terça-feira, 28 de agosto de 2012

Engajamento Político



por Leonardo Verona



Ao analisarmos a liderança política no Brasil nas últimas décadas, o cenário não é nada animador. Dia após dia surgem diversos escândalos políticos. A credibilidade dos nossos representantes está a cada dia mais manchada. Para piorar, muitos políticos que se denominam evangélicos, ao chegarem no poder, praticam os mesmos atos corruptos dos demais. Esta situação nos leva, muitas vezes, a nos tornarmos céticos ou até mesmo termos uma certa repulsa a tudo que envolva política.
Mas, o que nós cristãos podemos fazer para mudar este quadro? Será que existe alguma solução? Antes de responder estas questões, precisamos primeiro analisar como o evangelicalismo brasileiro tem lidado com o engajamento político.
Os evangélicos, de maneira geral, encaram a atuação política como algo inferior, isto quando não é considerada uma atividade “mundana”. Esta maneira de pensar está intimamente relacionada a uma cosmovisão medieval, onde apenas atividades ditas “espirituais” são importantes. Logo, nesta visão de mundo, atividades relacionadas à igreja, como cultos, jejuns, oração, evangelização; são elevadas a um patamar superior às atividades consideradas deste mundo, como as questões sociais e políticas.
É importante quebrarmos aqui com esta noção equivocada. Já que, se nós cristãos, que dizemos ter a Verdade, nos afastarmos de toda atividade política, que esperança restará a nossa nação? Se assim agirmos, estaremos entregando de bandeja o controle político do país ao “mundo”.
Ao analisarmos a Carta de Paulo aos Colossenses, nos deparamos com a verdade de que Cristo reconciliou consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus (Cl 1.20). Logo, o escopo redentivo envolve nada mais, nada menos do que todas as coisas. Então, a missão da fé cristã não se restringe ao evangelismo, nem tão pouco a atividades eclesiásticas. A igreja recebeu de Cristo a autoridade para atuar em todas as esferas da vida humana, inclusive na política, restaurando aquilo que foi distorcido pelo pecado, para a glória de Deus.
Então, para começar a mudar este quadro desesperador da liderança política nacional, devemos entender que os princípios das Escrituras podem e devem ser aplicados em todas as áreas da vida. Devemos nos engajar politicamente, não necessariamente concorrendo a um cargo público ou filiando-se a um partido, mas pressionando nossos governantes a seguirem os princípios da Palavra.
Vivemos num país democrático, onde existem diversos mecanismos de controle, como as eleições, onde podemos escolher nossos representantes, e as instâncias de participação social, onde podemos expressar as nossas demandas. Nós cristãos, não devemos negligenciá-los, mas utilizarmos estes mecanismos para transformarmos a realidade política da nossa nação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário