sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

VOCÊ AMA A SUA IGREJA?

Por André Storck

Muitas igrejas nos últimos anos têm adotado um novo lema, quase que um 11º mandamento, é o famoso: “ame a sua igreja!” Essa frase é repetida nos cartazes, nas pregações, no louvor, durante todo o culto, nos boletins e etc.

Já há algum tempo tenho pensado no que de fato é amar a sua igreja.

De início temos que resolver uma questão: quando falamos em “igreja”, estamos nos referindo à igreja local onde vamos aos domingos, ou à Igreja de Cristo espalhada por todos os cantos da Terra? As primeiras são as igrejas em particular, é a igreja com “i” minúsculo. A segunda simboliza todos os crentes eleitos que já viveram, vivem e ainda viverão por sobre a terra, é a Igreja com “i” maiúsculo.

A Confissão de Fé de Westminster nos ensina que tanto a Igreja quanto as igrejas são formadas por todos os cristãos e por seus filhos. Assim, consequentemente, amar a igreja significa amar os irmãos da fé. A Bíblia nos ensina que devemos amar os nossos inimigos, quanto mais então não devemos amar os nossos irmãos.

Por isso, no que diz respeito a esta primeira questão, a frase “ame a sua igreja” estaria correta.

Contudo, temos uma segunda questão: por que em nenhuma parte do Antigo Testamento, nem nos Evangelhos, nem nas Cartas dos Apóstolos, nem em nenhum lugar da Bíblia o Espírito Santo inspirou os apóstolos e profetas para que registrassem essa espécie de mandamento que alguns têm pregado hoje: “ame a sua igreja” ou, talvez na época: “ame a sua sinagoga”?

Acredito que há duas explicações para que essa ordem não exista.

Em primeiro lugar, porque Deus desde as Tábuas da Lei colocou para o seu povo um mandamento bem maior, qual seja, ame o seu próximo. Quando eu era uma criança e minha mãe me dizia: “coma tudo” eu sabia que deveria comer a salada, os legumes, a carne e o arroz. Eu não precisava aguardar ordens específicas, como: “coma os legumes”, “coma a carne” “agora coma o arroz” etc. Se devo amar o meu próximo, é óbvio que devo amar a Igreja que é o conjunto dos meus irmãos na fé.

Em segundo lugar e o mais importante é que se a ordem maior de Deus é amar o próximo como a si mesmo, não há porque ficar especificando todos os tipos de instituições formadas por pessoas que devemos amar, como por exemplo: “ame seu governo”, “ame a associação do bairro”, “ame o seu sindicato” etc. Esse tipo de frase gera confusão e deturpa o mandamento, pois aos ouvidos das pessoas parece que a ordem é amar uma instituição humana, uma organização, uma estrutura; sendo que o mandamento é para amar o meu próximo. (E amar o próximo pode muitas vezes resultar na necessidade de contrariar instituições).

A confissão de fé que citamos acima também ensina que mesmo as igrejas mais puras contêm erros, algumas contém tantos erros que chegam ao ponto de Deus dizer que se tornaram “Sinagogas de Satanás”. Se amar a igreja fosse um mandamento, se significasse amar uma instituição, como poderíamos amar uma sinagoga de Satanás?

É por isso que me posiciono contra a frase “ame a sua igreja”, por mais que no fundo ela possa estar correta no sentido de amar os irmãos, ela deixa transparecer uma ideia de que devemos amar a instituição, o que não é verdade. Isso não significa que não devamos zelar pelas instituições das quais fazemos parte, orar pelos nossos governantes, cuidar para que sejam saudáveis e para que portem-se de acordo com a vontade de Deus. Mas uma coisa é amar outra é zelar, como sempre disse meu pai, não devemos confundir rifle de caçar rolinha com bife de caçarolinha.

Por amor aos irmãos, quando vemos que decisões erradas estão sendo tomadas ou quando vemos que a Palavra não está sendo observada temos a obrigação moral diante de Deus de levantar a voz e nos opor aos erros, mesmo que internos. Penso que em dias em que se levantam muitos anticristos, talvez esse seja o maior sinal de amor à Igreja.

E você, ama a sua igreja?
O que você acha que é amar a igreja?


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Música que não louva Deus é do diabo?

Excelente contribuição do blog de nosso irmão, o pastor Renato Vargens:

Música que não louva Deus é do diabo?

