terça-feira, 24 de dezembro de 2013

SOBRE O DIA CHAMADO NATAL, por João Calvino

Por João Calvino

“…Vejo que há mais pessoas, aqui, hoje, do que costuma haver nos outros sermões. Por que isso? Porque é dia de Natal. E quem disse-lhes tal coisa? Pobres bestas. Isso é um eufemismo adequado para todos que vieram, aqui, hoje, honrar o natal. Pensam que honram a Deus? Considerem que tipo de obediência a Deus tens demonstrado? Em suas mentes, estão celebrando um dia santo para Deus, ou transformando-o em um. Na verdade, vocês têm sido, frequentemente, admoestados que, é bom separar um dia do ano, no qual, lembramos de todo o bem ocorrido por causa no nascimento de Cristo no mundo, ouvimos a história de seu nascimento sendo recontada, o que acontecerá no domingo. Porém, se vocês acham que Jesus Cristo nasceu hoje, são tão loucos, quanto bestas selvagens. Quando, você engrandece somente um dia com o propósito de adorar a Deus, você, simplesmente, transforma-o em um ídolo. Na verdade, vocês insistem que têm feito assim para a honra de Deus, contudo, honram mais ao diabo.


Nenhum dia é superior a outro. Não importa se lembrarmos do nascimento do Senhor em uma quarta-feira, quinta-feira, ou algum outro dia. Porém, quando, insistimos em criar uma prática baseada em nossos caprichos, blasfemamos contra Deus, e criamos um ídolo, apesar de, termos feito isso tudo, em nome de Deus. Quando, você adora a Deus com ociosidade espiritual num dia santo, é um grave pecado para suportar, pois, isto atrai outros pecados,até, atingirmos a medida da iniquidade. Portanto, vamos prestar atenção ao que Miquéias (5:7-14) está dizendo aqui, que Deus, não apenas despojará coisas que são más em si mesmas, como também, eliminará qualquer coisa que promova superstição. Entendendo isso, não acharemos estranho, o natal não ser celebrado, hoje, todavia, no domingo, celebraremos a Ceia do Senhor e recitaremos a história do nascimento do nosso Senhor Jesus Cristo.”… João Calvino - Excerto do sermão em Miquéias 5:7-14 - (22/12/1551) Sermons on the Book of Micah, p. 302-303.

É querido leitor, achou que passaria o Natal sem uma saculejada? Que nada.... que esta mensagem nos faça ter um Natal mais consciente.


"Esta é a permuta que, em sua bondade infinita, ele quis fazer conosco: recebeu nossa pobreza, e nos transferiu suas riquezas; levou sobre si a nossa fraqueza, e nos fortaleceu com o seu poder; assumiu a nossa mortalidade, e fez nossa a sua imortalidade; desceu à terra, e abriu o caminho para o céu; fez-se Filho do homem, e nos fez filhos de Deus." João Calvino


Que neste novo ano possamos lembrar todos os dias o exemplo de Cristo e honrá-lo em todas os nossos pensamentos, palavras e atitudes. FELIZ NATAL A TODOS OS LEITORES!


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

BLOG NOVO: Até as pedras clamarão


Caríssimos Leitores,
Hoje fizemos a nossa primeira postagem no blog Até as pedras clamarão. Esse novo blog está ligado ao Grupo de Estudos de Cosmovisão Calvinista, porém com um foco bem específico: postar e discutir sobre as manifestações da Graça Comum de Deus na música e em outras expressões artísticas.
Nosso objetivo é apreciar a boa dádiva de Cristo em nosso mundo através de sua providência com os talentos humanos e como os princípios cristãos são expressos nessa estética.
Convidamos todos a conferir esse novo trabalho.
Que Deus nos abençoe.

Igor Campos.
Membro do GECC e autor do blog Até as pedras clamarão

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ENGANO COM RELAÇÃO À LEI

Por Renata Xavier
Texto baseado em estudos sobre a carta de Paulo aos Gálatas.

"Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado." – Gálatas 2:16

Há muita gente enganada seguindo apenas a lei, e pior, criando mais leis sobre si, esquecendo que ao fazerem isso estão anulando o sacrifício de Jesus na cruz, quando “riscou a cédula que era contra nós” fazendo assim uma nova aliança. 

Não quero dizer que a lei não tenha valor, pelo contrário, ela orienta a vida cristã diária, pois a obediência à lei é o fruto da salvação e não um pré-requisito para ela. Paulo nos mostra que a salvação é uma proposição mística em que o Espírito Santo se torna nosso guia na vida. Neste ofício Ele se atarefa de formar a imagem de Cristo no íntimo dos remidos, portanto, temos de ter a consciência de que o caráter de Cristo está sendo diariamente construído em nós por obra do Espírito Santo e estamos destinados, ao final, a compartilharmos enfim de todas as suas perfeições morais. 

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição para que recebêssemos a herança da benção de Abraão. A maldição decorrente da desobediência à lei tinha um prazo de validade para os eleitos, ela termina na vinda de Jesus que a cumpre de forma plena e completa. É pela fé que somos salvos e, assim, temos um relacionamento de pai e filho com Deus através da morte e ressurreição de Cristo, reconciliando-nos com Deus como era no princípio. 


"Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação."   II Coríntios 5: 18 e 19  

terça-feira, 12 de novembro de 2013

VÍDEO - O "salto" na cultura contemporânea

Excelente palestra do teólogo Guilherme de Carvalho, pastor da Igreja Esperança em Belo Horizonte e diretor do L’Abri Fellowship Brasil, sobre o salto irracional de fé em nossa cultura pós-estruturalista e como esse conceito constrói a identidade do homem contemporâneo.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AMAI UNS AOS OUTROS, EXCETO ....

Por André Storck

A igreja evangélica brasileira vivencia um fenômeno no mínimo interessante: a criação de exceções não bíblicas para os mandamentos bíblicos.

