terça-feira, 28 de março de 2017

REGENERAÇÃO




Leonardo Marques Verona e Renata Alves Monteiro 

BASE BÍBLICA: João 3:1-16



INTRODUÇÃO

Se você já é cristão, é possível que você se lembre exatamente do dia da sua conversão, um momento em que tudo mudou. Pode ser também que você não se lembre de uma data exata e não saiba bem ao certo quando passou a crer definitivamente em Jesus. O certo é que, se não fosse a ação de Deus em nossas vidas, nunca iríamos buscá-lo verdadeiramente.

No capítulo sobre a queda, lemos o pecado de Adão, que era o representante de toda a raça humana, nos trouxe morte física e espiritual. 



MORTOS ESPIRITUALMENTE


Mas o que é morte para a Bíblia? Morte é muito mais do que deixar de existir – significa, primeiramente, separação de Deus. Deus disse a Adão que se ele comesse do fruto proibido certamente morreria. Como vimos nas lições anteriores, Adão não morreu fisicamente logo depois que comeu o fruto, mas morreu espiritualmente no mesmo instante, ou seja, a comunhão com o Criador foi quebrada. O pecado é muito mais do que uma doença: o pecado é morte. Os homens, apesar de vivos fisicamente, estão na realidade mortos, já que estão separados do seu Criador. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Romanos 5.12).

Se todos os homens morreram espiritualmente, podemos tirar duas conclusões disso. A primeira é que, se o homem está morto, ele é incapaz de salvar a si mesmo. “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Romanos 3.10b-11). A segunda conclusão é que, se o homem está morto, a única solução é ele receber uma nova vida. É como uma televisão que está com o cabo desligado da tomada. Por motivos óbvios, se a TV não for conectada na energia, ela não pode funcionar, e por razões mais óbvias ainda, a TV não pode se ligar na tomada sozinha: é preciso que alguém a ligue, e assim ela possa funcionar. Do mesmo modo, é preciso que sejamos ligados à fonte de toda a vida, que é Deus, e não podemos nos conectar a essa fonte, a semelhança da TV, sozinhos. É preciso que alguém nos ligue, e esse alguém só pode ser Deus, por meio da obra de Cristo na Cruz e aplicada a nós pelo Espírito Santo, para que assim recebamos nova vida.


NASCER DE NOVO


No evangelho de João vemos uma história muito interessante. Um homem chamado Nicodemos, que era fariseu e um dos líderes religiosos mais importantes dos judeus na época, foi ao encontro de Jesus, pois ele estava admirado com as obras que Cristo fazia. Então Jesus disse a ele algo intrigante: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:3b). 
Nicodemos ficou confuso, afinal: como é possível alguém nascer de novo? Então Jesus disse novamente: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.” (João 3:5b-6). Logo, percebemos que Jesus está dizendo da necessidade que o homem tem de nascer espiritualmente, já que está morto.


REGENERAÇÃO


Esse nascer de novo é aquilo que chamamos de regeneração. A regeneração é algo produzido por Deus, e não pelo homem ou qualquer coisa desse mundo. Como disse o apóstolo Pedro, “fostes regenerados, não de semente corruptível, mas sim de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente" (1 Pedro 1:23). Somente por meio da regeneração é que podemos ter fé em Cristo, com a qual temos acesso à justificação. Logo, a regeneração é anterior à fé. A fé em Cristo, a Fé Salvadora, é resultado desse novo nascimento, que é produzido em nosso coração por Deus. Sem essa regeneração é impossível, como Jesus disse a Nicodemos, entrar no reino de Deus.


APLICAÇÃO


Se você ainda não tem fé em Jesus Cristo, peça a Deus misericórdia, para que por Sua graça Ele te regenere e te dê nova vida. Assim, você poderá ter fé na obra de Cristo, ser justificado perante Deus, ter seus pecados perdoados, começar a viver uma nova vida aqui na Terra e aguardar o dia em que reinaremos com Cristo eternamente no céu.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ELEIÇÃO


Igor Campos

BASE BÍBLICA: Efésios 1:3-5



INTRODUÇÃO


“O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.” Provérbios 16:4.

Nas conversas do nosso dia a dia, a palavra “eleição” sempre aparece para se referir à escolha dos políticos que irão nos representar nas câmaras de vereadores e deputados, na prefeitura, no governo do estado e na presidência do país. O sentido da palavra no dicionário é exatamente este: eleger é escolher alguém para desempenhar alguma função. Mas o ensino bíblico da eleição vai muito além do significado com o qual estamos acostumados. Essa maravilhosa e misteriosa doutrina diz respeito à nossa salvação em Jesus Cristo, antes da criação do homem e do Universo, e por isso deve ser estudada com muita atenção e temor, sempre à luz da Bíblia. 

No início de sua Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo diz o seguinte: “Bendito o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1:3-5). De acordo com a Bíblia, Deus nos elegeu para a salvação eterna antes mesmo que sonhássemos em existir. Nosso Pai eterno nos predestinou, ou seja, destinou previamente a vida eterna que teremos com ele nos céus, e também reprovou previamente os incrédulos, predestinando-os à condenação do Inferno (Romanos 9). 

Se acreditamos realmente que a Bíblia é a palavra viva de Deus, nossa única regra de fé e de prática, precisamos aceitar a doutrina da eleição, mesmo antes de entendê-la. Deus é soberano para fazer a vontade dele, para a glória dele mesmo, pois ele nos diz em Isaías 46:10: “Meu propósito permanecerá de pé, e farei toda a minha vontade”, vontade esta que nos é boa, perfeita e agradável. 


ELEITOS PELA GRAÇA


Não existe nenhuma boa obra ou coisa alguma que possamos fazer para ganhar a salvação em Cristo. Em Efésios lemos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Temos nesses versículos uma notícia maravilhosa: a salvação é totalmente de graça, pois o preço dela já foi pago no sacrifício do Senhor na cruz do calvário. Cabe a nós apenas agradecer pela vida eterna e viver de acordo com os ensinamentos da Bíblia, testificando, dessa forma, a nossa salvação ao mundo todo.

Muitos cristãos acreditam que Deus predestinou alguns de nós para a salvação porque já sabia o que iria ocorrer. Mas podemos perceber nas Escrituras que Deus não apenas sabe, mas decreta e ordena tudo o que acontece conosco e com o restante do mundo. 

Esses decretos de Deus não fazem de nós simples fantoches nas mãos dele; pelo contrário, é por causa dessa eleição que temos o privilégio de participar com nossas vidas dos propósitos divinos. Se Deus não tivesse nos escolhido, não poderíamos jamais crer em Cristo, pois ele mesmo nos diz: “Ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (João 6:65). Além disso, um morto pode fazer algo para reviver? A Bíblia nos diz que estávamos mortos nos nossos delitos e pecados, mas Deus nos agraciou com a vida (Efésios 2:1). 

À primeira vista, a doutrina da eleição pode parecer uma injustiça. Deus escolhe alguns para a salvação, e outros, para a perdição. Mas Deus é o eterno juiz e ama a justiça (Salmo 33:5), e por isso é impossível que alguma injustiça venha da parte dele. 

Deus, em sua justiça, entrega os ímpios aos seus próprios pecados, decretando a eles a condenação por causa de suas perversidades. Mas Deus, em sua misericórdia, entregou alguns a Cristo para que fossem adotados como filhos, salvos e remidos pelo seu sangue. Por parte de Deus, não há injustiça, e sim justiça e misericórdia, que juntas manifestam a glória dele.


APLICAÇÃO


Então qual foi o critério de Deus na eleição? Essa é uma pergunta que permanecerá sem resposta e que, na verdade, não precisa de resposta. A Bíblia nos diz no livro de Isaías que os caminhos de Deus são mais altos que os nossos caminhos, e os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos pensamentos (Is 55:9). Por esse motivo, muitas vezes ficamos entristecidos, confusos e relutantes ao tratarmos de doutrinas que não podem ser explicadas apenas pela nossa razão. Ore a Deus pedindo a ele que te traga paz acerca desses ensinamentos, confortando e convencendo seu coração. É ele quem nos dá a fé e a salvação, além da oportunidade de servirmos Cristo, a igreja e nossa comunidade. 

Na hora de escolher os candidatos nas eleições, podemos ser falhos e até injustos. Mas Deus, em sua perfeição, nunca pode falhar. Deus não nos elege por causa de alguma obra, mas nos elege para alguma obra: somos eleitos para servir e glorificar a Deus.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Redenção e consumação




Yuri Ribeiro Fernandes



BASE BÍBLICA: Colossenses 1:13-20


INTRODUÇÃO


Vimos nos últimos textos desta série que Deus criou o homem e se relacionava com ele, e o homem tinha plena comunhão com Deus, com o próximo e com a criação. Mas também vimos que, em Adão, o homem pecou, naquilo que chamamos de Queda, a qual maculou todas as áreas da nossa vida. A boa nova é que em Jesus podemos ter uma nova vida, pois ele nos trouxe a redenção. Veremos que a obra que Jesus fez restaura o nosso relacionamento com Deus, nosso relacionamento com o próximo e com a Criação, e nos prepara para eternidade.


A OBRA DE CRISTO COMO RESTAURAÇÃO


É muito interessante perceber como todas as palavras que são usadas na Bíblia para falar da nossa salvação dizem respeito a um retorno a uma condição inicial. Isso acontece por que o fruto principal do pecado é a inimizade: o pecado nos faz inimigos de Deus, porque não queremos nos submeter ao seu poder e às suas ordenanças. O pecado nos faz inimigos uns dos outros, pois viver em comunidade exige muitas vezes abrir mão de coisas que não queremos deixar. O pecado nos faz inimigos da criação porque, em vez de cuidar dela, o nosso desejo é inclinado para a exploração egoísta daquilo que a criação nos oferece.
Ao lermos o texto de Colossenses 1:20, lemos que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, Jesus “reconciliou consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”. Quando Jesus morreu na cruz, ele nos trouxe paz com Deus. O que isso significa? Se a inimizade é fruto do pecado, o fruto da cruz é a reconciliação. Com essa discussão, já podemos entender que na cruz Jesus pagou a pena que nós deveríamos pagar. E é por isso que nEle podemos vencer a nossa inimizade contra Deus. 
O texto nos diz que não apenas nós, mas todas as coisas também foram reconciliadas com Deus. Isso é algo profundo e nos mostra que por meio da cruz podemos vencer não apenas a nossa inimizade com Deus, mas também a nossa inimizade uns com os outros! Isso é possível porque a obra de Cristo nos redime tão completamente que nos faz perceber que o pecado atinge profundamente os nossos relacionamentos e que, seguindo o exemplo dele, podemos consertar todos esses relacionamentos.


A REDENÇÃO E A GRAÇA


Vemos que a ênfase das Escrituras no retorno em Deus, restaurando todas as coisas, como uma das grandes marcas da Graça de Deus. Deus poderia ter acabado com toda a criação por causa do pecado e poderia ter criado tudo de novo. Mas vemos que Deus se recusa a deixar a sua criação, e sacrifica o seu próprio filho para resgatar essa criação e devolvê-la ao seu rumo original.
Nós não tínhamos nenhum merecimento para que Deus fizesse esse sacrifício por nós. Muito pelo contrário, o nosso único merecimento era a morte. Mas a graça significa justamente isso: amor imerecido. Apesar do nosso pecado, Deus insiste em nos amar e nos trazer de novo para Ele. A graça faz parte da natureza de Deus.
Pode parecer que Deus é gracioso somente porque nós pecamos, mas, se atentarmos para o fato de que Deus não precisava nem ao menos ter nos criado, podemos ver que até o fato de existirmos é graça de Deus! Essa graça de Deus se manifesta de modo ainda mais maravilhoso no momento da Redenção, quando a própria criação que se rebelou contra Ele é trazida de volta ao seu projeto original – com o próprio Jesus pagando a conta por isso.



O REINO DAQUI À ETERNIDADE


Quando a cruz de Cristo reconciliou todas as coisas, Jesus inaugurou um novo reino. Esse reino é o que carrega as marcas da Redenção. Como cidadãos desse reino, somos chamados a trabalhar em favor desse projeto de reconciliação. Se o nosso projeto original era glorificar a Deus, trabalhando em sua criação, temos que viver em prol dessa restauração. E mais do que isso: devemos mostrar para outras pessoas que Deus pode trazê-las para dentro desse reino!
Os cidadãos do Reino precisam trabalhar para a manutenção dele, sempre tendo em mente que, embora esse reino já tenha sido estabelecido com a Cruz de Cristo, ele só será completo quando Jesus voltar.



APLICAÇÃO


É preciso ter o olhar na eternidade quando Cristo consumar a Redenção e a obra que começou. Haverá um dia em que todas as coisas serão restauradas por completo. Ainda que já vivamos em um mundo redimido por Deus, temos que conviver com a dura realidade do pecado. Mas, quando Cristo vier, Ele completará a obra que começou, e então tudo será novo de novo. Enquanto esperamos, com os olhos fixos na eternidade, devemos trabalhar aqui na Terra como agentes da reconciliação de Deus!


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A QUEDA

                                                                           André M. Storck Nunes

BASE BÍBLICA: Gênesis 2-3


Poucos acontecimentos marcam nossas vidas de forma que conseguimos nos lembrar deles até a velhice. Se você conversar com uma pessoa mais velha, ela irá te contar várias histórias pelas quais passou na vida, e você perceberá que geralmente são histórias muito felizes ou muito tristes. Isso acontece porque nossa memória possui essa facilidade natural de guardar acontecimentos que envolvem fortes emoções. Pessoas que não conseguem se lembrar de algo marcante em suas vidas geralmente são consideradas doentes, loucas ou traumatizadas. 

Você acreditaria se eu te dissesse que todos nós nascemos com uma deficiência, com um vírus, com uma espécie de loucura (Romanos 1:21), por causa de um acontecimento terrível e triste, que sequer nos lembramos de como ocorreu? A história desse evento precisa ser contada a nós como condição para que possamos ser curados. Aí está a importância da Bíblia, que, sendo a Palavra de Deus, precisa ser anunciada para nos iluminar o caminho. Essa história é sobre a Queda. Um acontecimento único e devastador para todos os homens e para o restante da criação também. Em razão desse acontecimento, muitos seres humanos não conseguem enxergá-lo nem o entender por terem se tornado muito orgulhosos para aceitar que erraram e caíram da presença de Deus. 

Deus criou a terra, o mar, toda a natureza, animais, plantas, o Sol e demais astros, tudo, inclusive nós, os seres humanos. Ao terminar sua criação, Deus reconheceu que tudo era muito bom de acordo com o narrado em Gênesis 1. O homem feito à imagem e semelhança de Deus foi criado totalmente livre, foi designado por Deus para governar toda a criação, cultivar e guardar o maravilhoso jardim (Gênesis 2), dar nome aos animais e fazer tudo em plena alegria, paz e comunhão com Deus. Mas a perfeição desse estado inicial da criação foi contaminada pelo pecado. Da história quase todos sabem, mas não custa repetir. Gênesis nos conta que Deus criou todas as coisas, todo o universo. Em especial fez um lindo jardim com uma infinidade de plantas e árvores frutíferas. No meio do jardim plantou Deus duas árvores: a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Deus disse a Adão que de todas as árvores e frutos do jardim poderia comer, exceto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e o alertou que se um dia comer dela certamente morreria (Gênesis 2). 

Adão, o primeiro homem, representando ali toda a raça humana, resolveu desobedecer ao seu amigo e Criador, traindo-lhe a confiança e desejando ser como Deus. Você consegue imaginar quão fácil seria guardar essa tarefa? Imaginemos a enormidade de frutos, espécies, tipos e gostos diferentes que havia lá e lembremo-nos de que Adão podia comer da própria Árvore da Vida, plantada no meio do jardim. Ora, mas não se engane, pois o coração do homem é facilmente corruptível. Bastou a provocação do Diabo por meio de uma serpente para o ser humano trair seu amigo e Criador, tomando o fruto da árvore e o comendo, desejando assim ser igual a Deus. Eis aí a Queda. A entrada do pecado na Criação. Tal como um filho que, após ter ganhado da mãe dezenas e dezenas de brinquedos dos mais belos e divertidos, acaba roubando o brinquedo quebrado do vizinho, assim também o primeiro homem preferiu a única fruta que não podia diante da infinidade de presentes que possuía ao seu redor. 

