quinta-feira, 28 de junho de 2012

MUNDANISMO NA IGREJA: OS CRENTES DE VIDA FÁCIL


Por André Storck

Depois da ditadura de mais de mil anos da Igreja Católica (que queimava hereges vivos), depois de duas guerras mundiais que mataram milhões de pessoas, depois de duas bombas atômicas e, principalmente, depois da ameaça de aniquilação nuclear na guerra fria toda a humanidade ficou traumatizada, com medo de alguém impor sua vontade à força de novo.

Uma das consequências desse trauma foi o surgimento de uma nova forma de pensar a vida: o relativismo. O relativismo é a principal marca do pós-modernismo e ensina o seguinte: não importa qual é a sua opinião, o que importa é que sejamos amigos.

A coisa funciona mais ou menos assim: se eu acredito em A e você acredita em B, nós precisamos esquecer nossas opiniões e sermos amigos sem tentar fazer com que o outro mude de ideia. Esse novo modo de pensar invadiu e destruiu as igrejas evangélicas nos EUA e, principalmente na Europa e finalmente chega com força no Brasil. Isso aconteceu porque o relativismo escancara as portas da igreja para o mundanismo e erradica a possibilidade de evangelização. Sabe como? Os relativistas dizem que:

Nós crentes não precisamos defender todas as verdades bíblicas, precisamos esquecer as diferenças e aceitar o outro. Basta crer em Jesus, não é necessário nem crer no que Ele disse. Não precisamos discutir doutrina e nem estudar essa coisa chata. O importante mesmo é sermos legais, simpáticos e amigos uns dos outros.”

Dessa forma, nasceram os que eu chamo de crentes de vida fácil, vida fácil porque não precisam mais defender todas as verdades das Escrituras, não precisam mais sequer estudá-las, não precisam dar o seu suor e sangue pelo Evangelho todo, basta crer em Jesus que já tá bom. Esse negócio de doutrina, reverência, estudo, salvação, escatologia, mandato cultural, grande comissão, isso tudo é secundário, está na Bíblia por engano, o Evangelho é simples e fácil: é só aceitar Jesus.

É por isso que hoje existem tantas igrejas que aceitam Jesus, mas também aceitam um montão de coisas como santos de madeira, buda, homossexualidade, drogas, sexo fora do casamento, teologia da prosperidade, sal grosso, folhinha de arruda, retiros para busca de experiências sobrenaturais e outras macumbas góspeis... O importante é ter Jesus no coração e sermos amigos uns dos outros, exploda-se a doutrina!

Com a chegada do relativismo e para evitar brigas e confusões a igreja passou a aceitar o que o mundo ensinava e o mundanismo entrou sorrindo pelo corredor do meio da igreja. O martírio virou peça de museu. Nossos músicos não produzem mais canções para a sociedade, nossos políticos não lutam mais pela educação e contra a corrupção, nossos ricos não ajudam mais os pobres e a Igreja não influencia mais a comunidade. Os que ainda se atrevem a defender verdades bíblicas e criticar as falsas doutrinas são fanáticos que precisam ser aniquilados.
  Crente vida fácil: vive para se alegrar e para alegrar os outros.

É fácil ser crente de vida fácil, basta sorrir o tempo todo, ser legal, ir em todas as festas de aniversários dos
irmãos, não disciplinar/corrigir os crentes mais influentes da igreja, nunca impor qualquer verdade, não corrigir nenhum irmão que fale algo em desacordo com a Bíblia e, principalmente, colocar o Evangelho na prática (apesar de não sabermos muito bem o que vai ser posto na prática, já que não sabemos nem o que é o Evangelho uma vez que doutrina não é importante), ou seja, coloque qualquer coisa na prática dentro da igreja.

Precisamos estar atentos à tentação de sermos crentes de vida fácil, na história do cristianismo aqueles que defenderam as verdades bíblicas nunca viveram na facilidade, ao contrário, foram perseguidos, açoitados, apedrejados, expulsos das igrejas (sinagogas), chamados de rebeldes e hereges. Cristo nos chama a sermos santos e a santidade inclui uma vida pautada em todas as esferas pela Palavra de Deus. Precisamos estudar, conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor. 