Explico-me. Como sabemos nunca houve tanto crente no Brasil! Todavia, a grande maioria das pessoas está na igreja por um desses motivos: amizades, entretenimento ou medo do devorador e do inferno. A igreja virou um clube social e este é o primeiro fator para o surgimento das exceções: crentes de brincadeirinha. Na primeira dificuldade, desentendimento ou desapontamento esta espécie de "crente" está pronta para sair para outra igreja ou mesmo voltar ao mundão. Não são crentes de verdade, remidos no sangue, que reconhecem seus pecados e que buscam perdão e santificação, desse jeito, facilmente abrem exceções ao cumprimento dos mandamentos, pois não têm de fato compromisso com a obediência, mas apenas consigo mesmo.

O segundo fator é de certa forma conseqüência do primeiro: o distanciamento do estudo sério da Bíblia e das doutrinas reformadas. Os crentes em sua maioria não sabem mais conversar, dialogar e argumentar seriamente com ateus, agnósticos e com outras religiões. Não sabem responder as perguntas sinceras que são feitas por não-cristãos.  A ordem de 1Pe 3:15 é solenemente ignorada: "Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês".
Um exemplo disso, é que o Breve Catecismo de Westminster originalmente criado para crianças, para os filhos dos crentes, é hoje material de alta complexidade e objeto de desconhecimento da maioria dos crentes com mais de 30 anos de igreja.

Chegamos ao cúmulo de grande parte dos próprios pastores não conseguirem dialogar sequer com uma parcela das suas próprias ovelhas que buscam estudar um pouco mais. Estes líderes acabam preferindo isolar os que buscam se aprofundar no conhecimento da Palavra para evitar uma auto-exposição ao ridículo diante de uma conversa em público sobre algum tema bíblico. O único lugar que resta para esses pastores poderem falar é o púlpito onde podem dizer o que quiser sem serem incomodados.  Espero que na atual onda de imitação da igreja primitiva, a igreja copie também a moda primitiva de interrupção das exposições pelos membros com perguntas e solicitando bases bíblicas, isso inibiria o uso do púlpito como o famoso “castelo dos covardes”.

As falas dos crentes de hoje se limitam a certas frases clichês, que são repetidas como mantras e muitas vezes sequer tem base bíblica, por exemplo:
“Temos que amar uns aos outros”
“Não podemos julgar”
“Tudo me é lícito, mas nem tudo convém”
“Tudo posso naquele que me fortalece”
Geralmente essas frases são ditas com vozes mansinhas, acompanhadas de um fundo musical e com um olhar de amor e piedade para tentar com a emoção convencer os incautos e dar um sentido que a razão e a Bíblia não dão.

Mas há esperança. Como nunca antes, tem ocorrido uma expansão da literatura, dos autores e pastores reformados no Brasil, entretanto - como a toda ação corresponde uma reação - temos observado o interessante fenômeno da criação de exceções para os mandamentos bíblicos, exatamente com objetivo de com elas tratar de forma diferente essa nova geração que busca ao Deus das Escrituras.

Estes homens e mulheres de Deus que se levantam para falar com amor, mas também com firmeza as verdades do Evangelho são tratados conforme essas exceções e isso ocorre porque eles pregam com convicção e intrepidez o Verdadeiro Evangelho. E este Verdadeiro Evangelho incomoda muito, cutuca o “eu”, corrói vaidades, quer derrubar o conforto do erro e do pecado, inclusive dentro da igreja.

O primeiro exemplo de exceção criada pelos "crentes de brincadeirinha" é o mandamento de amar uns aos outros, o qual agora só vale para os uns, não para os outros. Esses outros que falam mais firmemente ao expor a Bíblia são considerados radicais e presunçosos. Esses que dizem que a verdade é uma só precisam ser rechaçadas. Afinal, dizem os crentes de brincadeirinha: "Cada um tem a sua verdade, e quem ama não tenta impor uma verdade. Se fosse possível seriam fisicamente eliminados, mas como não dá, elimino-os do meu Facebook, elimino-os das minhas orações, elimino-os do meu convívio e os privo do meu sorriso."

Aposto que muitos de vocês leitores já observaram o cômico boicote no Facebook que muitos “super santos”, defensores da união acima da verdade fazem contra as postagens de pensadores e pessoas reformadas/calvinistas.  Conheço crentes que curtem, participam e comentam todo tipo de postagem: moda, culinária, futebol, carros, política, música, comida, sexo, namoro, mas as postagens cristãs alertando sobre alguma necessidade da Igreja são solenemente ignoradas para evitar incomodar sabe-se lá quem, ou o quê e talvez criar alguma divisão.

Na minha própria experiência, já vi muitas pessoas simpaticíssimas que quando foram chocadas por algumas duras verdades bíblicas passaram a me olhar com cara feia e automaticamente perderam aquele “amor” que tinham por minha pessoa. É uma pena, mas isso não pode impedir que continuemos a falar, por amor, o que é certo aos olhos de Deus. Pois ao mesmo tempo em que alguns mais orgulhosos ficam irados, outras pessoas mais simples e humildes têm as mentes abertas e os corações transformados pela Palavra e vêm em segredo nos agradecer por falarmos de acordo com a Bíblia.

Outro exemplo de exceção criada: há um mantra de que os crentes não podem julgar (é por isso que muitos vão ser facilmente enganados pelo anti-cristo, pois terão que acreditar nele, já que não podem julgar). Assim, a grande massa da igreja acredita piamente que Jesus disse para não julgarmos nada. Mas neste ponto abrem mais uma exceção: julgam os que julgam e os condenam a não poder julgar mais. Chega a ser cômico, se não fosse trágico.

Alguns crentes impregnados pela idéia pós-moderna da “união acima de tudo” não toleram sequer ouvir, postar, curtir ou compartilhar versículos bíblicos com medo de ferir alguém que se encaixe no vício apontado pelo versículo. Se dependesse desse tipo de crente estou certo de que até hoje só haveria no mundo uma única igreja: a Católica Apostólica Romana, pois a divisão que Lutero fez pra se separar dos erros seria considerada nefasta e rebelde. São crentes que querem levar o joio junto com o trigo para o céu, tudo para evitar a divisão e o exercício do dever de corrigir e disciplinar.