Deus é totalmente bom, mas também é totalmente justo e santo. Deus não poderia deixar de lado a sua justiça e santidade e permitir que um traidor, usurpador, um pecador passasse impunemente. Se Deus fizesse algo assim, estaria deixando de ser justo, pois, sendo Santo, Ele não pode tolerar o pecado. A raça humana poderia ter sido imediatamente exterminada. Se isso tivesse ocorrido, a justiça teria sido feita imediatamente. Mas Deus tinha um plano em que seria justo e misericordioso ao mesmo tempo. 

O pecado nos contaminou. Somos tão orgulhosos, egoístas e convencidos que chegamos até a pensar que, se fossemos nós (pessoalmente) que estivéssemos lá no Éden, não teríamos tomado a mesma decisão que Adão, isto é, não teríamos desejado ser iguais a Deus e o traído. Que engano! Nós estávamos lá, sim! Adão representava cada um de nós e fez o que qualquer um de nós também faria. Lá no fundo, quando o homem começa a pensar honestamente, com a ajuda da graça de Deus que afasta nossa soberba (João 16:8), todo ser humano acaba percebendo que faria igual a Adão. Afinal, olhando nossa vida hoje, não é raro fazermos coisas erradas por muito menos. 

A Queda ocorreu de uma forma muito mais séria do que inicialmente imaginamos. A Queda do homem resultou não somente na morte física que alcança todos os homens mais cedo ou mais tarde, mas também resultou na chamada morte espiritual. Com a morte espiritual os olhos do homem foram cegados, e o seu coração foi inclinado para fazer o mal. Antes da Queda o homem poderia fazer o bem e o mal, pois foi criado livre. Depois da Queda o homem só faz o mal, pois a sua motivação está sempre longe de Deus. Sua vontade e desejo é sempre pelo errado, para as vontades da carne, por aquilo que desagrada a Deus. Mesmo quando faz algo exteriormente bom, a motivação não é mais a glória de Deus, mas sim a auto-satisfação e, por isso, é considerado mal. Assim nascemos, com essa mancha, com este vírus mortífero da Queda, caímos de uma situação de convivência plena com nosso Criador para um plano inferior de separação e pecado. Não fazemos mais o bem, e não buscamos mais a Deus. (Romanos 3). Nosso “deus”, após a Queda, é nosso umbigo. É interessante notar que as crianças, desde pequenas, já possuem inclinação para o pecado (Salmo 51), desejando e brigando para pegar o brinquedo da outra, desobedecendo às ordens dos pais, mentindo para esconder suas bagunças e não serem punidas. Quem ensinou isso às crianças, que muitas vezes nem aprenderam ainda a falar? 

Após a entrada do pecado todas as áreas da vida foram contaminadas. O trabalho passou a ser penoso, a mulher passou a dar à luz com dores, os animais passaram a atacar e devorar uns aos outros, o homem passou a destruir a natureza, e a natureza com catástrofes destrói o homem, doenças físicas e mentais nos vitimam (1 Coríntios 11:30), e enfim a morte física vem para todos os homens. 

Muitos podem questionar: como é possível que ninguém mais faça o bem? Como é que só fazemos o mal? E as obras boas e de caridade que vemos todos os dias? A resposta para essas dúvidas está na morte espiritual. Embora reste em nós uma pequena luz que nos faz saber em parte o que é certo e errado na sociedade, a Queda nos separou radicalmente de Deus de forma que fazemos tudo para nós mesmos, e isso não é bom e agradável para Deus. Explico: todas as nossas ações possuem uma motivação. Mesmo que você não saiba qual é, ela existe. Após a entrada do pecado, a nossa motivação última para todas as coisas que fazemos está em nós mesmos, seja para nos sentirmos melhor, seja para cumprir um dever que achamos ter – enfim, tudo gira ao redor do “eu”. Nada mais é feito para honra e glória de Deus tal como deveria ser. Podemos dar como exemplo aquela pessoa que faz caridade e doação aos pobres, mas, quando questionada sobre o motivo daquilo, responde que faz porque acha certo e, assim, se sente mais feliz. Percebam que, embora seja um bom ato por fora, o intuito final do coração é satisfazer uma necessidade de se sentir feliz e aliviado – o objetivo não é a glória de Deus. 

Foi o pecado de Adão e Eva que os colocou, “e aos seus descendentes (toda humanidade), sob o jugo do pecado e da culpa, de modo que eles e todos os seres humanos passaram a sentir vergonha e medo diante de Deus.” Assim, todas as áreas da vida foram contaminadas como foi dito acima, não somente as áreas naturais, mas também as instituições sociais. Os relacionamentos entre os seres humanos passaram a ser cheio de atritos, contendas e rixas; o casamento passou a gerar também sofrimentos e discórdias; o sexo passou a ser buscado como instrumento de prazer, sem responsabilidade, fora do compromisso de amor mútuo do casamento; os governos e sistemas políticos foram contaminados pela injustiça e corrupção e as artes (música, cinema, entre outras) passaram a servir como propagadores da vontade de pecado que existe no coração do homem. Por causa da Queda, em qualquer canto do universo que você olhar ali estará o pecado contaminando como um vírus a criação, mesmo dentro da igreja você pode e vai encontrar pessoas fazendo coisas erradas, isso acontece em razão do pecado, que não é parte da vontade de Deus. 

