenas para serviços eclesiásticos, mas para sermos luz do mundo com as nossas vocações, inclusive aqueles que tem o chamado para a área musical. Como afirma Mateus 5.14-16 "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus." Quando impedimos os músicos que desejam exercer o seu dom no meio secular, estamos contribuindo para que a igreja não seja luz do mundo. Quão belo seria se vários artistas cristãos produzissem canções que falassem das coisas da vida com a lente do Evangelho!
Quanto a idéia de que músicas seculares não nos edificam, isto também é uma grande mentira. O que não edifica são canções que expressam valores contrários à Palavra, sejam seculares ou gospel. Como dizer que uma canção que fale do ódio, mas nos mostre o amor, que fale da mentira, mas mostre a verdade, que fale dos fracassos, mas mostre a esperança, que fale da bela criação de Deus, que fale das coisas boas da vida, mesmo que não falem diretamente de Deus, que esta canção não nos edifica? A arte, o que inclui a música, faz parte do ser humano, e é normal que ela retrate sobre as várias facetas de nossa experiência. Quando reduzimos a arte apenas a um aspecto da vida, no caso o religioso, estamos empobrecendo não só a própria arte, mas também o próprio homem!
Deixo para vocês uma bela canção da Carol Gualberto, que nos fala sobre as coisas boas da vida.

Das coisas boas da vida (Carol Gualberto)

Sol na janela, pé descalço e uma canção
Que fale do que guardo aqui no coração
Das coisas boas da vida
Das minhas preferidas
De tudo que faz bem à emoção

Fim de tarde, brisa leve, um ipê em flor
Uma poesia prá um grande amor
Família reunida, dança com as amigas
Um sorriso, sei quem é meu Criador

De comer, mel, mostarda, manjericão
De sentir, o arrepio de uma paixão
De olhar, borboleta azul e o amor

Um bom livro, um banquinho e um violão
Ter amigos mais chegados que irmãos
Porta sempre aberta, se arrumar pra festa
Ter alguém pra dar a sua mão
Disso é feita a vida
De coisas bonitas
De tudo que faz bem ao coração

terça-feira, 20 de março de 2012

O cristão na esfera pública

Nesta entrevista do programa Academia em Debate, da TV Mackenzie, Wayne Grudem discute sobre como o cristão deve atuar na esfera pública. Alguns pontos polêmicos são levantados, mormente a questão da pena de morte. Fiquem a vontade para comentar as suas percepções.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Cristianismo fantasmagórico

É possível perceber que o evangelicalismo brasileiro, muitas vezes, não consegue relacionar o ensino das Escrituras com a realidade. Muitos se preocupam apenas com questões ditas “espirituais” e esquecem que o evangelho é integral e abarca todas as áreas da vida. O resultado deste tipo de visão de mundo é uma igreja apática, que tem pouca ou quase nenhuma relevância para a sociedade. O cristianismo deve ser algo concreto e visível e não “fantasmagórico”. Creio que as igrejas históricas não estão isentas deste problema, como mostram os resultados de uma pesquisa feita em uma IPB com uma amostra de 95 pessoas escolhidas aleatoriamente. Segue o resultado de algumas questões da pesquisa:


1) A missão principal do cristão é salvar almas.
Concorda 64,21% Discorda 33,68% Não respondeu 2,11%


2) A alma é mais importante do que o corpo. 
Concorda 83,16% Discorda 16,86%



3) Quanto mais sairmos do mundo para nos reunirmos na igreja, melhor é.
Concorda 61,05% Discorda 34,74% Não respondeu 4,21%


4) O artista evangélico deve usar a sua arte em primeiro lugar para evangelizar as pessoas.
Concorda 74,74% Discorda 21,05% Não respondeu 4,21%


Por meio destas respostas, podemos perceber que há uma tendência em dicotomizar a vida entre dois pólos, quais sejam, as "coisas espirituais" e as "coisas materiais", bem a estilo do motivo base natureza/graça. Acredito que esta tendência exista também na maioria das igrejas evangélicas brasileiras, inclusive as ditas reformadas. Entretanto, é apenas uma suposição que precisa ser avaliada mais afundo.
Contudo, nem era preciso aplicar esta pesquisa para percebermos essa realidade, já que a paralisia da igreja brasileira e mundial mostra-se evidente. Por isso, creio ser necessária uma missão interna, que mostre a igreja brasileira que a missão da fé cristã é manifestar a glória de Deus em todos os aspectos da realidade. 
Em II Timóteo 3. 16-17, diz que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”(grifos nossos). Ou seja, as igrejas locais devem buscar um desenvolvimento integral do cristão. O ensino da igreja local deve visar não somente os ministérios eclesiásticos, mas também preparar o cristão para TODA boa obra, seja na igreja, seja no mundo. E os pastores e mestres serão cobrados por Deus pelo ensino correto das Escrituras.


Por Leonardo M. Verona