Que Deus dê força, ânimo, humildade e perseverança a essa nova geração que se levanta em todo Brasil para que permaneçam firme diante do mundo e diante da igreja. Fiquemos atentos para não cairmos nesses vícios e vigilantes para não cedermos diante da perda de "popularidade" que o viver do verdadeiro Evangelho traz.



Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.

Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Calvinismo da Cozinha

por Jonh Piper

Charles Spurgeon nunca cursou faculdade, muito menos seminário. Mas aos vinte anos ele sabia mais de teologia bíblica do que muitos pastores de hoje. De onde ele tirou tanta sede pelo estudo independente? E como ele veio a estimar as doutrinas da graça soberana que nós temos considerado nas últimas três semanas? Aqui está uma lição surpreendente de sua Autobiografia (ainda sem tradução em português).

As primeiras lições que eu tive sobre teologia vieram de uma velha cozinheira na escola em Newmarket, onde eu era professor-assistente. Ela era uma boa alma, e costumava ler The Gospel Standard (O Padrão do Evangelho - livre tradução; antigo periódico cristão). Ela realmente gostava de algo muito doce, a doutrina Calvinista boa e forte, mas ela viveu de maneira forte, assim como se alimentou de maneira forte. Muitas vezes conversamos sobre o pacto da graça, e falamos da eleição pessoal dos santos, de sua união com Cristo, de sua perseverança final, e do que a piedade vital significava; e eu acredito que aprendi mais com ela do que teria aprendido com quaisquer seis doutores em divindade, desses tipos que temos nos dias de hoje.
Existem alguns cristãos que provam, e vêem, e apreciam a religião em suas próprias almas, e que alcançam um conhecimento muito mais profundo dela, mais do que os livros jamais poderiam lhes proporcionar, embora eles busquem todos os seus dias. A cozinheira de Newmarket era uma experiente e piedosa mulher, de quem eu aprendi muito mais do que do ministro da capela que nós frequentávamos. Eu uma vez perguntei a ela: "Por que você vai a esse tipo de lugar?" Ela respondeu: "Bem, não existe outro lugar de adoração ao qual eu possa ir." Eu disse: "Mas deve ser melhor ficar em casa do que ouvir certas coisas." "Talvez sim," ela respondeu; "Mas eu gosto de ir adorar mesmo que eu não receba nada por isso. Você vê uma galinha às vezes ciscando por todo um monte de entulho para tentar encontrar algum milho; ela não encontra nenhum, mas isso mostra que ela está procurando por ele, e usando de meios para consegui-lo, e assim, também, este exercício a está aquecendo."
Então, a velha senhora disse que aquele ato de ciscar exercitava suas faculdades espirituais e aquecia seu espírito. Em outra ocasião, eu disse a ela que eu não havia encontrado uma só migalha em um sermão todo, e perguntei como ela tinha se saído. "Oh!" ela respondeu, "eu me saí melhor esta noite, pois para tudo o que o pregador disse, eu simplesmente adicionei um não, e isso transformou suas palavras no verdadeiro evangelho."
Grato pelas cozinheiras em minha própria vida, Pastor John.

FONTE: Desiring God

domingo, 29 de setembro de 2013

Um vídeo para refletir sobre a Grande Comissão

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo:
É-me dado todo o poder no céu e na terra" 
Mateus 28:18
Um belo vídeo sobre o trabalho de evangelização dos missionários na Suazilândia e a abordagem missiológica com os alunos do Seminário Presbiteriano Denoel Nicodemos Eller, em Belo Horizonte.

Como é dito no vídeo pelo teólogo e pedagogo Igor Miguel, "se você não compreender que esse é o fundamento da grande comissão, pode ser que sua tarefa e sua vocação missionária estejam ainda um pouco comprometida".

Que Deus continue abençoando esses trabalhos e nos capacitando para o entendimento correto de nossa missão!

SOLI DEO GLORIA!

