domingo, 22 de julho de 2012

CRENTES-ANTAS: A AMEAÇA

Por André Storck e Leonardo Verona
Crentes-antas de pelúcia

A anta é um animal singular. Pertence a um grupo de mamíferos que habita principalmente a América do Sul e possui parentesco com as éguas e jumentos.

Passa cerca de metade do seu dia procurando alimento, saindo inclusive à noite para pastar. Os machos marcam território urinando e ainda possuem glândulas faciais que deixam rastros.  Quando ameaçados mergulham na água ou se escondem na mata. Emitem muitos sons, assobiam, guincham e bufam.

Por possuir pele muito grossa e ser pesada, ao galopar pela mata a anta não desvia de nada, passa arrebentando com tudo o que tem pela frente, como galhos e pequenas arvores. Se torna agressiva quando se vê acuada.

Há uma aplicação importante das características das antas que podem ser recebidas como advertência para os cristãos.

Devemos fugir dos “crentes-antas”, isto é, aqueles que se esquivam de todos estudos e debates teológicos, se enfornam em seus guetos eclesiásticos e fogem de toda e qualquer crítica.  Os crentes-antas só compartilham e curtem posts que não entram em discussões teológicas e que não contenham críticas e denúncias, porque não querem “queimar o filme” (para eles a reputação vale mais que a Verdade).

Assim como a anta passa metade do dia buscando alimento, o crente-anta passa a sua vida preocupado com o próprio umbigo, ou seja, em ter uma boa imagem pública (ainda que para isso precise abdicar de algumas verdades bíblicas). No caso da liderança, ou lideranta, preocupam-se principalmente com crescimento numérico da igreja (ou será da conta bancária?) ainda que para isso precise subverter o culto público em show gospel. Já ouvi, por exemplo, um crente-anta dizer certa vez que presente pra pastor tem que ser dinheiro, porque plaquinhas de homenagem não valem nada.

Os crentes-antas também marcam seu território, não com urina, mas com algo igualmente fétido: a alienação. Ou seja, castram a capacidade dos cristãos de avaliarem e criticarem o mundo e a igreja à luz da Escritura, mantendo-os em seu curral e sugando-lhes com sua tromba peluda todos os recursos possíveis ($).

Assim como a anta se esconde quando ameaçada, os crentes-antas quando pressionados pelo mundo se fecham em seus círculos sacerdotais para evitarem o confronto e críticas (porque as portas da igreja não prevalecerão contra o inferno né?!).

Todavia, quando seus ensinos heréticos são questionados por crentes de sua própria igreja, se sentem acuados e como não têm mais pra onde correr, fazem novamente como as antas, que quando acuadas se tornam agressivas. Começam a bufar e a guinchar, ou seja, de forma bastante irônica, criticam a atitude de criticar, não aceitando para si nenhuma forma de disciplina ou correção. Perseguem ferrenhamente os raros crentes que têm a disposição para estudar a Bíblia, para ir à Congressos,  para fazerem cursos e frequentar grupos de estudos buscando conhecer o Senhor. Da mesma forma como os fariseus fizeram com Cristo e os Católicos com os reformadores, os crentes-antas acusam tais homens de soberbos e críticos que devem ser evitados.

Outro hábito peculiar às antas e aos crentes-antas é que ao caminhar passam por cima de tudo e de todos, pois têm a pele grossa imune às críticas. Passam arrebentando com tudo o que encontram em seu caminho, sejam verdades bíblicas, sejam os marcos antigos (Pv. 22:28), sejam resoluções do Supremo Concílio (o presbiteriano que lê, entenda), sejam os críticos enviados pelo Espírito Santo e, caso conseguissem, passariam por cima do próprio Deus.

Fujamos disso meus amigos! Vigiemos, oremos e ESTUDEMOS tudo como os crentes de Beréia faziam:

“ora, estes de Beréia, [...]receberam a palavra de Deus  com toda a avidez,  EXAMINANDO AS ESCRITURAS  todos os dias  para ver se as coisas eram de fato assim”.   Atos 17:11

E que Deus nos transforme em gente que ouve, examina o que ouviu,  que estuda e, assim, viva conforme a vontade de Deus, nos tornando pessoas mais parecidas com Jesus Cristo.