Como já escrevi anteriormente no artigo “Eu ouço música do mundo” a doutrina da graça comum aponta para um Deus que é a fonte de toda cultura e virtude comum que encontramos entre os homens. Em outras palavras isso significa dizer que tanto a poesia como as formas variadas da arte, são expressões vivas da multiforme sabedoria de Deus.
Pois é, volta e meia ouço alguns evangélicos me questionando a respeito disso. Sinceramente fico a pensar com meus botões de onde foi que tiraram essa doutrina de que a música que não exalta a Deus é do diabo.
Desde que me converti tenho ouvido a doutrina que afirma que antes da queda, Lúcifer era responsável pelo louvor no céu. E que o fato de ter caído, o levou a usar desta arte para profanar o nome de Deus. Fundamentados nisso, alguns evangélicos afirmam que toda música que não louva a Deus tem por fonte o capeta. Aliais, desde que Raul Seixas afirmou que o “Rock é do Diabo” parte da igreja de Cristo vestiu a carapuça da credulidade dando todos os créditos ao pai da mentira. Ora, não há beleza que não venha de Deus. Foi Ele quem idealizou a música, a arte, a poesia, a festa e a cultura.

Caro leitor, lamento desapontá-lo em afirmar que o cramulhão nunca foi ministro de louvor no céu. Desculpe, aborrecê-lo mais não foi o diabo quem criou o samba, o rock, o choro ou qualquer outro tipo de ritmo musical. Deus é o autor da arte, da música e da poesia. Louvado seja o seu nome por isso!

Como escrevi anteriormente não nos é possível “satanizarmos” o “insatanizável”, até porque é impossível negar a ação de Deus entre os homens ao ouvir clássicos da música como “One” do U2, ou "Miss Sarajevo" onde Luciano Pavarotti leva qualquer um às lágrimas com sua participação especial, ou ainda ouvir Perpetuum Jazzile & BR6, cantando "Aquarela do Brasil"

Isto posto afirmo sem titubeios de que a música, arte e a poesia são presentes de Deus à humanidade.

Pense nisso!
Renato Vargens

FONTE: http://renatovargens.blogspot.com.br/2009/08/musica-que-nao-louva-deus-e-do-diabo.html

sábado, 6 de outubro de 2012

Será que estou escandalizando?


"Você não deve falar de certas coisas neste lugar, vai causar escândalo!"
"Temos que deixar de fazer tudo que escandaliza os irmãos!"

Há tempos tenho ouvido frases como essas. A última me foi dita quase com furor há algumas semanas. É escândalo disto, escândalo daquilo. Parece que o vocabulário de algumas pessoas é resumido nessa palavra. Entretanto, muitos cristãos não tem conhecimento verdadeiro acerca do conceito de escândalo. Preocupa-me quando usam-no para descrever qualquer comportamento ou atitude que desagrade suas preferências pessoais ou em prol de um "bem estar social". Para entender melhor, é necessário estabelecer o que de fato é escândalo. E já cito de antemão duas postagens muito boas que auxiliaram  a construção deste texto: Escandalizar ou não escandalizar? Eis a questão! e Escândalo - pedra de tropeço no caminho.

Conceito
A palavra escândalo vem do grego skandalon, que é usada para traduzir duas palavras do hebraico: 
a)  michsol,  significa uma pedra de tropeço. Assim está em Levítico 19:14: “Não porás tropeço diante do cego.” 
b) mokesh, que  significa um laço ou armadilha. Declara-se em Josué 23:13 que as alianças com as nações estrangeiras são laços e redes.
A palavra escândalo, genericamente, é usada para substituir os termos "tropeço" e "cilada", embora ambas tenham um mesmo significado prático: uma ação deliberada para fazer com que alguém erre ou vacile.

Outros skandalon na Bíblia
Na explicação da parábola do joio em Mateus 13, nos versos 41 e 42 é dito: "Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha acesa". Em Lucas 17:1-2 "Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vem! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos". Jesus deixa clara sua abominação pelo escândalo. Melhor é a morte que fazer com que outro tropece. No entanto, o próprio Cristo foi causador de escândalos. Novamente no evangelho de Mateus, no capítulo 15 lemos: "Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos.".

skandalon em I Coríntios 8
"No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais." (I Coríntios 4;8;11-12)

Há uma questão a ser tratada aqui antes de prosseguirmos. Em primeiro lugar, esse texto fala exclusivamente  acerca de alimentos sacrificados a ídolos. Comer carne num templo pagão era algo que hoje equivaleria a comer num restaurante, mas com o agravante de que muitos consideravam tais refeições como ato de idolatria. Embora não houvesse pecado em comer num templo pagão, o pecado surgia se o ato fosse feito deliberadamente como adoração pagã [1]. O cuidado aqui é com o cristão fraco, pelo qual Cristo morreu. Esse cristão deveria ser instruído sobre essas práticas e onde está a origem desse pecado. Não há no texto nenhuma orientação quanto aos ímpios. O problema começa quando os cristãos atuais pregam a abstenção total de práticas "erradas" de acordo com usos, costumes e tradições, para que não exista a possibilidade de sermos confundidos com não-crentes.
Um exemplo para chegamos ao ponto de tensão: para a maioria dos crentes, não é possível beber uma cerveja com os amigos e amar a Deus verdadeiramente. A pior parte é que ao invés de tentarmos corrigir essa cultura errada, preferimos nos calar e simplesmente abrir mão de tudo que não agrada aos crentes para não escandalizar. Lastimável!

Concluímos dessa forma que há duas formas de escândalo. A primeira é o skandalon propriamente dito, quando temos a intenção de fazer com que alguém tropece com alguma atitude nossa. Esse acontece quando pessoas que já conhecem Cristo continuam com suas vidas vazias, sem nenhuma ética e seus valores totalmente corrompidos. Essas atitudes afetam diretamente aqueles que são novos na fé, que vacilam por imitar tais práticas pecaminosas.
A segunda forma é o oposto, o skandalon provocado pela ação transformadora de Deus em nossas vidas, que nos faz viver de acordo com bases éticas e morais totalmente contrárias às do mundo. Esse é o escândalo que Cristo causou: uma quebra de falsos paradigmas. A palavra da cruz é loucura para os que perecem (I Coríntios 1:18) e Cristo é escândalo para os judeus e loucura para os gentios (I Coríntios 1:23).
Devemos viver uma vida de santidade de acordo com os princípios de Deus, para que não escandalizemos os novos convertidos. Qual o verdadeiro e necessário compromisso com os neófitos? Instrução! Caminhemos juntos, estudemos e aprendamos juntos, para esses não cairem em pecado por nossa causa.
Quanto aos ímpios, temos que escandalizá-los como Cristo o fez, com nossa moral e ética pautadas nas Santas Escrituras. Escandalizar também os novos fariseus combatendo o seu legalismo. Devemos nos preocupar é com os escândalos dos falsos pastores com suas teologias satânicas, os crentes na política que só envergonham o evangelho, e não com quem usa bermuda na igreja, pastor que prega sem usar terno, pessoas que usam piercings e tem tatuagens. Fazer isso não é nenhum ato de amor ou preocupação, mas um falso exercício de piedade contrário às Escrituras.

"Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo." Colossenses 3:15.

Referências:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Citações... Willian L. Craig

Willian L. Craig - considerado um dos maiores defensores
da fé cristã da atualidade.

Em visita ao Brasil em março de 2012 como principal preletor do 8ª Congresso Vida Nova para falar na Universidade Presbiteriana Mackenzie, WILLIAN LANE CRAIG ficou impressionado com a emergência do Brasil e com o rápido crescimento da igreja evangélica brasileira, porém fez sérias críticas:

"Infelizmente o evangelicalismo brasileiro, muito comumente, é por demais emotivo, centrado em personalidade e anti-intelectual, o que resulta em um grande número de desvios e faz com que a igreja penda para o lado do evangelho da prosperidade, a heterodoxia e, às vezes, até ao sincretismo, misturando o espiritismo com o cristianismo. [...] A igreja evangélica brasileira precisa desesperadamente do ensino da sã doutrina e da apologética, se quiser concretizar seu potencial no Reino".
WILLIAN LANE CRAIG


Fonte: Revista Ultimato, nº338, setembro-outubro, 2012. Pg.16.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O ANTI-INTELECTUALISMO E A DECADÊNCIA DA IGREJA



Por André Storck

Alguns dias atrás estava passeando por este blog quando me deparei com uma crítica anônima ao texto que aborda o polêmico episódio do pastor que atrai jovens para o Evangelho usando métodos nada ortodoxos como cheirar a Bíblia, comê-la etc. A crítica embora um tanto quanto infantil chamou minha atenção para um das mais sérias dificuldades enfrentadas pelo povo de Deus atualmente, o anti-intelectualismo. (Para quem ainda não viu o texto: http://cosmovisaocalvinista.blogspot.com.br/2012/08/cheirando-biblia.html )
A imagem vale para aqueles que insistem em permanecer
na ignorância mesmo diante da luz da Palavra e do esclarecimento. Muitos
chegam a se orgulhar da própria falta de conhecimento.

No artigo o autor fez uma análise profunda e sensata sobre as raízes de um dos principais problemas da Igreja cristã nacional, qual seja, a evangelização que segue a pauta do hedonismo, ou trocando em miúdos, a busca pela satisfação das vontades, dos prazeres e das experiências extrassensoriais como gancho para atrair as pessoas para a igreja.

Não obstante o brilhantismo do raciocínio ali exposto a sagaz e débil crítica postada por um anônimo disse:

Vai evangelizar, meu filho! Jesus disse: Ide e Pregai o evangelho....Sai desse computador e vai para as ruas, para o campo!Tem(sic) almas sedentas, precisando de Jesus, Sabia?! Em vez de ficar criticando o trabalho dos outros. Para com esse negócio de Calvino, Calvino, e vai fazer o que Jesus mandou, em vez de seguir uma linha de Pensamento humano, ou vc(sic) não concorda que Calvino era humano? Tá(sic) parecendo idolatria! Temos que parar de(sic) disputas evangélicas e viver a unidade! Vc(sic) sabe o que é Unidade do corpo!”

Meus irmãos, é triste perceber como anti-intelectualismo invadiu a Igreja. Embora as Escrituras deem grande ênfase à importância do conhecimento (ex vi Ef. 1:17-18; 1Pe. 3:15-16; Pv. 1:4; Jo. 5:20; Jo. 17:3; Pv. 9:10; 1Co. 15:34 etc.) o liberalismo teológico acabou por tirar o gosto de muitos cristãos pelo estudo. O pietismo também contribuiu para isso ao afirmar - sem bases bíblicas - a maior importância das experiências ditas espirituais do que o estudo e conhecimento da Palavra de Deus.

O anti-intelectualismo é sobretudo decorrência de uma visão pragmatista do evangelho que busca o crescimento numérico a qualquer custo e demonstra hostilidade em relação ao trabalho realizado pelos intelectuais, como educação, pesquisa, crítica social cultura.

Passemos a uma análise-resposta à crítica enviada e publicada no blog:

1º Perceba que o crítico começa a escrever dizendo “Meu filho”. A atitude de destratar o autor com um tom arrogante e superior é típico dos pietistas que se acham espiritualmente mais evoluídos que os demais crentes e, assim, podem acusar os irmãos que têm o chamado para o estudo, ensino e o dom da sabedoria de serem frios e afastados de Deus; estratégia antiga dos anti-intelectuais.

2º O crítico citou pela metade a grande comissão, somente a parte do "Ide Pregai o evangelho" exatamente a que os anti-intelectuais (pragmatistas por excelência) gostam. Mas cometeu um erro fatal, até o mais leigos sabem a continuação da missão dada por Cristo no mesmo versículo: "ENSINANDO-OS A GUARDAR TODAS AS COISAS QUE VOS TENHO DITO..." Foi omitida a parte da Grande Comissão que o autor do texto alvo da crítica está a cumprir: ensinar as pessoas a fazer o que Jesus realmente disse e fez. (Para constar não há registro de Cristo cheirando pergaminhos...)

3º O crítico acusa o escritor de não evangelizar. O esteriótipo formado pelo movimento do anti-intelectualismo tende a classificar todo o cristão que estuda como infértil. Assim, mesmo sem conhecer o autor, o crítico faz duras críticas e dá conselhos como se habilitado para tal fosse. Meus amigos, temos relatos que o próprio texto (Cheirando a Bíblia) foi um poderoso instrumento para que alguns professores universitários ateus percebessem que nem todo o evangélico partilha das mesmas sandices pregadas pelo cheirador de Bíblias e que possuem propostas interessantes para a sociedade.

4º Outro erro pueril é que o crítico faz sérias críticas ao autor do texto porque este estaria criticando irmãos. (Critica a crítica!) Ou seja, o internauta anônimo cuspiu para o alto, olhou para cima e viu a saliva voltar para a própria testa. Pura hipocrisia.

5º O crítico se mostra irritado com as diversas citações de Calvino feitas no texto. Há apenas um problema com isso. O texto não falou nenhuma vez em Calvino (risos). Isso demonstra o natural desprezo que muitos evangélicos anti-intelectuais nutrem pelo pai intelectual da Reforma Protestante, João Calvino. Novamente em termos leigos e salivares, cospem no prato em que comeram.

6º Por fim, nosso crítico anônimo escreveu: "Para com esse negócio de Calvino" e depois ainda disse "vai fazer o que Jesus mandou". Se nosso crítico fosse um pouco mais bem informado saberia que quase tudo o que Calvino disse foi para obedecermos o que Jesus mandou. Calvino simplesmente sistematizou os ensinamentos contidos na Escritura. O crítico entrou em uma dantesca contradição porque se traduzirmos o comentário temos o seguinte: "para com esse negócio de fazer o que Jesus mandou (aquilo que o calvinismo busca) e vai fazer o que Jesus mandou".


Deus nos salve de sermos anti-intelectuais, de praticarmos e escrevermos bizarrices como essa na Igreja e no Mundo. Melhor era ter ficado cheirando a Bíblia, num Evangelho que parece funcionar, mas que ao final é caminho de morte.

 
OSEIAS 4:6 - "Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos."