sábado, 7 de setembro de 2013

UM NOVO GRITO DE INDEPENDÊNCIA

por Leonardo M. Verona

Comemoramos hoje o dia da Independência do Brasil, quando em 7 de setembro de 1822, D. Pedro de Alcântara de Bragança, teria bradado as margens do rio Ipiranga a celebre frase que simbolicamente significou a emancipação política do Brasil de Portugal: "Independência ou morte!"
Certo é que o tempo passou, e apesar de não sermos mais colônia, ainda somos escravos e dependentes de muitas mazelas sociais. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, existe um abismo entre uma pequena parcela rica e uma maioria pobre. O sistema tributário brasileiro, composto principalmente por impostos indiretos, onera muito mais os pobres do que os ricos. Na época de Tiradentes, Portugal cobrava do Brasil o "quinto", que recolhia 20% do ouro encontrado no nosso território. Atualmente, somados todos os tipos de tributos, pagamos cerca de 40% em impostos para as esferas governamentais. Estamos hoje alguns degraus abaixo do "quinto dos infernos"! E como se não bastasse, quase não vemos o dinheiro arrecadado por esses impostos serem traduzidos em serviços públicos minimamente decentes!
Nosso sistema educacional é uma vergonha! O Brasil, apesar de ser a 7ª maior economia do mundo, está no 88º lugar no ranking educacional feito pela Unesco (2011), atrás de países como Bolívia, Equador, El Salvador e Botswana. O que esperar de um país que não leva a sério a educação de seus cidadãos? Temos também a violência que impera em nossas cidades. Os cidadãos que pagam seus impostos em dia, vivem reféns do medo, presos em suas casas, cercadas por altos muros. Em alguns lugares, os criminosos ditam as regras, cobram taxas, julgam e matam! Tudo isso sob os olhares omissos do Estado. Outro grande problema é a mobilidade urbana. O trânsito nas cidades brasileiras é caótico. O transporte público é caro e precário, com ônibus e metrôs lotados todos os dias. E a saúde então? Faltam hospitais, equipamentos e médicos qualificados. Pessoas morrem todos os dias nas filas a espera de atendimento! Sem falar de parte do nosso dinheiro que vai para o ralo da corrupção! O que esperar do nosso país? Será que um dia seremos independentes dessas mazelas?
Recentemente, o povo brasileiro mostrou nas ruas que não agüenta mais essa situação! Milhares saíram as ruas pedindo educação, saúde, segurança, transporte de qualidade e o fim da corrupção. Mas, apesar da grande importância desses protestos, não podemos esperar que a solução venha de cima para baixo, de um plano de governo, ou das elucubrações de um líder político carismático!
Devemos todos juntos, cada cidadão, começar a construir um país melhor e mais justo. Devemos por a mão na massa, trabalharmos onde estivermos, seja participando de associação de bairro, de conselhos de saúde, educação, segurança pública; ajudando os mais necessitados, levando educação a quem não tem acesso e etc. Podemos agir em várias frentes, segundo a nossa vocação e as oportunidades que são colocadas diante de nós. Parece ser uma utopia esperar isso de todo povo, mas imagine, se metade daqueles que se denominam evangélicos no Brasil, hoje cerca de 25% da população, se engajasse por um país mais justo? Com certeza teríamos uma país melhor!
Temos que sair do comodismo, da nossa zona de conforto, de esperar que façam tudo por nós. E assim, darmos um novo e imenso grito de independência!
Para refletirmos, deixo a bela música "Este Páis" do cantor e compositor Gladir Cabral.


Este País
(Gladir Cabral)

Este país precisa mesmo é de sonho,
De um dia a dia um pouco menos tristonho
De alguma porta aberta para a justiça, que já se avista.
De uma janela que não tema a clareza
Da luz do sol que vem com toda a certeza
Afugentar o medo, a morte, a mentira
E nossa pobreza

Um novo e imenso grito de independência
O pé no chão e a mão sobre a consciência
A fé no coração e aquela inocência
Não mais perdida

Este país precisa de água corrente
De honestidade solta pela vertente
De uma floresta transbordando de vida
Força incontida.
Um litoral de areias brancas e mares
Onde morenos braços de outros Palmares
Construam juntos ruas, casas e escolas,
Novas cidades,
Uma avenida feita de pedraria
E ladrilhada de cristal de alegria
Que fosse todo bem que a gente queria
E que traria

Um novo e imenso grito de independência
O pé no chão e a mão sobre a consciência
A fé no coração e aquela inocência
Não mais perdida

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

UMA RESPOSTA À TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


EXPOSIÇÃO EM JÓ 1 E 2

Palestrante: Leonardo M. Verona
Realizada na Missão Reluz, Belo Horizonte.




Vivemos em tempos em que a Palavra de Deus tem sido distorcida por muitas igrejas e pastores ditos evangélicos. O Deus pregado por esses líderes assemelha-se mais a um Gênio da lâmpada ou a um Papai Noel, que existe somente para atender os nossos desejos, caprichos e taras.
Basta ligarmos a TV ou rádio, para logo encontrarmos uma pregação deste tipo, dizendo: aceite a Jesus, venha em nossa igreja que você terá isso, aquilo e aquilo outro! Certa vez, ouvi um pastor dizendo que se alguém doasse 1000 reais para o seu programa de TV, esta pessoa seria muito prospera e não passaria pela crise econômica. Outro, contando uma espécie de testemunho, disse que um membro da sua igreja tinha só um fusquinha, e que depois dele participar de uma campanha tal, agora ele tem uma Land Rover!

Mas este visão errada de Deus não se restringe apenas a aspectos econômicos. Muitos tem pregado que a partir do momento em que você se torna um cristão, tudo agora na sua casa vai dar certo. Você não terá mais problemas na sua família e no seu casamento, você que antes era infeliz no amor, não será mais. Seus filhos vão virar uns anjinhos. Todos a sua volta irão te amar,  serem seus amigos e por aí vai. E se você é cristão e tem algum problema na sua vida, seja econômico ou de outra ordem, é porque certamente você está em pecado, abriu brecha e deu legalidade ao diabo. Ou seja, se você for bonzinho, e fazer tudo certinho, tudo na sua vida vai dar certo. Bem ao estilo Deus Papai Noel! Essa é a chamada teologia da retribuição ou também da prosperidade.

O que vemos nas Escrituras não é isso! E a história de Jó joga por terra esse tipo de teologia. Primeiramente, a história de Jó dá uma resposta à teologia da prosperidade. Jó, de uma hora para outra perdeu todos os seus bens, perdeu os seus filhos e ainda perdeu a sua saúde. Muitos hoje, contaminados por essa teologia, ao se depararem com o primeiro problema diriam como a mulher de Jó: porque ainda ainda sigo esse Deus. A resposta de Jó frente aos problema é estarrecedora, bem diferente do que vemos por aí:
Jó 1.21  e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!
Jó 2.10 Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

Em segundo lugar, a história de Jó dá uma resposta a ideia de que tudo de errado que acontece na nossa vida é consequência dos nossos pecados. No primeiro capítulo deste livro nos é dito que Jó era um homem íntegro aos olhos de Deus. Logo, não devemos atribuir o que nos acontece de ruim sempre ao pecado, já que Deus utiliza de circunstâncias para nos moldar segundo os seus propósitos.

Em último lugar, a história de Jó não abre espaço para essa idéia de legalidade ou brecha. Vemos que o diabo não atua na vida de Jó porque ele deu legalidade, mas porque Deus é quem permitiu que Satanás tocasse na vida dele. Isso para cumprir os seus propósitos Eternos. O diabo está sujeito a Deus, porque Deus é soberano.