Duas lições são de fundamental importância para encerrarmos este capítulo. Em primeiro lugar, a entrada do pecado pela Queda não anulou a criação originalmente boa de Deus. Ou seja, as coisas criadas por Deus continuam sendo boas em sua essência. Por exemplo: apesar de existir a prostituição, o sexo continua sendo algo bom criado por Deus para ser usufruído no casamento. A existência de canções violentas e apelativas não faz com que músicas belas não possam ser usadas para alegrar nosso dia a dia dentro e fora da igreja. A existência do orgulho e egoísmo que geram brigas entre família e amigos não transforma os relacionamentos em algo ruim. A existência de algumas igrejas e pastores que só querem o dinheiro dos fiéis não impede a existência de igrejas e pastores sérios e comprometidos com Deus. Nesse sentido, o autor Albert Wolters diz que “o pecado é uma invasão alienígena (que vem de fora) na boa criação de Deus [...] ele não foi planejado para pertencer à criação.” Em segundo lugar, sabendo que o pecado é algo de fora e que contamina a nós e a toda a criação, Deus em seu infinito amor e misericórdia preparou um plano de salvação do homem e de toda a natureza criada. 

Conforme veremos adiante, Deus enviou seu próprio filho, Jesus Cristo, para sofrer como homem todas as dores e receber a punição e o castigo que nós deveríamos ter recebido. Dessa forma, com o sacrifício de Jesus, que satisfaz plenamente a justiça de Deus, é possível ao homem voltar a agradar a Deus, relacionar-se com Ele e fazer o que é bom. Embora, ainda continuemos a errar e pecar, depois de sermos resgatado por Jesus, nós possuímos novamente a habilidade de fazer o que é certo, pois fazemos tudo em Cristo e para a Glória de Deus (2 Timóteo 3:16). Cristo inaugurou a obra de restauração depois do estrago da Queda, reconciliando o homem e todas as demais coisas com Deus (Colossenses 1:13-23). Jesus é o único caminho para tal reconciliação. “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. João 14:6. Todas as demais áreas da vida são salvas em Cristo. Relacionamentos podem ser curados com base no amor e perdão. Canções não pecaminosas podem ser escritas, tocadas e cantadas sobre a vida, o amor e as emoções. A natureza, embora poluída e perigosa, ainda é bela e pode ser aproveitada para lazer, sustento e alegria com o devido cuidado sustentável, sendo tudo feito com o propósito e motivação no coração de glorificar a Deus em Cristo Jesus, e não para atender às necessidades e paixões do próprio coração humano contaminado pela Queda. Veremos que com a volta de Cristo tudo será totalmente restaurado à perfeição que era no início. 

Por enquanto, nós que por um lado reconhecemos esse terrível acontecimento da Queda (ou seja, reconhecemos que somos por natureza pecadores, como nos ensina Efésios 2), mas que, por outro lado, fomos alcançados pela Palavra de Deus e, assim, pela salvação em Cristo mediante a fé, podemos dar início ao trabalho de redenção em cada área de nossa vida, dando graças a Deus pela salvação de nossas almas e glória a Deus por cada resultado alcançado. Sem conhecermos e entendermos o terrível acontecimento da Queda e as consequências devastadoras que ela gerou sobre nós, humanos, e também sobre toda a criação, com a entrada do pecado no mundo, nunca seremos capazes de compreender a redenção providenciada por Cristo e a nossa desesperada condição, na qual precisamos da salvação dele. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16.

sábado, 28 de janeiro de 2017

CRIAÇÃO


Leonardo Marques Verona

BASE BÍBLICA: Gênesis 1-2


INTRODUÇÃO


Você já se perguntou de onde vieram todas as coisas? Já parou para pensar de onde vieram todas as estrelas do céu? E de onde veio a vida? Você alguma vez já pensou em qual é o sentido da vida e também da sua existência? Talvez você fuja de perguntas desse tipo, seja por serem muito profundas e difíceis de responder, seja por serem muitas vezes angustiantes, ou talvez até por medo de encarar a realidade. 

Muitos deixam de pensar nessas coisas, vivem a vida e usam de tudo que existe sem pensar muito sobre sua origem. Mas essas questões vez ou outra surgem em nossos pensamentos. Se não tivermos respostas claras para elas certamente isso nos levará a uma grande angústia e a não enxergamos sentido algum para as nossas vidas. Minha proposta é que respondamos sobre a origem e o sentido de todas as coisas por meio da Bíblia.


“NO PRINCÍPIO, CRIOU DEUS”


Ao abrirmos a Bíblia, no seu primeiro livro, Gênesis, vemos o seguinte versículo: “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” O que podemos aprender com um versículo tão simples e pequeno? Será que podemos responder a alguma coisa sobre a origem de todas as coisas e também sobre quem as criou? Com certeza!

Em primeiro lugar, vemos a palavra “princípio”. Mas que princípio é esse? É o começo do nosso planeta, do nosso sistema solar ou de todo o Universo? Pelo próprio versículo entendemos que nesse “princípio” aconteceu a criação de todo o Universo, quando diz que Deus criou os “céus e a terra”. A Bíblia confirma isso em várias passagens, como no Salmo 33: “Mediante a palavra do SENHOR foram feitos os céus, e os corpos celestes, pelo sopro de sua boca [...] Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo surgiu” (Salmo 33:6;9). Então, podemos dizer que todas as coisas foram criadas por Deus.

