terça-feira, 23 de outubro de 2012

Música que não louva Deus é do diabo?

Excelente contribuição do blog de nosso irmão, o pastor Renato Vargens:

Música que não louva Deus é do diabo?

Como já escrevi anteriormente no artigo “Eu ouço música do mundo” a doutrina da graça comum aponta para um Deus que é a fonte de toda cultura e virtude comum que encontramos entre os homens. Em outras palavras isso significa dizer que tanto a poesia como as formas variadas da arte, são expressões vivas da multiforme sabedoria de Deus.
Pois é, volta e meia ouço alguns evangélicos me questionando a respeito disso. Sinceramente fico a pensar com meus botões de onde foi que tiraram essa doutrina de que a música que não exalta a Deus é do diabo.
Desde que me converti tenho ouvido a doutrina que afirma que antes da queda, Lúcifer era responsável pelo louvor no céu. E que o fato de ter caído, o levou a usar desta arte para profanar o nome de Deus. Fundamentados nisso, alguns evangélicos afirmam que toda música que não louva a Deus tem por fonte o capeta. Aliais, desde que Raul Seixas afirmou que o “Rock é do Diabo” parte da igreja de Cristo vestiu a carapuça da credulidade dando todos os créditos ao pai da mentira. Ora, não há beleza que não venha de Deus. Foi Ele quem idealizou a música, a arte, a poesia, a festa e a cultura.

Caro leitor, lamento desapontá-lo em afirmar que o cramulhão nunca foi ministro de louvor no céu. Desculpe, aborrecê-lo mais não foi o diabo quem criou o samba, o rock, o choro ou qualquer outro tipo de ritmo musical. Deus é o autor da arte, da música e da poesia. Louvado seja o seu nome por isso!

Como escrevi anteriormente não nos é possível “satanizarmos” o “insatanizável”, até porque é impossível negar a ação de Deus entre os homens ao ouvir clássicos da música como “One” do U2, ou "Miss Sarajevo" onde Luciano Pavarotti leva qualquer um às lágrimas com sua participação especial, ou ainda ouvir Perpetuum Jazzile & BR6, cantando "Aquarela do Brasil"

Isto posto afirmo sem titubeios de que a música, arte e a poesia são presentes de Deus à humanidade.

Pense nisso!
Renato Vargens

FONTE: http://renatovargens.blogspot.com.br/2009/08/musica-que-nao-louva-deus-e-do-diabo.html

sábado, 6 de outubro de 2012

Será que estou escandalizando?


"Você não deve falar de certas coisas neste lugar, vai causar escândalo!"
"Temos que deixar de fazer tudo que escandaliza os irmãos!"

Há tempos tenho ouvido frases como essas. A última me foi dita quase com furor há algumas semanas. É escândalo disto, escândalo daquilo. Parece que o vocabulário de algumas pessoas é resumido nessa palavra. Entretanto, muitos cristãos não tem conhecimento verdadeiro acerca do conceito de escândalo. Preocupa-me quando usam-no para descrever qualquer comportamento ou atitude que desagrade suas preferências pessoais ou em prol de um "bem estar social". Para entender melhor, é necessário estabelecer o que de fato é escândalo. E já cito de antemão duas postagens muito boas que auxiliaram  a construção deste texto: Escandalizar ou não escandalizar? Eis a questão! e Escândalo - pedra de tropeço no caminho.

Conceito
A palavra escândalo vem do grego skandalon, que é usada para traduzir duas palavras do hebraico: 
a)  michsol,  significa uma pedra de tropeço. Assim está em Levítico 19:14: “Não porás tropeço diante do cego.” 
b) mokesh, que  significa um laço ou armadilha. Declara-se em Josué 23:13 que as alianças com as nações estrangeiras são laços e redes.
A palavra escândalo, genericamente, é usada para substituir os termos "tropeço" e "cilada", embora ambas tenham um mesmo significado prático: uma ação deliberada para fazer com que alguém erre ou vacile.

Outros skandalon na Bíblia
Na explicação da parábola do joio em Mateus 13, nos versos 41 e 42 é dito: "Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha acesa". Em Lucas 17:1-2 "Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vem! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos". Jesus deixa clara sua abominação pelo escândalo. Melhor é a morte que fazer com que outro tropece. No entanto, o próprio Cristo foi causador de escândalos. Novamente no evangelho de Mateus, no capítulo 15 lemos: "Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos.".

skandalon em I Coríntios 8
"No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos. E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais." (I Coríntios 4;8;11-12)

Há uma questão a ser tratada aqui antes de prosseguirmos. Em primeiro lugar, esse texto fala exclusivamente  acerca de alimentos sacrificados a ídolos. Comer carne num templo pagão era algo que hoje equivaleria a comer num restaurante, mas com o agravante de que muitos consideravam tais refeições como ato de idolatria. Embora não houvesse pecado em comer num templo pagão, o pecado surgia se o ato fosse feito deliberadamente como adoração pagã [1]. O cuidado aqui é com o cristão fraco, pelo qual Cristo morreu. Esse cristão deveria ser instruído sobre essas práticas e onde está a origem desse pecado. Não há no texto nenhuma orientação quanto aos ímpios. O problema começa quando os cristãos atuais pregam a abstenção total de práticas "erradas" de acordo com usos, costumes e tradições, para que não exista a possibilidade de sermos confundidos com não-crentes.
Um exemplo para chegamos ao ponto de tensão: para a maioria dos crentes, não é possível beber uma cerveja com os amigos e amar a Deus verdadeiramente. A pior parte é que ao invés de tentarmos corrigir essa cultura errada, preferimos nos calar e simplesmente abrir mão de tudo que não agrada aos crentes para não escandalizar. Lastimável!

Concluímos dessa forma que há duas formas de escândalo. A primeira é o skandalon propriamente dito, quando temos a intenção de fazer com que alguém tropece com alguma atitude nossa. Esse acontece quando pessoas que já conhecem Cristo continuam com suas vidas vazias, sem nenhuma ética e seus valores totalmente corrompidos. Essas atitudes afetam diretamente aqueles que são novos na fé, que vacilam por imitar tais práticas pecaminosas.
A segunda forma é o oposto, o skandalon provocado pela ação transformadora de Deus em nossas vidas, que nos faz viver de acordo com bases éticas e morais totalmente contrárias às do mundo. Esse é o escândalo que Cristo causou: uma quebra de falsos paradigmas. A palavra da cruz é loucura para os que perecem (I Coríntios 1:18) e Cristo é escândalo para os judeus e loucura para os gentios (I Coríntios 1:23).
Devemos viver uma vida de santidade de acordo com os princípios de Deus, para que não escandalizemos os novos convertidos. Qual o verdadeiro e necessário compromisso com os neófitos? Instrução! Caminhemos juntos, estudemos e aprendamos juntos, para esses não cairem em pecado por nossa causa.
Quanto aos ímpios, temos que escandalizá-los como Cristo o fez, com nossa moral e ética pautadas nas Santas Escrituras. Escandalizar também os novos fariseus combatendo o seu legalismo. Devemos nos preocupar é com os escândalos dos falsos pastores com suas teologias satânicas, os crentes na política que só envergonham o evangelho, e não com quem usa bermuda na igreja, pastor que prega sem usar terno, pessoas que usam piercings e tem tatuagens. Fazer isso não é nenhum ato de amor ou preocupação, mas um falso exercício de piedade contrário às Escrituras.

"Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo." Colossenses 3:15.

Referências:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra