quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O Homem Entre Ídolos

Por Yuri Fernandes

       Certa vez, o apóstolo Paulo, ia andando em Atenas, quando chegou ao areópago, E havia se impressionado com a quantidade de ídolos no local. Eram deuses de todos os tipos e para todas as ocasiões, incluindo ainda um altar ao Deus desconhecido. Ao ver aquilo tudo, Paulo disse: “Pude ver que em tudo vocês são demasiadamente religiosos”. Julgo eu que esta é uma mensagem profundamente contemporânea, e que diz respeito ao âmago dos problemas da nossa sociedade.
         A nossa Atenas ocidental e secular, que age como se religião fosse um mero divertimento pessoal é uma das mais religiosas sociedades que existem. Ela não crê no Deus verdadeiro, mas nos ídolos criados por sua mente! Como já dizia Calvino, “O coração humano é uma fábrica de ídolos, cada um de nós, é desde o ventre materno, experto em criar ídolos”. Podemos definir um ídolo, como algo que criamos a fim de substituir Deus, que passamos a servir e que nós permitimos que nos controle. Enfim, a idolatria nada mais é do que o filho primogênito do pecado humano: após a rejeição do Deus verdadeiro, nós depositamos os anseios que deveríamos colocar n’Ele, em outra coisa, e transformamos isto em um ídolo. Porém, estes ídolos fajutos nos quais depositamos nossa confiança não conseguem satisfazer os nossos desejos mais profundos. 
            Quais são ídolos que nossa sociedade têm criado para colocar no vazio gerado pela rejeição ao Deus Verdadeiro? Em primeiro lugar, passamos a nos colocar no lugar de Deus. É o mito da autonomia. É a crença de que por nós mesmos, somos capazes de guiar a nossa história e de dotá-la de sentido! Então o fim do homem passa a ser a liberdade pela liberdade. Abortemos! Matemos! Adulteremos! Pois Deus está morto e tudo é permitido. Esquecemos no final das contas que ainda somos escravos do pecado e que nossas vontades e o nosso eu, se encontram manchados pelo pecado. Por outro lado, há o ídolo matéria. Deus não existe, só o que existe é o que é material. Tudo o que nos resta é no final das contas o desespero, pois nenhuma realidade tem sentido. Nem a liberdade tem sentido. Tudo o que nos resta é encontrar uma forma de transcender esta realidade, que no fim será sempre uma ilusão! Há ainda os ídolos do dinheiro, da beleza e do poder. Coisas que foram criadas por Deus, para complementar a vida, e que se tornam objetos de culto e adoração. Tudo se faz para ganhar dinheiro, e hoje em dia, é uma das maiores fontes de “felicidade” moderna, ou pelo menos é até o momento em que se descobre que não se pode ser feliz apenas com dinheiro. A ditadura da beleza faz com que muitos jovens passem mais tempo diante do espelho do que com outras pessoas. Eles vivem num desespero humano, de tentar ser algo que não se é, um mero padrão fútil da mídia suja e corrupta de nossos dias. E no fim, são produzidos seres que não se amam, e que diariamente estragam o seu próprio corpo em busca da concretização de seu ídolo em suas vidas. E por fim ainda há o ídolo do poder, que corrompe o homem, e o torna escravo da ilusão de autonomia! A estes está reservada a tristeza de que eles não possuem poder algum que não venham da fonte que rejeitam! 
            Qual é a solução para este problema? A solução está em olhar para si mesmo, e ver um buraco. E neste buraco vazio ver um altar. O Altar ao Deus Desconhecido. Passemos então a conhecer esse Deus que nossa alma tanto anseia, e que insistimos tanto em rejeitar! Conheçamos aquele pelo qual nós existimos, respiramos e nos movemos! Olhemos para a cruz de Cristo e rejeitemos aos ídolos da autonomia, da matéria, do dinheiro, da beleza e do poder! Aceitemos a Cristo, e passemos a deixar que ele reconcilie consigo mesmo a nossa vida, a nossa cultura e a nossa sociedade!

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