Em segundo lugar, nesse primeiro versículo vemos que a Bíblia já parte da ideia de que Deus existe e não se preocupa em provar sua existência. Essa deve ser também a nossa forma de pensar. Toda a criação, o tamanho do Universo, o número incontável de estrelas (que são muito maiores que a Terra), sua organização, a beleza desse Universo e a nossa própria vida mostram claramente que existe um Deus todo-poderoso.

Podemos ver, ainda nesse primeiro versículo, que Deus existe antes da criação do Universo e até mesmo do próprio tempo, já que tudo foi criado por Ele. Então, podemos dizer que Deus sempre existiu, Ele não tem começo e nem fim. Podemos falar ainda que Deus não é o Universo, ou qualquer outra coisa dentro da criação, já que Ele existia antes de tudo e tudo foi criado por Ele, o que nos mostra como Deus é grande e poderoso.


DEUS PAI, DEUS FILHO E DEUS ESPÍRITO SANTO


Ao continuarmos a ler o capítulo 1 de Gênesis, vemos o Espírito de Deus participando e dando vida à criação, pois “o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” (Gênesis 1:2), enquanto Deus criava e organizava tudo por meio de Sua Palavra. Podemos entender mais sobre essa “palavra”, que também podemos traduzir como “verbo” como em João 1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” (João 1.1-3). Então, quem é essa Palavra ou Verbo, por meio da qual todas as coisas foram feitas? A resposta é Jesus Cristo, que é a pessoa de quem João está falando no seu livro.

Vemos, então, em Gênesis 1, a Santíssima Trindade criando conjuntamente todas as coisas: Deus Pai, por meio de Sua Palavra; Jesus Cristo, Deus Filho; e a ação do Deus Espírito Santo trazendo vida à criação. Com isso, vemos que Deus não precisava criar o Universo, já que Ele é completo em si mesmo. Mas, pela Sua graça e amor, Deus decidiu livremente criar o Universo para a sua própria glória. O sentido da criação e da vida está em glorificar a Deus: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos” (Salmo 19:1-2).


A ORGANIZAÇÃO DA CRIAÇÃO


A partir do versículo 3 de Gênesis 1 vemos Deus dando forma e organizando a sua criação por meio de sua Palavra. Nos seis dias da criação, Deus cria a luz e a separa das trevas, separa também as águas que ficariam embaixo e as águas que ficariam nos céus, fez as águas se ajuntarem para aparecerem lugares secos, fez brotar na terra todo tipo de plantas, estabeleceu o dia, a noite e as estações do ano, encheu as águas de seres vivos, bem como a terra de todas as espécies de seres vivos e os ordenou que multiplicassem. Deus também criou o homem, à Sua imagem e semelhança, dando a ele o domínio sobre os animais, e também o ordenou que se multiplicasse.

Vemos que Deus criou e organizou cada coisa da criação para funcionar de acordo com a Sua vontade. Deus estabeleceu leis que dirigem tudo o que existe. Essas leis estão em toda parte de nossa vida, e sem elas nem vida nem Universo existiriam. Deus criou essas leis e a tudo sustenta, de forma que se Ele tirar a sua mão da criação nada poderá continuar existindo.


A CRIAÇÃO DO HOMEM


Aprendemos que Deus criou todas as coisas e vimos também que Ele criou o homem. Mas, ao compararmos a criação do homem com a dos outros animais, percebemos algumas diferenças.

Em primeiro lugar, o versículo 16 de Gênesis 1 nos diz que o homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. O que isso quer dizer? Em resumo, significa que somos mais parecidos com Deus do que com qualquer outra criatura, mesmo Deus sendo infinitamente maior que o homem. No texto de Gênesis 1 vemos um Deus que é criativo, organizado, racional, gracioso e bondoso e que exerce domínio sobre sua criação. 

O homem também reflete essas características de Deus, além de outras que são mencionadas na Bíblia, como a justiça, a espiritualidade, a capacidade de se relacionar, o amor e a santidade (antes da queda). Por isso, podemos dizer que Deus dá um destaque ao homem em relação ao restante da criação.

Em segundo lugar, em Gênesis 2, vemos Deus criando e formando o homem diretamente do pó da terra. Além disso, o próprio Deus soprou o fôlego de vida, criando assim a “parte” espiritual do homem. A Bíblia não revela exatamente como foi esse processo, mas esse fato nos mostra a importância e a atenção que Deus deu ao homem. De forma semelhante, Deus tirou uma das costelas do homem, formou diretamente dela a mulher e instituiu a família dizendo que o homem deve deixar pai e mãe e se unir à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne (Gênesis 2:24).


“VIU DEUS QUE ERA TUDO MUITO BOM”


Ao final do capítulo 1 de Gênesis nos é dito que Deus viu tudo o que tinha feito e viu que tudo era muito bom. A criação de Deus é boa, e por isso nós podemos e devemos usar com alegria, gratidão e responsabilidade tudo o que Deus criou. 

Diferentemente de algumas religiões que dizem que o mal precisa existir junto com bem para haja um equilíbrio, a Bíblia nos mostra que o mal que existe hoje é algo anormal e que não fazia parte da boa criação de Deus.