Amar a Deus e ao próximo passa pela conhecimento e exposição fiel da Verdade. Tal postura não nos impede de sermos gentis e agradáveis, mas isso nunca deve ocorre às custas do próprio Evangelho.

Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” Apocalipse 2.10


terça-feira, 26 de junho de 2012

Não é melhor pregar o evangelho do que falar sobre calvinismo?


"Minha opinião pessoal é que não há pregação de Cristo e este crucificado, a menos que se pregue aquilo que atualmente se chama calvinismo. É cognome chamar isso de calvinismo; pois o calvinismo é o evangelho e nada mais. Não creio que possamos pregar o evangelho... a menos que preguemos a soberania de Deus em sua dispensação da graça; e também a menos que exaltemos o amor eletivo, imutável, eterno, inalterável e conquistador de Jeová; como também não penso que podemos pregar o evangelho, a menos que o alicercemos sobre a redenção especial e particular do seu povo eleito e escolhido, que Cristo realizou na cruz; e também não posso compreender um evangelho que permite que os santos apostatem depois de haverem sido chamados.”


SPURGEON, Charles H.. In: Spurgeon´s Autobiography, vol I. (London: Passmore and Alabaster, 1897), p.172.

terça-feira, 19 de junho de 2012

LIBERAIS E NEOPENTECOSTAIS: UM NOVO E PERIGOSO CASO DE AMOR



Excelente texto de Renato Vargens que vale a pena compartilhar:

Tenho reparado nas redes sociais que muitos dos neopentecostais tem aplaudido, comentado e repassado aos seus amigos virtuais, algumas frases de efeito proferidas pelos liberais. Neste perspectiva se tornou comum encontrar os adeptos do neopentecostalismo vibrando com expressões do tipo:

"Mais do que entender a Biblia, o importante é saber respeitar outras pessoas, ter compaixão de quem sofre,  pois no fundo a Biblia é isso." 

"Pessoas que destilam ódio em nome da doutrina religiosa podem ter encontrado religião, mas não Deus. Deus é amor e misericórdia." 

"Deus é amor e se manifesta de forma diferente nas religiões." 

"Os evangélicos precisam rever seu conceito medieval de salvação"

"Juízo eterno? Não! Deus é amor, no final de tudo o amor prevalecerá e  todos os homens serão salvos"

"Não julguemos os homens, nem tampouco as suas doutrinas, isso não nos cabe. Vamos amar as pessoas, tratando-as com o amor do Cristo.

Pois bem, os liberais não se cansam de falar de amor. Em quase todos os seus textos é comum encontrarmos a afirmação de que Deus é amor e que em virtude disso, ele não julga ninguém, não condena ninguémTodavia, os adeptos do liberalismo teológico se esquecem que as Escrituras apontam para o fato inexorável de que Deus além de amoroso é justo, e que no dia final, há de tratar com os homens consoante oseus pecados. 

Ora, antes que me apedrejem, gostaria de  afirmar que é claro que eu sei que Deus é amor. As Escrituras afirmam isso de forma inequívoca. O que seria de nós sem o amor e a graça de Cristo? O que seria das nossas miseráveis vidas se Jesus não tivesse morrido por nós na cruz? Que amor maravilhoso é esse, não é verdade? Entretanto, o fato de saber que Deus é amor, não me dá o direito de distorcer a verdade.  JESUS CRISTO, a expressão máxima do AMOR, é também a mais absoluta VERDADE (João 14:6). 

Bom, talvez você esteja se perguntando: Tudo bem, mais o que isso tem há ver com os neopentostais?

Tudo! Deixe-me explicar!

Os neopentecostais e suas doutrinas espúrias tem sido severamente criticados pela ortodoxia evangélica. É comum encontrarmos na blogosfera cristã inúmeros textos refutando as heresias do neopentecostalismo, o que de certa forma tem proporcionado a descoberta da verdade bíblica por milhares de nossos irmãos.  Em contrapartida, um número incontável de neopentecostais tem rechassado a postura conservadora por parte da igreja brasileira, alegando que falta entre os que combatem o neopentecostalismo, amor e compaixão.  Nesta perspectiva os neopentecostais em questão, tem vibrado com as expressões de "tolerância" usada pelos liberais, o que infelizmente tem proporcionado a aproximação destes dois grupos.

Prezado amigo, todos sabemos das distorções teológicas do neopentecostalismo e dos seus malefícios para a igreja brasileira, no entanto, o que muitos de nós desconhecemos é que o liberalismo teológico é muito pior. Sim! O liberalismo teológico é um câncer que vagarosamente arrebenta a saúde da Igreja. Como bem afirmou Augustus Nicodemus os "Liberais são parasitas, e assim como um vírus  se instala num organismo debilitando o corpo do individuo, da mesma forma eles se instalam na igreja sugando-a até ficar só a carcaça, para depois buscar outro hospedeiro"

Caro leitor,  o que me preocupa é fato de que em virtude da fraqueza teológica dos neopentecostais os liberais encontrem espaço em seus arraiais, instalando em suas débeis estruturas de pensamento, um tipo de vírus, que se não tratado com firmeza poderá produzir males quase que irreparáveis.

Sem sombra de dúvidas esse é um namoro que me preocupa!

Pense nisso!

Renato Vargens

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Carta ao Reverendo Van Diesel

Excelente artigo publicado pelo Rev. Augustus Nicodemos sobre a unção com óleo, prática muito mal interpretada nos dias de hoje. Vale a pena conferir:

Carta ao Reverendo Van Diesel 

[Republicação - Mais uma carta fictícia. Não existe o Reverendo Van Diesel, pelo menos não com este nome...]

Prezado Reverendo Van Diesel,

Obrigado por ter respondido minha carta. Você foi muito gentil em responder minhas perguntas e explicar os motivos pelos quais você costuma ungir com óleo os membros de sua igreja e os visitantes durante os cultos, além de ungir os objetos usados nos cultos.

Foto do armário do Rev. Van Diesel - óleo santo
importado de Israel
Eu não queria incomodá-lo com isto, mas o Severino, membro da minha igreja que participou dos seus cultos por três domingos seguidos, voltou meio perturbado com o que viu na sua igreja e me pediu respostas. Foi por isto que lhe mandei a primeira carta. Agradeço a delicadeza de ter respondido e dado as explicações para sua prática.

Sem querer abusar de sua gentileza e paciência, mas contando com o fato de que somos pastores da mesma denominação, permita-me comentar os argumentos que você citou como justificativa para a unção com óleo nos cultos.

Você escreveu, "A unção com óleo era uma prática ordenada por Deus no Antigo Testamento para a consagração de sacerdotes e dos reis, como foi o caso com Arão e seus filhos (Ex 28:41) e Davi (1Sam 16:13). Portanto, isto dá base para se ungir pessoas no culto para consagrá-las a Deus." Meu caro Van Diesel, nós aprendemos melhor do que isto no seminário presbiteriano. Você sabe muito bem que os rituais do Antigo Testamento eram simbólicos e típicos e que foram abolidos em Cristo. Além do mais, o método usado para consagrar pessoas a Deus no Novo Testamento para a realização de uma tarefa é a imposição de mãos. Os apóstolos não ungiram os diáconos quando estes foram nomeados e instalados, mas lhes impuseram as mãos (Atos 6.6). Pastores também eram consagrados pela imposição de mãos e não pela unção com óleo (1Tim 4.14). Não há um único exemplo de pessoas sendo consagradas ou ordenadas para os ofícios da Igreja cristã mediante unção com óleo. A imposição de mãos para os ofícios cristãos substituiu a unção com óleo para consagrar sacerdotes e reis.

Você disse que "Deus mandou Moisés ungir com óleo santo os objetos do templo, como a arca e demais utensílios (Ex 40.10). Da mesma forma hoje podemos ungir as coisas do templo cristão, como púlpito, instrumentos musicais e aparelhos de som para dedicá-los ao serviço de Deus. Eu e o Reverendo Mazola, meu co-pastor, fazemos isto todos os domingos antes do culto." Acho que aqui é a mesma coisa que eu disse no parágrafo anterior. A unção com óleo sagrado dos utensílios do templo fazia parte das leis cerimoniais próprias do Antigo Testamento. De acordo com a carta aos Hebreus, estes utensílios, bem como o santuário onde eles estavam, “não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma” (Hb 9.10). Além disto, o templo de Salomão já passou como tipo e figura da Igreja e dos crentes, onde agora habita o Espírito de Deus (1Co 3.16; 6.19). Não há um único exemplo, uma ordem ou orientação no Novo Testamento para que se pratique a unção de objetos para abençoá-los. Na verdade, isto é misticismo pagão, puro fetichismo, pensar que objetos absorvem bênção ou maldição.

Você também argumentou que “Jesus mandou os apóstolos ungir os doentes quando os mandou pregar o Evangelho. Eles ungiram os doentes e estes ficaram curados (Mc 6.13).” Nisto você está correto. Mas note o seguinte: (1) foi aos Doze que Jesus deu esta ordem; (2) eles ungiram somente os doentes; (3) e quando ungiam, os enfermos eram curados. Se você, Van Diesel, e seu auxiliar Mazola, curam a todos os doentes que vocês ungem nos cultos, calo-me para sempre. Mas o que ocorre? Vocês ungem todo mundo que aparece na igreja, crianças, jovens, adultos e velhos... Você fica de um lado e o Mazola do outro, e as pessoas passam no meio e são untadas com óleo na testa, gente sadia e com saúde. Se há enfermos no meio, eles não parecem ficar curados. Pelo menos o membro da minha igreja que esteve ai por três domingos seguidos não viu nenhum caso de cura. Ele me disse que você e o Mazola ungem o povo para prosperidade, bênção, proteção, libertação, etc. É bem diferente do que os apóstolos fizeram, não é mesmo?
Quando eu questionei a unção das partes íntimas que você faz numa reunião especial durante a semana, você replicou que “a unção com óleo sagrado e abençoado é um meio de bênção para as pessoas com problemas de esterilidade e se aplicado nas partes íntimas, torna as pessoas férteis. Já vi vários casos destes aqui na minha igreja.” Sinceramente, Van Diesel, me dê ao menos uma prova pequena de que esta prática tem qualquer fundamento bíblico! Lamento dizer isto, mas dá a impressão que você perdeu o bom senso! Eu me pergunto por que seu presbitério ainda não tomou providências quanto a estas práticas suas. Deve ser porque o presidente, Reverendo Peroba, seu amigo, faz as mesmas coisas.

Seu último argumento foi que “Tiago mandou que os doentes fossem ungidos com óleo em nome de Jesus (Tg 5.14).” Pois é, eu não teria problemas se os pastores fizessem exatamente o que Tiago está dizendo. Note nesta passagem os seguintes pontos.
  • A iniciativa é do doente: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor."
  • Ele chama “os presbíteros da igreja” e não somente o pastor.
  • O evento se dá na casa do doente e não na igreja.
  • E o foco da passagem de Tiago, é a oração da fé. É ela que levanta o doente, “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5.15).
Ou seja, não tem como usar esta passagem para justificar o “culto da unção com óleo santo” que você faz todas as quintas-feiras e onde unge quem aparece. Não há confissão de pecados, não há quebrantamento, nada do que Tiago associa com esta cerimônia na casa do doente.

Quer saber, Van Diesel, eu até que não teria muitos problemas se os presbíteros fossem até a casa de um crente doente, que os convidou, e lá orassem por ele, ungindo com óleo, como figura da ação do Espírito Santo. Se tudo isto fosse feito também com um exame espiritual da vida do doente (pois às vezes Deus usa a doença para nos disciplinar), ficaria de bom tamanho. E se houvesse confissão, quebrantamento, mudança de vida, eu diria amém!

Mas até sobre esta unção familiar eu tenho dúvida, diante do uso errado que tem sido feito da unção com óleo hoje. De um lado, há a extrema unção da Igreja Católica, tida como sacramento e meio de absolvição para os que estão gravemente enfermos e se preparam para a morte. Por outro, há os abusos feitos por pastores evangélicos, como você. O crente doente que convida os presbíteros para orarem em sua casa e ungi-lo com óleo o faz por qual motivo? Ungir com óleo era comum na cultura judaica e oriental antiga. Mas entre nós...? Será que este crente pensa que a unção com óleo tem poderes miraculosos? Será que ele pensa que a oração dos presbíteros tem um poder especial para curar? Se ele passa a semana assistindo os programas das seitas neopentecostais certamente terá idéias erradas sobre unção com óleo. Numa situação destas de grande confusão, e diante do fato que a unção com óleo para enfermos é secundária diante da oração e confissão de pecados, eu recomendaria grande prudência e discernimento.

Mas, encerro por aqui. Mais uma vez, obrigado por ter respondido à minha primeira carta e peço sua paciência para comigo, na hora de ler meus contra-argumentos.

Um grande abraço,

Augustus

PS: Ah, o Reverendo Oliveira e o Presbítero Gallo, seus conhecidos, estão aqui mandando lembranças. Eles discordaram veementemente desta minha carta, mas fazer o quê...?

PS2: Desculpe ter publicado a foto que o Severino acabou tirando daquele seu armário no gabinete pastoral... ele não resistiu.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O SORIMENTO E A SOBERANIA DE DEUS

por Luiz Cláudio Simões de Lima



Quando falamos nos dias de hoje de evangelho, se tem em mente uma mudança de vida total e completa, em todas as esferas da vida, mas a maioria infelizmente vê a mudança de um modo errado, imaginando que será levado a um mundo repleto de felicidade e sem sofrimento. Somos filhos de Deus, então por que sofremos?

Esta pergunta ecoa sempre ao redor dos que se convertem e percebem que a vida continua com sofrimento e dores, diariamente. Todos nós nascemos em meio a dores, em dores passamos a maior parte de nossa existência terrena, e a maioria, morre em meio a sofrimentos. Sendo assim; onde está o Deus Soberano e Bondoso?
Sabemos que Deus é soberano sobre todas as coisas, e que de sua vontade boa, perfeita e agradável, se cumpre cabalmente.
1. Deus mantém o cosmos organizado e funcional. “Eu fiz a terra, e criei nela o homem; eu o fiz; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens.” (Isaías 45:12)
2. Deus mantém os seres viventes, pois ele é quem comunica a vida a todos, e faz isso de forma contínua. “Na sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana.” (Jó 12:10)
3. Deus criou todas as coisas, inclusive o mal. “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.” (Isaías 45:7)
Em vista a estas verdades, como então harmonizar as idéias em nossas mentes finitas?
O fato de Deus ser bom em nada exclui a responsabilidade humana, e ainda não diminui a completa depravação que a raça humana caiu quando nosso primeiro pai, adão, pecou. Portanto, o ser humano por si mesmo, é o principal veículo da maldade na terra, sendo também seu executor. “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” (Gálatas 5:19-21)
E Deus é a fonte de toda bondade; “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” (Tiago 1:17)
Então chegamos agora em um dos maiores mistérios do evangelho, o qual afirma que Deus é inteiramente bom e mesmo assim, o mal existe e é mantido por Ele. Como nossas mentes finitas entenderão um Deus de grandeza insondável?
De fato, nós podemos sentir e experimentar diariamente o cuidado de Deus nas nossas vidas, nos livrando do mal, nos dando saúde, nos fazendo caminhar a salvo no mundo de terríveis acontecimentos. Porém, para todos, o dia da adversidade chega, e aí Deus é colocado em cheque por muitos, indagando acerca de sua bondade e da permissão de atrocidades. Mas, não vejo a maioria acusar a Deus de injustiça, por salvar pecadores e os livrar de sua condenação eterna, caminho que faziam sem esperança alguma de salvação. Também não vejo Deus sendo acusado de ser mal por manter vivos os que contra ele praguejam, e ainda lhes dando a oportunidade de ouvir o evangelho. Ou sustentando com alimento, saúde, e certa porção de prosperidade aos que blasfemam seu santo nome no meio da sociedade.
Certamente estamos em frente ao limite de nossa compreensão humana com respeito à soberania de Deus e sua grandeza, que de forma harmoniosa faz que a bondade e justiça dEle, conviva verdadeiramente junto com a maldade humana, que também será cobrada de cada homem, que terá de responder por ela perante o justo juiz, sendo Ele mesmo que dirige todos os passos dos homens. Certamente tamanha complexidade nos faz louvá-lo por sua muita grandeza.
E quanto a nós, os que fomos eleitos segundo a sua santa vontade, devemos ainda mais glorificar o seu nome diariamente, inclusive com os mais profundos sofrimentos. A palavra de Deus nos assegura que fomos destinados a eles. Pois, pensando em eternidade, o que são os dias em que vivemos nesta vida terrena, talvez 80 ou 90 anos, às vezes 12, ou 33 anos, não importa, mas o que é esse tempo na eternidade? Talvez como um pingo de água que cai de um balde, ou um grão de areia no deserto. Observando o exemplo do apóstolo Paulo, que chama esta vida de “leve e momentânea tribulação”, devemos com esperança aguardar a restauração de todas as coisas, o novo céu e nova terra, nos quais habita a justiça.
O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo escreve: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos. E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” (Romanos 8:18-30)
Louvado seja Deus!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Orar no monte?