Logo, meus irmãos, que não sejamos crentes que ao primeiro sinal de problema, nos afastamos de Deus, ou atribuímos tudo ao pecado e ao diabo. Mas que saibamos reconhecer que Deus é soberano, e que ele nos molda por meio das circunstâncias da vida.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Soberania é para quem pode!

que é soberania? Quem é soberano? A este respeito, Guilherme de Carvalho coloca:
“Soberania: inicialmente, como o expôs Kuyper, é um conceito simples e intuitivo. Soberania é o direito de impor a própria vontade. O direito de exercitar a liberdade, nesse sentido; mas de causar, no exercício da liberdade, uma limitação da liberdade. E a partir de seu direito ao poder, a liberdade de exercitá-lo para bloquear toda resistência a si. Nesse sentido, sim, Deus é a fonte de todo o poder. O Deus Trino é o Soberano absoluto, detentor do direito e das energias necessárias para fazer cumprir a sua vontade.” ¹

Esta definição da soberania de Deus é bem clara: Sendo Deus soberano, quem pode pelas suas próprias forças e ações ordenar a sua vontade? Ao observar a mentalidade do evangelho que é pregado nos programas de TV e na chamada corrente teológica do Neopentecostalismo, vemos que a coisa é bem diferente. “Eu determino” e “Tomo posse” são expressões que junto com práticas como ungir suas posses e objetos mágicos (caneta ungida, rosa ungida, toalhinha da unção poderosa) tentam reivindicar para o homem e não para Deus o poder de sua própria vida. No entanto, as Escrituras, não abrem espaço para este tipo de coisa. Nós somos criaturas, delimitadas pelo espaço e pelo tempo, e não Ele. Observe esta passagem:

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Romanos 11:33-36 

O Texto pergunta para aqueles que questionam e tentam “controlar Deus” : Quem ai foi conselheiro de Deus? Quem ai compreende a mente d’Ele? Ora pois, todas as coisas são dele, todas as coisas são conduzidas por ele e tem como fim a glória dele. Por que questionar? Por que tentar controla-lo?

Há alguns dias, participei de um estudo bíblico de cunho evangelístico justamente sobre este assunto: A soberania de Deus. Muitos cristãos, estavam ali falando sobre como esta doutrina lhe traz paz e segurança. Apenas um não-cristão colocou algo intrigante: A Soberania é algo que assusta, por que significa em ultima instância que não temos o controle sobre a nossa própria vida. Ele acertou o cerne da questão. O que nos impede de crer na soberania de Deus e a realizar as nossas mandingas gospeis é exatamente uma questão de ego. Não queremos perder o controle, queremos sempre ter a sensação de que temos algum poder.

Precisamos compreender essa soberania de Deus como se ela fosse um vento impetuoso. Assim como o trigo se curva diante da força do vento, nos curvamos diante da imensa soberania de Deus. Àqueles que tentam se manter firmes se partem diante de tamanho poder!


¹ Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. CARVALHO, Guilherme Vilela Ribeiro de. Editora Ultimato, 2006. Viçosa, MG.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

AGUENTE O TRANCO!

Por André Storck

Bem, vocês leitores assíduos do blog já sabem, ou deveriam saber, que sempre damos destaque ao fato de vivermos em um tempo de relativismo. Como dizemos e repetimos várias vezes, o mundo em que habitamos é inspirado por uma grande verdade, qual seja: que não existem verdades.  (parece contraditório? Mas, acredite, é isso mesmo).
O valor supremo para os incautos cidadãos pós-modernos é a aparente paz e comunhão entre pessoas. As diferentes opiniões, pensamentos e teorias devem ser varridas para debaixo do tapete, pois, afinal de contas, a verdade absoluta não existe.
Segue-se que ninguém pode julgar ninguém, pois se a verdade não existe, ou só Deus tem acesso a ela, quem sou eu para julgar o próximo que talvez esteja cometendo um erro? Assim, mais uma vez somos obrigados a cerrar os lábios e sorrir amigavelmente, para manter a paz e o amor, bem ao estilo hippie dos anos 60.
A discussão sobre idéias e opiniões deixa de ser considerada crescimento intelectual para ser considerada ofensa pessoal. As pessoas perdem a capacidade de diferenciar um problema teórico entre opiniões diferentes de um problema pessoal. Dessa forma, os relacionamentos e os bate-papos têm que ser rasos e abordar somente questões que todos concordem uns com os outros. Só assim se mantém a comunhão superficial. A ordem clara e retumbante é esta: toda polêmica deve ser anulada.
Deste modo, os relacionamentos se tornam superficiais girando apenas em torno de opiniões comuns. Sempre as mesmas pessoas vazias, as mesmas conversas sem conteúdo, tudo futilidade, tudo vaidade. Como por exemplo, dentro de igrejas, os únicos assuntos possíveis são: oração, evangelização, leitura da Bíblia e amor ao próximo, pois são essas coisas com que todos concordam, mesmo não sabendo muito bem como fazê-las. Outras questões não podem ser discutidas, devendo apenas ser acatada a opinião da autoridade que falar mais grosso.
A grande jogada desse tipo de pensamento é dominar. Quando ninguém discute o que é certo ou errado, quando ninguém pode julgar nada, quando não há diálogo, quando debates saudáveis e a busca pela verdade são condenados e quando todas as polêmicas são anuladas, a verdade de quem está no poder domina tranquilamente por debaixo dos panos quentes do relativismo. No caso de uma nação, dominará a vontade do ditador, no caso de uma família dominará a vontade de um pai/cônjuge opressor e no caso da igreja a vontade de um sacerdote ganancioso. Isso ocorre porque as decisões e opiniões de quem está no poder não serão julgadas, questionadas nem debatidas pelos oprimidos porque não existem verdades absolutas e, assim, não dá para julgar/avaliar nada.
A falsa sensação de paz, harmonia, comunhão e alegria do pobre povo explorado serão mantidas com festas, diversões, louvorzões e outros mimos.
Se alguém perturbar tal sossego, deve ser taxado de semeador de contendas e rebelde. Se alguém ousar defender alguma verdade abalando os falsos laços de comunhão bordados no tecido do relativismo deve ser expulso do grupo, excluído do rol de amigos e marcado como persona non grata.
Nós cristãos nos tornamos escravos de um sistema de falsidade e superficialidade, esmagados pelo julgo da idéia de que não existem verdades absolutas e, assim, devemos tolerar e aceitar tudo o que dizem e fazem sem poder discernir o que é certo do que é errado. Oprimidos pela obrigação de sempre sorrir para manter aparências de união ao invés de poder ajudar o próximo com a Verdade que liberta.
Do outro lado, no verdadeiro cristianismo, o Apóstolo Paulo exortava os crentes para:
“Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, REPREENDA, CORRIJA, EXORTE com toda a paciência e doutrina.
Pois virá o tempo em que NÃO SUPORTARÃO A SÃ DOUTRINA; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos.
Eles SE RECUSARÃO A DAR OUVIDOS À VERDADE, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja sóbrio em tudo, SUPORTE OS SOFRIMENTOS, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério. 2 Timóteo 4:1-5
E conhecerão a VERDADE, e a VERDADE VOS LIBERTARÁ.  João 8:32
Queridos amigos e respeitáveis leitores, as Verdades do Evangelho são simples, mas também são duras e atingem todas as áreas da vida. Daí a pancada que sentimos ao ouvir uma verdade. Mesmo não querendo, muitas vezes nós nos comportamos conforme a cartilha relativista do mundo pós-moderno, afinal, crescemos e fomos criados nessa cultura destrutiva e opressora e é muito difícil moldar uma mente cristã, verdadeiramente sadia e capaz de julgar e avaliar o mundo ao nosso redor.