APLICAÇÃO


Você já se perguntou de onde vieram todas as coisas? Já parou para pensar de onde vieram todas as estrelas do céu? E de onde veio a vida? Você alguma vez já pensou em qual é o sentido da vida e também da sua existência? 
Agora você pode responder a essas perguntas. Deus criou todas as coisas, todas as estrelas do céu, bem como todo esse imenso universo e a própria vida, o que nos mostra que Ele é todo-poderoso. 
Se Deus é o criador e a origem de tudo, o único sentido da vida e da nossa existência só pode estar no próprio Deus. 
O sentido da vida é glorificar a Deus. Por isso, seja grato a Deus por sua vida e por tudo que Ele criou.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Quem é Deus?



Luiz Cláudio Simões de Lima

BASE BÍBLICA: Salmo 90

INTRODUÇÃO


Vivemos no planeta Terra, e a nossa vida é algo maravilhoso e impossível de acontecer por acaso. Fomos criados por Deus, assim como todo o universo. E, além de ter criado todas as coisas, Deus as mantêm vivas e funcionais. Certamente você está lendo este texto agora porque Deus assim providenciou, e, dessa forma, sua vida está nas mãos de Deus.

Mas a maioria das pessoas acredita em um deus que em nada tem a ver com o Deus verdadeiro, que é o nosso criador. Acreditam em um ser que apenas assiste aos acontecimentos na criação e que parece ser incapaz de fazer todas as coisas, além de depender da nossa ação para que nos salve. Essas coisas em nada mostram a verdade; pelo contrário, são mentiras que se falam por aí.

ONDE PODEMOS APRENDER SOBRE DEUS?


Para sabermos quem é Deus, precisamos conhecê-lo por meio das Escrituras (Bíblia Sagrada), que são a Palavra de Deus. É precisamente a Bíblia o único lugar onde nos é revelado quem é Deus.

Deus existe em três pessoas: o Deus Pai, o Deus Filho (Jesus) e o Deus Espírito Santo. As três pessoas são iguais em poder e conhecimento, mas atuam de forma diferenciada no plano da Criação até a Redenção. Mas só existe um Deus, e não três, e, como pode se imaginar, os três são Deus. Chamamos este ensino de Trindade. Apesar da palavra "trindade" não estar na Bíblia, ela é a melhor que descreve a natureza trinitária de Deus: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mateus 28:19).

Podemos afirmar o seguinte sobre Deus:

· Deus pode fazer todas as coisas – “Jesus, fixando os olhos neles, respondeu: Para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível.” (Marcos 10:27).

· Deus sabe de todas as coisas – “Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir. Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?” (Salmo 139:5-7).

· Deus conhece todas as coisas – “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro?” (Romanos 11:33).

· Deus é eterno – “Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade tu és Deus.” (Salmo 90:2).

· Deus é Soberano – “Não se vendem dois passarinhos por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.” (Mateus 10:29).

A Bíblia afirma que Deus controla todas as coisas. Deus controla a chuva e o Sol, manda o frio e o calor, mantém toda a criação viva e especialmente cumpre seu decreto na vida de todos os homens, mas de forma especial na vida daquelas pessoas que Ele escolheu para a salvação.

É isso mesmo: Deus é quem nos escolhe! Essa afirmativa parece soar estranha nos dias atuais, por causa do orgulho, da maldade, criminalidade, fome, miséria e outras tantas tragédias da raça humana. Muitas pessoas ainda zombam de Deus, e alguns sequer acreditam que Ele exista. Mas isso em nada muda ou atinge a soberania e o poder de Deus.

APLICAÇÃO


Mesmo Deus sendo tão grande, majestoso, soberano e todo-poderoso, Ele quer que conversemos com Ele por meio da oração, pela qual podemos engrandecer o seu santo nome e dizer a Ele que acreditamos que a Sua vontade vai se cumprir. Podemos pedir algo de que necessitamos, podemos pedir por amigos nossos ou familiares, mas sempre devemos fazer as orações em nome de Jesus Cristo, seu filho e nosso Senhor, conscientes de que Deus vai nos responder segundo a vontade dEle: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:6).

Agora que já sabemos um pouquinho sobre Deus, ficamos ainda mais confiantes que Ele vai nos guardar e nos sustentar nesta vida, e na vida eterna, quando viveremos eternamente com Deus.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pokémon ou lá vamos nós!!!

por Rev. Fillipe Mendes

Gente boa, Pokémon voltou e já virou febre. Algumas reações também voltaram por parte de cristãos, e corremos o risco, de maneira imatura como igreja, de coarmos o mosquito e engolirmos o camelo. Explico (vá até o fim do texto comigo):

Toda mitologia é carregada de uma narrativa própria, e aponta para uma construção de "sentido", que só faz sentido dentro daquela atmosfera criada. A cultura pop está recheada de elementos desse tipo. Mitologias grega, celta, egípcia, judaica, entre tantas, acabam compondo as narrativas de filmes, desenhos, séries, animes e games. Essa é uma realidade. Algumas narrativas ficcionais nas telonas, por exemplo, são bem famosas, e criam todo um mundo à parte: um Batman em Gotham, um Super-Man e sua criptonita, vampiros, zumbis, etc. 

Isso não é novo, afinal um João e o pé de feijão já nos falava de um mundo de gigantes. Chapeuzinho vermelho e seu lobo mau, que de tão mau perseguia até os três porquinhos engenhosos. Sem esquecer de a Bela e a Fera, ou da bruxa má de João e Maria, ou mesmo de Branca de Neve e sua trupe de anões. Até mesmo nossos jogos olímpicos não existiriam se Hércules não tivesse cumprido alguns trabalhos impossíveis, obedecendo a deusa Hera.