Eu preciso ser franco com você; o maior perigo que confronta o cristianismo
evangélico norte-americano é o antiintelectualismo. A mente, em seu maior e
mais profundo alcance não é guardada o suficiente. Mas a educação intelectual
não pode tomar espaço à parte de uma profunda imersão por um período de
anos na história do pensamento e do espírito. Pessoas que estão com pressa
para sair da universidade e começar a ganhar dinheiro ou servir a igreja ou
pregar o Evangelho, não têm idéia do valor infinito de se dispensar anos de
prazer conversando com as maiores mentes e almas do passado,
amadurecendo, aprimorando e ampliando a sua capacidade de discernimento.
O resultado é que a arena do pensamento criativo é renunciada e abdicada em
favor do inimigo. Quem entre os evangélicos pode se manter firme perante os
maiores acadêmicos seculares em seus próprios campos de conhecimento?
Quem entre os acadêmicos evangélicos é citado como uma fonte normativa
pelas maiores autoridades seculares no campo da história, filosofia, psicologia,
sociologia ou política? … Em favor de uma maior eficácia no testemunho de
Jesus Cristo, tal como para os seus próprios fins, os evangélicos não podem se
permitir viver na periferia da existência intelectual responsável.
Charles Malik – embaixador da ONU e filósofo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Homem Entre Ídolos

Por Yuri Fernandes

       Certa vez, o apóstolo Paulo, ia andando em Atenas, quando chegou ao areópago, E havia se impressionado com a quantidade de ídolos no local. Eram deuses de todos os tipos e para todas as ocasiões, incluindo ainda um altar ao Deus desconhecido. Ao ver aquilo tudo, Paulo disse: “Pude ver que em tudo vocês são demasiadamente religiosos”. Julgo eu que esta é uma mensagem profundamente contemporânea, e que diz respeito ao âmago dos problemas da nossa sociedade.
         A nossa Atenas ocidental e secular, que age como se religião fosse um mero divertimento pessoal é uma das mais religiosas sociedades que existem. Ela não crê no Deus verdadeiro, mas nos ídolos criados por sua mente! Como já dizia Calvino, “O coração humano é uma fábrica de ídolos, cada um de nós, é desde o ventre materno, experto em criar ídolos”. Podemos definir um ídolo, como algo que criamos a fim de substituir Deus, que passamos a servir e que nós permitimos que nos controle. Enfim, a idolatria nada mais é do que o filho primogênito do pecado humano: após a rejeição do Deus verdadeiro, nós depositamos os anseios que deveríamos colocar n’Ele, em outra coisa, e transformamos isto em um ídolo. Porém, estes ídolos fajutos nos quais depositamos nossa confiança não conseguem satisfazer os nossos desejos mais profundos. 
            Quais são ídolos que nossa sociedade têm criado para colocar no vazio gerado pela rejeição ao Deus Verdadeiro? Em primeiro lugar, passamos a nos colocar no lugar de Deus. É o mito da autonomia. É a crença de que por nós mesmos, somos capazes de guiar a nossa história e de dotá-la de sentido! Então o fim do homem passa a ser a liberdade pela liberdade. Abortemos! Matemos! Adulteremos! Pois Deus está morto e tudo é permitido. Esquecemos no final das contas que ainda somos escravos do pecado e que nossas vontades e o nosso eu, se encontram manchados pelo pecado. Por outro lado, há o ídolo matéria. Deus não existe, só o que existe é o que é material. Tudo o que nos resta é no final das contas o desespero, pois nenhuma realidade tem sentido. Nem a liberdade tem sentido. Tudo o que nos resta é encontrar uma forma de transcender esta realidade, que no fim será sempre uma ilusão! Há ainda os ídolos do dinheiro, da beleza e do poder. Coisas que foram criadas por Deus, para complementar a vida, e que se tornam objetos de culto e adoração. Tudo se faz para ganhar dinheiro, e hoje em dia, é uma das maiores fontes de “felicidade” moderna, ou pelo menos é até o momento em que se descobre que não se pode ser feliz apenas com dinheiro. A ditadura da beleza faz com que muitos jovens passem mais tempo diante do espelho do que com outras pessoas. Eles vivem num desespero humano, de tentar ser algo que não se é, um mero padrão fútil da mídia suja e corrupta de nossos dias. E no fim, são produzidos seres que não se amam, e que diariamente estragam o seu próprio corpo em busca da concretização de seu ídolo em suas vidas. E por fim ainda há o ídolo do poder, que corrompe o homem, e o torna escravo da ilusão de autonomia! A estes está reservada a tristeza de que eles não possuem poder algum que não venham da fonte que rejeitam! 
            Qual é a solução para este problema? A solução está em olhar para si mesmo, e ver um buraco. E neste buraco vazio ver um altar. O Altar ao Deus Desconhecido. Passemos então a conhecer esse Deus que nossa alma tanto anseia, e que insistimos tanto em rejeitar! Conheçamos aquele pelo qual nós existimos, respiramos e nos movemos! Olhemos para a cruz de Cristo e rejeitemos aos ídolos da autonomia, da matéria, do dinheiro, da beleza e do poder! Aceitemos a Cristo, e passemos a deixar que ele reconcilie consigo mesmo a nossa vida, a nossa cultura e a nossa sociedade!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

TESTE: COMO SABER SE MINHA IGREJA ESTÁ CHEIA DO ESPÍRITO SANTO?