Por isso temos que estar vigilantes quando alguém disser algo que nos incomoda. Geralmente ao ouvirmos opiniões contrárias, começamos a sentir aquela coceira nos ouvidos e a vontade de tampá-los. Nessas horas lembremo-nos dos versículos acima! Temos que agüentar o tranco!
Aguente por um momento aquela forte pancada que todos sentimos em nossas cabecinhas pós-modernas quando alguém afirma estar dizendo o que é certo, julgue com serenidade e com a Bíblia o que está sendo falado, ao invés de simplesmente evitar o debate ou rejeitar a mensagem, pois, afinal de contas, pode ser a Verdade vindo te libertar.
Que Deus te abençoe e te ilumine!
JULGAI TODAS AS COISAS, retendo o que é bom, abstende-vos de toda forma de mal. 1 Tessalonicenses 5:21



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

PARA PROFETAS

Por André Storck
Era uma vez, há muito tempo, o povo de Israel estava dividido.

Por causa dos pecados do rei Salomão, Deus resolveu que a descendência dele não reinaria mais sobre todo Israel. Assim, no reinado de Roboão, filho de Salomão, 10 das 12 tribos se revoltaram e se separaram, constituindo a Jeroboão como rei.

Israel então ficou dividido em dois diferentes reinos. O chamado Reino do Norte com as dez tribos rebeldes e o Reino do Sul ou Judá com as duas restantes.

Jeroboão, rei no Norte, se preocupou com o fato de os israelitas terem que ir até o Templo em Jerusalém, que ficava no Reino do Sul, para fazer sacrifícios. Jeroboão pensou consigo: “se este povo subir para prestar culto na Casa do Senhor em Jerusalém, o coração deles se tornará a ele, ao rei de Judá”.

Tomou então Jeroboão conselhos e decidiu fazer dois bezerros de ouro e disse ao povo: “Basta de subirdes a Jerusalém, veja aqui estão os seus deuses ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito” (I Reis 12). Colocou os bezerros, um na cidade de Betel, outro em Dã, ambas no Reino do Norte. Fez também Jeroboão santuários, nomeou novos sacerdotes e sacrificou no altar, queimando incenso aos novos deuses. Assim, o povo parou de ir a Jerusalém para cultuar.

Diante dessas coisas, por ordem do Senhor (I Reis 13) veio de Judá um homem de Deus que sequer tem o nome mencionado na Bíblia, um profeta anônimo, e encontrou com o rei Jeroboão que estava junto ao altar queimando incenso aos bezerros de ouro.

Então gritou o profeta e disse: “Altar, altar! Assim diz o Senhor: eis que um filho nascerá à casa de Davi, um rei do Sul virá e matará sobre ti esses falsos sacerdotes e ossos humanos se queimarão sobre ti. O altar se fenderá e se derramará a cinza que há sobre ele!”

O Rei ao ouvir o profeta gritando aquelas palavras estendeu a mão e disse: “Prendam ele!” Mas a mão que o rei apontou para o profeta secou imediatamente e ele não pôde movê-la mais. O altar rachou no meio e a cinza que estava em cima dele se derramou.

Queridos leitores, gostaria que todos refletissem um pouco sobre essa história bíblica e suas conseqüências e reflexos nos dias de hoje.

Muitos são os falsos pastores que edificam falsos altares e fazem falsos cultos a falsos deuses.. Talvez nunca em toda a história do cristianismo houve um período em que tanta heresia foi pregada para agradar o povo e levá-lo a adorar falsos deuses e a entregar seu dinheiro para impostores.

É comum encontrarmos igrejas que adotam vários bezerros de ouro para substituírem a Verdade do Evangelho, são exemplos: o bezerro de ouro da teoria da prosperidade e o bezerro de ouro do chamado “ louvorzão” que transforma o momento de adoração em um show com fortes emoções para atrair o povão.

Há ainda igrejas que acabam com os estudos bíblicos e doutrinários sérios para evitar discussões entre os irmãos e manter uma falsa comunhão, igrejas que adotam o ecumenismo esquecendo-se que só Jesus é o caminho, que usam métodos e metas empresariais e humanas para alcançar novos membros, que bajulam os ímpios para conseguir convencê-los a ir a igreja etc. Fazem de tudo, menos pregar o Evangelho puro e estudá-lo a fundo para praticá-lo corretamente em todas as áreas da vida.