Prezados leitores,
há pouco tempo me enviaram esta foto, que está localizada em um monte onde vários grupos evangélicos reúnem-se para orar, cantar, realizarem cultos e etc.
Será que realmente o monte é um lugar mais santo e privilegiado? Será que no monte as nossas orações são ouvidas de um modo diferente por Deus? Será que é só subir o monte que o milagre desce, como diz a placa ao lado? Será???
Confira a resposta no excelente texto do Rev. Renato Vargens.





Os evangélicos e a mania de orar no monte

O dicionário Aurélio define superstição como um sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice; apego exagerado e/ou infundado a qualquer coisa".

Pois é, infelizmente alguns dos nossos irmãos em Cristo tem vivenciado uma fé absolutamente sincrética. Ao contrário do que deveria ser, inúmeros cristãos mostram-se extremamente superticiosos. Em nosso meio existem aqueles que deixam a Bíblia aberta no Salmo 91 para afastar desgraças; utilizam a expressão "Tá amarrado" para superar satanás; abrem a Bíblia aleatoriamente para receber uma orientação de Deus; utilizam elementos como galho de arruda, sal grosso e copo d'água ungida dentro de casa, além de subirem a montes acreditando que por orarem lá, Deus se manifestará de forma especial.

Tais pessoas movidas por um misticismo esquizofrênico vêem gravetos brilharem, anjos reluzentes, além  de enxergarem no mato manifestações sobrenaturais de Deus.

Caro leitor, não precisamos subir a montes para falar com Deus nem tampouco para sentir sua santa presença. Em Cristo podemos orar e nos relacionarmos com o Pai no quarto, na rua, na igreja, na praia ou em qualquer outro lugar. O monte não é um lugar santo, nem tampouco um local escolhido por Deus para falar ao coração do povo. Afirmar que o Espírito de Deus age de forma especial em montes e montanhas significa desconhecer as verdades bíblicas.

Isto posto afirmo que cristãos supersticiosos estão fadados a uma vida cheia de neuroses e frustrações. Junta-se a isso o fato de que o cristão ao comportar-se deste forma aponta para uma absurda contradição, até porque as raízes históricas e teológicas do protestantismo sempre foram contra toda e qualquer manifestação supersticiosa.

Caro leitor nossa fé não se fundamenta em superstições ou achismos, mas sim na infalível Palavra de Deus. O evangelho está enraizado em fatos históricos, não em mitos ou impressões estereotipadas do que seja servir a Cristo.

Nesta perspectiva afirmo sem titubeios que não existe lugares especiais onde Deus possa falar com o crente. Do ponto de vista bíblico, em qualquer lugar podemos orar e buscar ao Senhor.

A Ele toda a glória!

Renato Vargens

TEXTO RENATO VARGENS: http://renatovargens.blogspot.com.br/2009/12/os-evangelicos-e-mania-de-orar-no-monte.html