Por André Stock
Bom dia queridos leitores a resposta do teste está na Bíblia, em Atos 2:42-47, mas eu vou esquematizá-la pra facilitar:
1º - Perseveravam na doutrina dos apóstolos.
Esse é o primeiro sinal listado pela Bíblia. Uma igreja cheia do Espírito Santo não pode desconhecer os ensinos do Senhor. O estudo da doutrina, apesar de ser rejeitado por muitos é de suma importância, pois é impossível por na prática o que não se sabe na teoria. Daí o papel importantíssimo da Escola Bíblica. Ainda hoje há resistência e pouco investimento no estudo em geral dentro das igrejas, enquanto no mundo os nossos filhos têm que estudar para ser alguma coisa, nas igrejas alguns dizem que se o crente estudar vai ficar frio. Parece brincadeira, mas foi nessa lógica débil que muitos foram educados e a igreja que não estudou tornou-se hoje um quase “zé ninguém” na nossa sociedade, posição justa para o seu nível de escolaridade. A igreja cheia do Espírito é a que estuda e conhece a sã doutrina e, assim, persevera nela.

2º - Perseveravam na comunhão
Embora alguns pensem que comunhão é sorrir para os irmãos, distribuir abraços, ir às festas de aniversários do irmãos e tomar um café na casa do pastor, a palavra comunhão no original bíblico deriva de uma palavra grega (koinonia) que quer dizer comum ou comunidade. Desse modo, os crentes da igreja primitiva vendiam os seus bens para ajudar o próximo. Comunhão de verdade é se solidarizar com a situação dos irmãos mais necessitados, não apenas dando uma cesta básica que acaba no final do mês, mas dividindo os seus bens e promovendo uma maior igualdade. A ideia de comunhão de Atos é tão forte que hoje chega a chocar a nós crentes imersos numa cosmovisão capitalista e individualista. Depois leia Atos 2:44-45.

3º - Perseveravam no partir do pão
O terceiro sinal é “o partir do pão”. A Bíblia usa a expressão "partir do pão" tanto para se referir à Ceia, quanto à atitude de dar alimento ao próximo. Como a comunhão já inclui a ajuda ao necessitado, entendemos que uma igreja cheia do Espírito Santo é aquela que obedece aos comandos do Senhor e não ignora os sacramentos, preservando a sua ministração. 

4º - Perseveravam nas orações
A oração não é uma opção, mas um mandamento para o cristão. A igreja cheia do Espírito é a igreja que ora.
Acabou a lista. Esses são os quatro sinais da igreja após o pentecoste descrito em Atos. Talvez alguns estejam se perguntando onde está o falar em línguas estranhas e o crescimento exponencial.
Quanto ao falar em línguas este sinal não foi relacionado com a igreja cheia do Espírito aqui em Atos. Embora seja um dom do Espírito e que Paulo tenha nos recomendado que não devemos impedi-lo, caso o leitor queira ver algo sobre línguas estranhas deve olhar para a igreja em Corinto. Paulo no livro de I Coríntios nos diz como esse tipo de manifestação era muito comum naquela igreja desunida (I Cor. 1:10) e imatura (I Cor. 3:1-3).
Quanto ao crescimento numérico Atos 2:47 nos traz uma luz: "ENQUANTO ISSO, acrescentava-lhes O SENHOR, dia a dia, os que iam sendo salvos.” Percebam que o crescimento numérico é consequência das características anteriores e que não depende de nós, é Deus quem vai acrescer.
Oremos para que Deus possa encher a Igreja com seu Santo Espírito e que tais características possam estar cada dia mais presentes em nosso meio.

sábado, 1 de setembro de 2012

PAREM ESSES EVANGÉLICOS!


Por Leonardo Verona

Nessa semana, surgiu uma polêmica sobre um suposto filme onde o humorista Renato Aragão seria o segundo filho de Deus que realizaria a missão que Jesus não cumpriu. Essa “notícia” bombou nas redes sociais, principalmente com evangélicos fazendo campanhas contra o filme e o Renato dizendo coisas como “parem este homem”, “chega de desrespeito aos cristãos”, como podemos ver na figura ao lado.


“Na boa”, como é hilário (tem que rir pra não chorar) ver essas coisas chocarem os crentes! Aliás, na minha visão, não temos nem o direito de ficarmos chocados com isso! Afinal de contas, meus caros, somos uma igreja omissa, que não diz nada acerca da corrupção que assola nosso país, da má qualidade da educação (fora a educação totalmente secularista que temos hoje), que não estende a mão para o necessitado e para várias outras mazelas da nossa sociedade. Isso, para não dizer a omissão no que minimamente a igreja deveria fazer e não faz, como evangelizar (só em show gospel), levar a mensagem de esperança para os excluídos da sociedade (que isso irmão, eu sou santo e não me misturo com pecadores), pregar a Palavra (só mensagens de auto ajuda), zelar pela sã doutrina (doutrina? O que é isso?), etc.
Os evangélicos, em sua grande maioria, não causam impacto transformador algum na sociedade, e depois surpreendem-se quando o Didi Mocó Colesterol resolve fazer um filme herege, sendo que não estamos nem aí para as mais absurdas heresias e bizarrices que estão no nosso meio! Que ironia não? Se não iluminamos e nem salgamos o mundo com o Reino de Deus, o ato de uma pessoa, que está cega para a realidade divina, não deveria em nada nos surpreender. O que me deixa chocado é que no meio dos crentes, que se acham o suprassumo da santidade, tenham tantas heresias e blasfêmias! Parem com esses evangélicos!
Paulo disse aos Coríntios (a igreja de Corinto lembra muito a de hoje): “Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor. (1 Co 12 e 13). Ao tratar da disciplina na igreja, Paulo não nos adverte a nos afastarmos e julgarmos os de fora, mas sim os “malfeitores” de dentro! Com esses nem comais!
Então, caros amigos, ao invés de ficarmos o tempo todo apontando e execrando os erros dos ímpios (que são óbvios), devemos olhar para nós mesmos e cumprirmos com a nossa missão, que é levar o Reino de Deus com fidelidade para todas as áreas da vida.

Ps.: Para aqueles que possam a vir me chamar de generalista, é óbvio que existem crentes sérios e igrejas sérias, que trabalham duro para levar o Reino de Deus ao mundo perdido.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cheirando a Bíblia?

Na foto acima o Pr. Lucinho, aparece cheirando a Bíblia e convidando o jovens para um culto chamado “Quarta Louca”. Na época, a imagem causou grande polêmica, chegando até a ser comentada pelo site de notícias G1.
De acordo com esse líder de jovens, em entrevista fornecida ao site G1, o objetivo desta foto foi “chocar” e chamar a atenção dos usuários de drogas, que precisam de ajuda. O pastor ainda afirma que: “Meu desejo é que as pessoas venham conhecer a Deus com o mesmo ímpeto que o usuário vai para a cocaína, com a mesma vontade. Não imaginei que fosse ter essa repercussão, mas quando vi a proporção na internet, achei engraçado. Porque já fiz coisas muito mais radicais” (Fonte: G1).
Num primeiro momento, ao analisarmos as justificativas do Pr. Lucinho, a “propaganda” parece ser louvável, com um objetivo muito nobre, qual seja, atrair os jovens usuários de droga para a igreja. Como o próprio pastor afirmou, de modo nenhum o ato de cheirar a Bíblia foi um ato de desrespeito para com as Escrituras, e de fato, sou obrigado a concordar. Entretanto, a imagem do pastor cheirando a Bíblia, o nome do culto (Quarta Louca), bem como a fala transcrita acima são deveras reveladoras do evangelicalismo contemporâneo, mormente o brasileiro.
No período atual, as pessoas estão buscando viver intensamente, procurando satisfazer todos os seus desejos. O que importa na vida para essas pessoas é sentir prazer. E esta é uma característica da pós-modernidade, que é extremamente hedonista. Para a maioria, não existe um sentido para o mundo, então o que resta é comer e beber, porque amanhã morreremos! Muitos procuram este prazer intenso nas baladas, nos shows, nas drogas e etc.
Várias igrejas, com o objetivo de atraírem estas pessoas e supostamente retirá-las do mundo, criaram uma espécie de aparato gospel do prazer. Os cultos foram transformados em verdadeiros shows ou baladas, onde a busca por experiências intensas com o sobrenatural é o mais importante. As pregações e as músicas são voltadas somente para o “Eu”, para as “minhas realizações”, para os “meus sonhos”, para a minha “felicidade”. O resultado foi que essas igrejas ficaram lotadas, principalmente de jovens, buscando ter experiências de prazer sobrenatural em todos os cultos e reuniões.

“Crucificação”de Salvador Dali.
Esta obra pode ilustrar como está o cristianismo
 contemporâneo, onde a cruz não toca o chão,
 ou seja, a realidade. O crente somente está
olhando para cima, já que a realidade não tem sentido.

Traçando um paralelo entre os “ímpios” e os evangélicos atuais, podemos verificar diversas semelhanças. Assim como os “ímpios”, os crentes de hoje não enxergam um sentido no mundo presente. Apesar de afirmarem que acreditam em Deus, em Jesus, esta fé se limita a um mundo vindouro, futuro, ou seja, ao “céu”. A fé, para eles, não tem conexão com a realidade, é uma fé que não tem nada a dizer com relação ao trabalho, a política, as artes, a natureza e etc. Esses evangélicos não conseguem enxergar Deus na criação. O resultado disso, é que para eles o mundo torna-se opaco, sem sentido, e a única coisa que resta é a busca por uma experiência prazerosa, do mesmo modo como os ímpios fazem, só que neste caso a experiência é com o sobrenatural. Os crentes trabalham a semana inteira, numa vida sem sentido, difícil, cansativa, para ganhar dinheiro. E nos momentos de culto e louvorzão extravasam, e dão um salto irracional para o mundo sobrenatural, da experiência, onde tudo aparentemente faz sentido. E depois disso, voltam para a sua vidinha sem sentido, para um mundo sem graça no qual desejam fugir. Ou seja, os evangélicos tornaram-se tão hedonistas quanto os “ímpios”.
Logo, ao analisarmos esta foto do Pr. Lucinho cheirando a Bíblia, e a sua justificativa, quando ele afirma que o seu desejo é que as pessoas venham conhecer a Deus com o mesmo ímpeto que o usuário vai para a cocaína, percebemos como o hedonismo entrou sorridente pelos corredores da igreja evangélica. O suposto objetivo das igrejas de tirarem as pessoas do “mundo”, tornando os seus cultos “loucos”, cai por terra quando constatamos que a maioria dos evangélicos dessas instituições segue o mesmo padrão mundano, qual seja, o hedonismo. O que essas igrejas criaram foi apenas um gueto gospel, que diz palavras como Jesus, salvação, Deus, mas que de fato não prega e não ensina como devemos viver essas verdades na realidade.
Não precisamos de cultos “loucos”, de baladas gospel e de “louvorzão”, mas sim do verdadeiro Evangelho, que apresenta Cristo como o Logos, o sentido último de todas as coisas, aquele que é Senhor tanto da criação, quanto da redenção.

Por Leonardo Verona

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Engajamento Político



por Leonardo Verona



Ao analisarmos a liderança política no Brasil nas últimas décadas, o cenário não é nada animador. Dia após dia surgem diversos escândalos políticos. A credibilidade dos nossos representantes está a cada dia mais manchada. Para piorar, muitos políticos que se denominam evangélicos, ao chegarem no poder, praticam os mesmos atos corruptos dos demais. Esta situação nos leva, muitas vezes, a nos tornarmos céticos ou até mesmo termos uma certa repulsa a tudo que envolva política.
Mas, o que nós cristãos podemos fazer para mudar este quadro? Será que existe alguma solução? Antes de responder estas questões, precisamos primeiro analisar como o evangelicalismo brasileiro tem lidado com o engajamento político.
Os evangélicos, de maneira geral, encaram a atuação política como algo inferior, isto quando não é considerada uma atividade “mundana”. Esta maneira de pensar está intimamente relacionada a uma cosmovisão medieval, onde apenas atividades ditas “espirituais” são importantes. Logo, nesta visão de mundo, atividades relacionadas à igreja, como cultos, jejuns, oração, evangelização; são elevadas a um patamar superior às atividades consideradas deste mundo, como as questões sociais e políticas.
É importante quebrarmos aqui com esta noção equivocada. Já que, se nós cristãos, que dizemos ter a Verdade, nos afastarmos de toda atividade política, que esperança restará a nossa nação? Se assim agirmos, estaremos entregando de bandeja o controle político do país ao “mundo”.
Ao analisarmos a Carta de Paulo aos Colossenses, nos deparamos com a verdade de que Cristo reconciliou consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus (Cl 1.20). Logo, o escopo redentivo envolve nada mais, nada menos do que todas as coisas. Então, a missão da fé cristã não se restringe ao evangelismo, nem tão pouco a atividades eclesiásticas. A igreja recebeu de Cristo a autoridade para atuar em todas as esferas da vida humana, inclusive na política, restaurando aquilo que foi distorcido pelo pecado, para a glória de Deus.
Então, para começar a mudar este quadro desesperador da liderança política nacional, devemos entender que os princípios das Escrituras podem e devem ser aplicados em todas as áreas da vida. Devemos nos engajar politicamente, não necessariamente concorrendo a um cargo público ou filiando-se a um partido, mas pressionando nossos governantes a seguirem os princípios da Palavra.
Vivemos num país democrático, onde existem diversos mecanismos de controle, como as eleições, onde podemos escolher nossos representantes, e as instâncias de participação social, onde podemos expressar as nossas demandas. Nós cristãos, não devemos negligenciá-los, mas utilizarmos estes mecanismos para transformarmos a realidade política da nossa nação.