Em muitas igrejas o próprio significado do que é um profeta foi mudado, e passou a significar alguém que prevê o futuro e expõe segredos e a intimidade dos irmãos. Tais revelações fogem daquilo que ensina as Escrituras. As “profetadas” feitas em nome de Deus por esses profetas de araque não se realizam e levam milhares de cristãos enganados a desacreditarem da fé e cair. 

Contudo, vejo que Deus tem abençoado a Igreja do nosso tempo levantando uma nova geração de verdadeiros profetas que, do mesmo modo como os profetas enviados por Deus no Antigo Testamento faziam ao apontar sem medo os enganos e maldades de dentro da própria Casa de Israel, hoje se levantam sem medo das mãos poderosas que se erguerão contra eles.

Profetas que não sucumbiram ao apelo pós-moderno de viver uma comunhão e paz superficiais ao altíssimo custo de sacrificar as verdades bíblicas e relegar ao segundo plano as doutrinas básicas da nossa fé.  Profetas que negam-se a considerar a “verdade” algo de menor importância.

Graças a Deus, observo uma explosão, potencializada pelas mídias sociais e pela publicação de farta literatura reformada, de pessoas que não abrem mão da pureza da fé e do Evangelho.
É verdade que esses profetas que Deus levanta para apontar os sérios desvios e ilusões que ocorrem dentro da igreja, sofrem com toda a sorte de insultos, maldades e difamações. Além de colherem a antipatia daqueles que preferem manter a aparente paz da ignorância ao alvoroço causado pela libertação de mentes pela Verdade.

Todavia, essa perseguição não deve ser motivo para desânimo, mas de alegria, sempre foi assim com os verdadeiros profetas de Deus, assim foi com Cristo, com Lutero, Calvino, Simonton e assim será com todo o crente verdadeiro até o Dia do Juízo.



É, por isso, que quero deixar uma mensagem de ânimo e esperança aos milhares de pequenos profetas anônimos que o Senhor tem levantado nos nossos dias para denunciar a prostituição, corrupção, apatia, idolatria e maldade que têm sorrateiramente contaminado parte da igreja evangélica brasileira, sob a conivência de falsos pastores e de pastores verdadeiros, mas omissos, e preguiçosos de estudar/expor a Bíblia e exercer a disciplina, sendo mais apegados aos prazeres da fama, sucesso, amizades e das riquezas do que com a propagação do verdadeiro Evangelho.

Não se escondam pequenos profetas do Senhor! Não deixem de gritar quando o Senhor lhes mostrarem algo contra o quê gritar, ainda que contra falsos mestres e ídolos dentro da própria igreja. Deus cobrará isso de vocês no dia do Juízo.

E, por fim, não se preocupem quando lhe apontarem o dedo, pois é Deus que te guarda e cuida de você.

"Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.
Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

BATALHA ESPIRITUAL



Por Leonardo Verona

O interesse especulativo pela “Batalha Espiritual” tem crescido de forma exponencial nas últimas três décadas. Livros e mais livros são lançados todos anos sobre tema. São ex-satanistas contando os segredos mais profundos do reino das trevas, viagens aos vários andares do inferno, mapeamento espiritual de territórios, quebra de maldições, e por aí vai. Mas, o que de fato a Bíblia fala sobre Batalha Espiritual? Será que essa batalha existe? Se sim, como devemos lutar nessa guerra? Não pretendo tratar exaustivamente do assunto neste texto, mas fazer uma breve reflexão com base em Lucas 11.21,22 e Efésios 6.12-18.


Lucas 11

11.21   Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens.
11.22   Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos.

Efésios 6

6.12   porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.
6.13   Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.
6.14   Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça.
6.15   Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz;
6.16   embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
6.17   Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;
6.18   com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos

Na primeira cena, em Lucas 11, vemos Jesus responder as acusações dos fariseus de que ele curava os endemoninhados com o poder de Belzebu. Nos versos 21 e 22, Jesus explica o que de fato estava acontecendo no mundo espiritual. Um valente, simbolizado por satanás, que está bem armado, guarda a sua casa e seus bens, ou seja, aqueles que estão perdidos, cegos, oprimidos e dominados pelas trevas. Entretanto, surge em cena alguém ainda mais valente, que simboliza Jesus Cristo. Este vence satanás e tira a armadura que ele confiava. A palavra no grego utilizada para armadura neste versículo é “panoplian”.  “Panoplian” não se refere as armaduras que os soldados romanos comuns utilizavam, já que no grego, o termo utilizado para a armadura comum é “elekoi”. “Panoplian” refere-se a armadura utilizada pelos oficiais. Estas tinham o brasão do imperador, indicando que aqueles que a portavam tinham autoridade. Os soldados que a utilizavam comandavam estrategicamente o exército, comunicando quando era necessário avançar ou recuar.
Na segunda cena, em Efésios 6, no verso 13, Paulo fala sobre uma armadura que devemos utilizar. Curiosamente, o termo utilizado para armadura neste versículo também é “panoplian”. Lucas 11 e Efésios 6 sãos os dois únicos lugares onde a palavra “panoplian”, no sentido indicado, aparece no Novo Testamento.
A partir dessa observação, podemos deduzir que o Primeiro Advento de Cristo proporcionou uma perda de autoridade do reino das trevas. A armadura (autoridade) que satanás tinha, até então, lhe foi retirada pelo valente maior. E esta armadura (autoridade), à luz de Efésios 6, foi dada à Igreja. Essa cena pode ser relacionada à prisão de satanás (Ap 20.1-3), que foi impedido de enganar as nações durante o milênio (a era que iniciou-se com o Primeiro Advento), já que outrora, o príncipe da potestade do ar enganava todas as nações, pois só Israel possuía a Revelação. Com a vinda de Jesus, a Igreja recebeu autoridade (armadura) para levar a Verdade a todos os povos.
Agora que entendemos o significado dessa armadura, passemos a analisar o que Efésios 6 nos fala a respeito da Batalha Espiritual. Primeiramente, Paulo nos diz que a nossa luta não é contra “sangue e carne” (‘aima kai sarka’: o conjunto das tendências humanas). A melhor tradução no grego para este trecho seria que a nossa luta não é prioritariamente contra “sangue e carne” (o conjunto das tendências humanas), mas contra os principados, potestades e “dominadores deste mundo tenebroso” (‘kosmokratoras’: estrategistas do mal), contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Logo, vemos que existe sim uma Batalha Espiritual, onde seres espirituais do mal (“kosmokratoras”)  tramam contra nós. Já que chegamos a essa constatação, como então devemos lutar nessa guerra?
O texto de Efésios 6 nos dá a resposta, qual seja, para que tomemos toda a armadura (“panoplian”) de Deus, para resistirmos no dia mal e para ficarmos firmes contra as ciladas do diabo. Então, como se revestir desta armadura? Certa vez, ouvi um pastor que dizia que deveríamos vestir a armadura com gestos físicos (atos proféticos), colocando o capacete e etc, pois assim, estaríamos vestidos da armadura de forma espiritual. What???  Deixemos as aberrações de lado e vejamos o que Paulo quis dizer nesses versos. O apóstolo faz uma analogia entre a armadura de um soldado com a nossa preparação para a batalha espiritual. Primeiro, o texto nos diz para cingirmos com a verdade. Devemos ter certeza da veracidade objetiva da Palavra de Deus, e além disso, devemos promover e viver a verdade. Segundo, nos é dito para vestirmos a couraça da justiça. Revestidos da justiça que nos foi imputada por Cristo, podemos nos manter firmes contra as acusações do diabo (o difamador). Terceiro, nos é dito para calçar os pés com a preparação do evangelho da paz. A figura aqui é aquela das fortes sandálias do soldado romano. De forma irônica, a paz que vem do Evangelho nos dá estabilidade e nos prepara para a guerra contra o mal. Quarto, nos é dito para embraçarmos o escudo da fé. Segundo o comentário da Bíblia de Estudo Genebra “um soldado romano de infantaria carregava um escudo comprido e retangular que cobria o seu corpo da cabeça aos pés. Ele era feito madeira, coberto com pele e ferro na parte superior e na parte inferior. Quando mergulhado em água antes da batalha, ele podia apagar as flechas que haviam sido mergulhas em piche, acesas e então atiradas.” Logo, esta analogia nos diz que com a fé podemos nos manter firmes na promessa da salvação e de que Cristo está conosco até a consumação dos séculos. Assim, podemos resistir as acusações e tentações do maligno. Quinto, nos é dito para tomarmos o capacete da salvação. Devemos ter a firme convicção da nossa salvação, pois além de ser uma experiência futura, ela também pode ser vivenciada no presente. Por fim, devemos portar a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Esta é a única arma de ataque do nosso arsenal.  A espada aqui é a de defesa do soldado romano, e não a de ataque. E devemos fazer tudo isso, como toda oração e súplica.
Com base em Efésios 6, como então devemos lutar? Podemos notar que os ensinamentos bíblicos a esse respeito nada tem a ver com as práticas nada ortodoxas que vemos por aí na maioria dos livros e manuais de batalha espiritual contemporâneos, como: fazer mapeamentos espirituais de territórios para derrubar determinada potestade e só assim teríamos autoridade sobre o lugar; amarrar demônios de imagens ou exorcizar demônios de objetos e comidas consagrados; fazer quebra de maldições em pessoas que supostamente foram consagradas ao diabo na infância ou durante rituais de magia negra; amarrarmos o diabo; sair por aí achando e destruindo trabalhos de macumba; descobrir nomes dos demônios e desenhar uma suposta hierarquia espiritual; viagens aos andares do inferno e etc.  Em nenhum momento, a Bíblia nos ordena a agirmos conforme essas práticas, em nenhum lugar das Escrituras nos mostra os apóstolos aplicando esses métodos nas igrejas e nas suas viagens missionárias! Essas práticas, nada mais são do que uma paganização do cristianismo, são práticas de outras crenças adentrando nos corredores da igreja! Além disso, essas práticas se mostra totalmente dualistas, como se as forças do bem e do mal tivessem, na prática, o mesmo poder.
O modo bíblico de lutarmos contra os dominadores desse mundo, como vimos em Efésios 6, é tomando as partes da armadura, que são os meios de graça que a obra de Cristo nos deu, como: a salvação, a justificação, o Evangelho, a paz, a fé, e a Palavra de Deus. Vimos que, a única arma de ataque do nosso arsenal é a espada (a Palavra), e mesmo assim, é uma espada utilizada para a defesa pessoal do soldado romano. Logo, ao analisarmos as partes dessa armadura, concluímos que não fomos chamados para sermos caçadores de demônios, e sairmos para atacarmos literalmente um batalhão de seres malignos, como prega os defensores da batalha espiritual contemporânea. Nessa batalha, devemos é resistir aos ataques, às tentações e as acusações do diabo e seus demônios. Assim como Jesus o fez aqui na terra, mormente quando foi tentado pelo diabo no deserto.
Não devemos cair na tentação de “espiritualizarmos” tudo e cairmos numa batalha sem conexão com a realidade, que resolve todos os problemas com ritos e mantras. A batalha espiritual do cristão tem implicações práticas em todas as áreas de nossas vidas. Então, lutemos essa batalha nos revestindo com os meios de graça que nos foi dado, nos considerando mortos para o pecado, levando o Evangelho aos homens e a todas as áreas de nossas vidas.

Bibliografia:
Bíblia de Estudos de Genebra
"A revolução a partir de nós mesmo" Palestra (áudio) Ronaldo Lidório