“A respeito da relação entre disciplina eclesiástica e disciplina doutrinária diga-se o seguinte: não há disciplina eclesiástica se não houver disciplina doutrinária. Não há, todavia, disciplina doutrinária que não leve à disciplina eclesiástica. Essa separação de doutrina e conduta cristã é impossível.” Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

LEGALISMO IDIOTA

Por Leonardo Verona

A maioria das igrejas evangélicas no Brasil incham os peitos e exclamam a plenos pulmões: “Não somos religiosos! Religião é coisa de legalista! Somos livres!”

Por meio dessa suposta aversão à religião e ao legalismo, e pela luta de alguns “revolucionários” na segunda metade do século passado, destruímos o tradicionalismo. O frio culto das igrejas tradicionais agora transformou-se em um culto livre! Agora podemos bater palmas, pular, gritar e até mesmo urrar na presença do Pai. Agora a adoração pode ser extravagante, pois somos livres. Esse negócio de religião, de seguir regrinhas, está por fora!

Mas, será mesmo que esse tipo de discurso tem libertado os cristãos do cárcere do legalismo?
O legalismo farisaico, tão combatido por Jesus, caracterizava-se pela adição de regras e regulamentos à Lei dada por Deus à Moisés. No intuito de cumprirem à Lei, este partido judaico impunha severos regulamentos ao povo, tão severos que nem eles mesmos cumpriam. Para obedecerem a guarda do sábado, por exemplo, os fariseus determinaram quantos passos uma pessoa deveria dar no dia de sábado, apesar de a Lei não dizer nada a esse respeito. Então, ironicamente, os judeus acabaram perdendo o foco da Lei, transformando os estatutos criados por eles mesmos mais importantes que a finalidade da Lei.

Hoje, percebemos que apesar dessa aversão ao “tradicionalismo” de muitos evangélicos, o legalismo está tão presente em nossas igrejas como na época dos fariseus. E diria mais, que o legalismo contemporâneo é mais idiota que o daquela época, já que pelo menos os fariseus tentavam zelar pela Lei, mas de maneira equivocada.

No evangelicalismo atual, os mesmos que dizem ser a favor de tal liberdade, impõem, de forma subreptícia, várias regras aos irmãos para considerá-lo crente, e regras estas que não estão na Bíblia. Vou dar alguns exemplos. Para ser crente hoje você só pode escutar música gospel, mas umas novelinhas de vez enquanto as irmãs podem assistir né. Não podemos beber bebidas alcóolicas, mas comer até explodir em festas de aniversário dos irmãos, cometendo o pecado da gula, pode! E não se esqueça de nunca tocar nos “ungidos” do Senhor.

Certa vez, um pastor disse que ficou horrorizado, pois num casamento evangélico, estavam tocando músicas seculares e tinham irmãos que estavam dançando na festa. E eu me pergunto, que tipo de liberdade é essa, que nos obriga a escutar música gospel, que proíbe danças em festas, mas que colocam as coisas mais estapafúrdias dentro do culto? Até mesmo essa dita liberdade dentro do culto pode ser questionada. Já escutei um líder de louvor repreender um irmão que fazia o back vocal, pois ele não estava fazendo expressões de emoção enquanto cantava. Fora as famosas chamadas técnicas dos ministros de louvor, que arrancam o couro dos irmãos pois eles não estão na “unção”.

Para mim, este tipo de liberdade nada mais é do que um legalismo idiota, não idiota no sentido pejorativo, mas no sentido gramatical da palavra, ou seja, um legalismo idiota é aquele sem discernimento, que carece de inteligência e que contradiz a si mesmo. Portanto, aqueles que o seguem estão acometidos pelo que eu chamo de transtorno bipolar gospel, uma anomalia psíquica que só é revertida com altas doses de estudo da Palavra de Deus.