Com Pokémon não é diferente. Os monstrinhos de bolso, significado do termo Pokémon, fazem parte de uma lista enorme de seres criados, dentro de uma roupagem mitológica japonesa, e se tornaram famosos por um desenho lançado em 1995 por Satoshi Tajiri. Quando criança, Satoshi gostava de brincar de coletar insetos e os guardar. Daí sua ideia amadurecida desenvolveu um desenho, que agora virou um game mega interativo, em que Treinadores coletam os monstrinhos e os coleciona.

Cada Pokémon tem características específicas, e compõem um grupo enorme bichinhos (veja aqui http://pokemondb.net/etymology). Alguns são lagartos, como o Bulbassauro, Venassauro. Répteis com cara de "dinos", tipo o Charizard. Tem até um rato amarelo que grita, o Pikachu. Enfim, trata-se de um mundo ficcional desenvolvido como uma fantasia, e deve ser tratado como.

A ficção pode ser boa ou ruim, depende de como nos apropriamos dela. Sem dúvida alguma, fugir da capacidade humana de inventar e compor histórias imaginativas é quase impossível. Fazemos isso desde a infância, dando nome a ursinhos, bonecas e bonecos, almofadinhas queridas, ou mesmo transformando nosso quarto em florestas e castelos cheios de desafios e aventuras.

Creio que a reação que diz “isso é do demônio” e ponto final é muito simplista e perigosa.Simplista, porque seleciona entra tantas mitologias, antigas ou modernas, algumas que serão rechaçadas e demonizadas, não fazendo isso com todo o resto. Se vai evitar Pokémon, simplesmente nessa base, então evite também Branca de Neve e o feitiço da maçã. Perigosa, porque transforma a ação de Satanás em algo caricaturado e ensina as pessoas a evitar o mal apenas no rótulo da Maionese, da Coca, ou no desenho animado. Não digo que cristãos não devam tomar cuidado com o que veem, leem e ouvem; É PRECISO CAUTELA SIM. Entretanto, é preciso entendermos que as estratégias de Satanás (II Cor 2:11) são mais sutis que isso. Ele é o pai da mentira, não da ficção, e sua ardilosa maldade cega e endurece corações, distanciando-os da Vontade Eterna de Deus. Os deuses do nosso tempo são tantos: sexo, vaidade, intolerância, egoísmo, dinheiro, poder, etc.

Por um lado, não tenho dúvida que cuidados devam ser tomados com um jogo como Pokémon, embora esse cuidado deva ser aplicado a todos os outros tipos de entretenimento. O entretenimento sem discernimento é sim um deus do nosso século, e tem sido adorado por muitos. Não pelos elementos ficcionais ou mitológicos em si, necessariamente, mas, sobretudo, por deixar o tempo ir pelo ralo, em detrimento de uma vida de santidade e devoção a Deus (Ef 5:15-17). Apenas lembre-se: Internet, WhatsApp, Netflix, novela, filme, preguiça, tudo isso entretém e rouba tempo também. Tome cuidado com o vício do entretenimento, ele pode dominar toda sua vida; já tem dominado a de muitos. Isso inclui Pokémon Go, que pode ser um sedativo poderoso para desligar você da realidade. Seja cauteloso.

Por outro lado, entendo que essa onda pode talvez nos dar oportunidades interessantes. O Pokémon Go é um jogo interativo, que se joga fora de casa, e que inclui interação com outras pessoas: interação real, e não apenas virtual. O jogo usa o GPS do seu celular para colocar um Pokémon perto de você, para que você interaja virtualmente. Alguns locais são pontos de encontro para jogadores, que trocam informações, duelam ou saem em “caçadas juntos”. Nessa interação, talvez seja possível tornar a experiência algo proveitosa: pais podem brincar e interagir com seus filhos; uma boa conversa pode nascer de um encontro casual, com possibilidade de se comunicar o evangelho e fazer novas amizades. Pontos de encontro próximos a igrejas podem ser oportunos para um convite a ouvir a Palavra. Bem, em um mundo que tende ao isolamento, com pessoas trancadas em quartos, madruga a dentro, jogando e jogando; ou sentadas sozinhas em lugares lotados, interagindo apenas pelo WhatsApp, um Pokémon Go pode prover “uma sensação momentânea de união”, como disse Travin Max, embora LONGE da verdadeira koinonia que o evangelho nos dá.

Por fim, vale dizer que esse texto NÃO É UMA APOLOGIA ao Pokémon Go, nem um incentivo para que se jogue. Eu mesmo não tenho a menor paciência. Trata-se apenas de uma orientação para que possamos discernir o mal com sabedoria e maturidade. Cada crente deve medir e pesar aquilo que lhe é edificante, e deve fazê-lo com sabedoria (I Co 10:23).

Nossa real satisfação deve estar em Deus, e em sua verdade. Sua Palavra deve ser nosso alimento diário. Não distrações mil e inovações humanas sem fim. Então, se necessário for, EVITE. Se ocasionar qualquer coisa que o afaste de consagrar-se a Deus, NÃO JOGUE. Mas se este não é o caso, faça bom proveito, com entendimento.

Sobre o autor: Pastor da Igreja Presbiteriana de Eldorado e membro do Grupo de Estudos de Cosmovisão Calvinisto.