quarta-feira, 18 de julho de 2012

LEGALISMO IDIOTA

Por Leonardo Verona

A maioria das igrejas evangélicas no Brasil incham os peitos e exclamam a plenos pulmões: “Não somos religiosos! Religião é coisa de legalista! Somos livres!”

Por meio dessa suposta aversão à religião e ao legalismo, e pela luta de alguns “revolucionários” na segunda metade do século passado, destruímos o tradicionalismo. O frio culto das igrejas tradicionais agora transformou-se em um culto livre! Agora podemos bater palmas, pular, gritar e até mesmo urrar na presença do Pai. Agora a adoração pode ser extravagante, pois somos livres. Esse negócio de religião, de seguir regrinhas, está por fora!

Mas, será mesmo que esse tipo de discurso tem libertado os cristãos do cárcere do legalismo?
O legalismo farisaico, tão combatido por Jesus, caracterizava-se pela adição de regras e regulamentos à Lei dada por Deus à Moisés. No intuito de cumprirem à Lei, este partido judaico impunha severos regulamentos ao povo, tão severos que nem eles mesmos cumpriam. Para obedecerem a guarda do sábado, por exemplo, os fariseus determinaram quantos passos uma pessoa deveria dar no dia de sábado, apesar de a Lei não dizer nada a esse respeito. Então, ironicamente, os judeus acabaram perdendo o foco da Lei, transformando os estatutos criados por eles mesmos mais importantes que a finalidade da Lei.

Hoje, percebemos que apesar dessa aversão ao “tradicionalismo” de muitos evangélicos, o legalismo está tão presente em nossas igrejas como na época dos fariseus. E diria mais, que o legalismo contemporâneo é mais idiota que o daquela época, já que pelo menos os fariseus tentavam zelar pela Lei, mas de maneira equivocada.

No evangelicalismo atual, os mesmos que dizem ser a favor de tal liberdade, impõem, de forma subreptícia, várias regras aos irmãos para considerá-lo crente, e regras estas que não estão na Bíblia. Vou dar alguns exemplos. Para ser crente hoje você só pode escutar música gospel, mas umas novelinhas de vez enquanto as irmãs podem assistir né. Não podemos beber bebidas alcóolicas, mas comer até explodir em festas de aniversário dos irmãos, cometendo o pecado da gula, pode! E não se esqueça de nunca tocar nos “ungidos” do Senhor.

Certa vez, um pastor disse que ficou horrorizado, pois num casamento evangélico, estavam tocando músicas seculares e tinham irmãos que estavam dançando na festa. E eu me pergunto, que tipo de liberdade é essa, que nos obriga a escutar música gospel, que proíbe danças em festas, mas que colocam as coisas mais estapafúrdias dentro do culto? Até mesmo essa dita liberdade dentro do culto pode ser questionada. Já escutei um líder de louvor repreender um irmão que fazia o back vocal, pois ele não estava fazendo expressões de emoção enquanto cantava. Fora as famosas chamadas técnicas dos ministros de louvor, que arrancam o couro dos irmãos pois eles não estão na “unção”.

Para mim, este tipo de liberdade nada mais é do que um legalismo idiota, não idiota no sentido pejorativo, mas no sentido gramatical da palavra, ou seja, um legalismo idiota é aquele sem discernimento, que carece de inteligência e que contradiz a si mesmo. Portanto, aqueles que o seguem estão acometidos pelo que eu chamo de transtorno bipolar gospel, uma anomalia psíquica que só é revertida com altas doses de estudo da Palavra de Deus.

10 comentários:

  1. "Para mim, este tipo de liberdade nada mais é do que um legalismo idiota, que contradiz a si mesmo. Portanto, aqueles que o seguem estão acometidos pelo que eu chamo de transtorno bipolar gospel, uma anomalia psíquica que só é revertida com altas doses de estudo da Palavra de Deus"

    Está chegando o fim meu irmão!

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  2. Alguns acham que a negação de uma coisa é pressuposto de uma santidade. Paulo deixa isso claro em Cl 2 quanto ao não toque, não uses, não manuseies. Mas estes se alto afirmam aquilo que negam, o religar. Mas eles são tão infames que o religar no caso desses é sempre um dilema. Religar ao que? Talvez por esta pergunta estar suspensa e quase que coberta a negação da religião seja o melhor meio de mascarem o que são, a falsa religião que são.

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  3. Muito obrigado Gleicinha Costa =) S.D.G.
    José Eduardo, perfeito seu comentário! Essa citação de Cl 2 expressa bem como Paulo lidava com atitudes legalistas como estas (não toque, não uses, não manuseies).

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  4. Muito bom seu texto!! Bipolares ou esquizofrênicos, todos carecem de se aprofundar no conhecimento DEle e das Santas Escrituras!Elas garantem a sanidade necessária aos nossos dias!

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  5. É lamentável que o lugar onde nossas máscaras deveriam cair.
    Ao contrário elas nos são,sutil e ao mesmo tempo violentamente
    colocadas.

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  6. Muito bom o texto, precisamos de fato ter a tradição Bíblica nos cultos e na vida dos cristãos. Mas não entendi o que você quis dizer com "O frio culto das igrejas tradicionais..."? Deu a entender que nossos cultos tradicionais são frios (sem vida, sem graça, mortos...)Penso que mesmo sendo tradicionais nosso culto a Deus pode ser alegre, entusiasmante e vivo, pois estamos cultuando ao Deus vivo; e podemos fazer isso sem as praticas das igrejas renovadas. E quanto ao termo "idiota" para intitular tais pessoas, penso (minha opinião), não ser muito próprio, parece ser até condenável por Jesus em Mt. 5.22 "...e qualquer que disser a seu irmão:Raca (imbecil, idiota, cabeça ôca, será réu do sinédrio." E quanto a ouvir músicas seculares ou dançar, não vejo nenhum problema, desde que não sejam músicas espúrias ou danças depravantes e sensuais, mas ouvir Chico Buarque, Roupa Nova, algumas do Roberto Carlo não há proibição Bíblica; ou dançar valsa ou uma música romântica com minha esposa não é nada demais, o povo de Israel por exemplo eram de muita dança e músicas, agora, o cristão fazer isso dentro do culto é outra coisa.
    Sem mais, louvo a Deus por sua vida e continue defendendo a fé que foi dada aos santos. Abraço.
    Pb. Marivaldo Silva.

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  7. Caro Marivaldo,
    agradeço o seu comentário. Com relação ao "frio culto", perceba que o segundo parágrafo do texto, aonde se encontra esta expressão, é uma ironia. É como se fosse a fala de um desses "revolucionários". Concordo inteiramente contigo, creio eu que os cultos tradicionais são mais calorosos a Deus do que estes cultos fabricados para parecerem mais alegres. No que tange ao termo "idiota", perceba que esta designação não se refere as pessoas, mas sim ao legalismo contemporâneo, como o próprio título sugere.
    Mais uma vez agradeço a sua participação, que sem dúvida alguma é muito importante para nós do blog Cosmovisão Calvinista.
    Um abraço,
    Leonardo Verona

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  8. Nem um nem outro. Nem liberdade extravagante nem legalismo frio tradicional. As pessoas tendem a ir a um extremo para evitar outro, mas extremos são extremos, independente do lado.

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