sábado, 5 de janeiro de 2013

A Ilusão do Determinismo

Por Yuri Fernandes
Em uma destas discussões de Facebook sobre o feminismo, vejo um amigo comentando algo que julguei interessante. Ele disse algo do tipo: “A nossa cultura é machista e por isto você e eu somos machistas”. Não pretendo por enquanto me pronunciar a respeito do Machismo ou do feminismo (isto me parece tarefa para um próximo texto). Hoje me deterei numa questão um tanto quanto mais essencial: o determinismo.

Determinismos não são novidades no ambiente acadêmico. Desde que Descartes inaugurou uma nova maneira de fazer filosofia (ou talvez até antes), o homem se viu preso em uma corrente de determinismos.  O que seria um determinismo? De certa forma, é uma visão que interpreta a realidade como determinada por algum aspecto especifico. Temos alguns que são famosos e até mesmo bem vivos nesta era que alguns ousam chamar de pós-moderna.
 Um bom exemplo é o determinismo biológico, que sempre se reinventa nas páginas das revistas de “ciência” em manchetes como “As mulheres altas são mais felizes” ou “Homens gordinhos são mais propícios a terem amantes”. A ideia é simples: Você é aquilo que seu organismo biológico te condiciona a ser. Ainda temos outras variáveis deste determinismo, como é o caso do determinismo químico, e ainda algumas vertentes mais radicais da neurociência que acredita desvendar todos os segredos da mente humana ao descobrir como nossas ações dependem dos processos químicos e fisiológicos do sistema nervoso.

Mas o determinismo biológico não é o único que ficou famoso. Karl Marx pode ser considerado um dos grandes pais do determinismo econômico. A ideia é igualmente simples: Você é aquilo que produz, da maneira que produz. Em suma, se você é um servo feudal, quem você é depende disso (e não dos seus profundos laços familiares, religiosos e culturais).  Da mesma maneira, se você é um operário, é esse seu lugar na cadeia econômica que te define como pessoa (e novamente, adeus vida pessoal complexa). Enfim, caímos de indivíduos complexos à imitadores de uma identidade coletiva única.

Hoje em dia, a nova modinha intelectual é o determinismo sociocultural. Em primeira instância ele parece o libertador prometido da visão dos outros determinismos, com suas concepções de cultura como algo complexo. Na verdade só se troca o aspecto que se tem como determinante para um que é um pouco mais complexo. Desta forma, começa-se a tecer argumentos a respeito de como o pensar e o agir é constituído na linguagem, e depois como este é constituído socialmente. Destes dois degraus, pula-se para uma concepção de realidade na qual aquilo que somos depende completamente de onde nascemos, quando nascemos e de quem nos educa. E assim, começam generalizações a respeito da sociedade que recai sobre todos os indivíduos. A ideia de eu sou machista pelo fato de viver em uma sociedade que é machista, é um bom exemplo. Qualquer ato meu para com as mulheres será interpretado sobre uma ótica feminista, como um ato machista e malévolo que fiz inconscientemente por causa do machismo que impera dentro de mim! Certa vez, ao pegar uma cadeira para uma amiga sentar eu fui chamado de machista. Da mesma maneira, quando interrogada sobre o porquê de ser mulher assim e de outra forma, uma outra amiga foi repreendia por responder “Deus me fez assim”, pois para o professor, ela era assim por que a sociedade a condicionava a ser assim.

Não nos enganemos, as pessoas que são deterministas o são por um motivo. Elas anseiam por uma liberdade que não compreendem e por isso criam um determinismo que precisa ser dominado. A resposta ao determinismo biológico é a inovação da tecnologia a fim de ir dominando nossa “natureza selvagem”. A resposta ao determinismo econômico é a revolução comunista. A resposta ao determinismo cultural é a mudança social para um relativismo vazio de significado. E não é preciso mostrar que todos eles falham por não perceber o tamanho dos ídolos que criaram.

E você deve estar pensando se estas coisas como biologia, economia e cultura de certa forma não nos define. É claro que elas impõe limites à maneia pela qual vivemos. Se eu tenho um 1 metro e cinquenta de altura, não posso pegar um livro alto na biblioteca sem a ajuda de uma escada. Da mesma maneira, se eu não tenho condições financeira para ir à Acapulco nas próximas férias, eu não irei. A grande diferença está na maneira como estes limites são encarados. Será que eles determinam todos os aspectos da minha existência? Será que eles são responsáveis pelas formas como penso, me sinto e me relaciono? Algo me diz que eles são importantes, mas não podem ser absolutizados. Quem sou, o que penso e o que sinto não são determinados por estes limites criacionais (e eu creio, impostos por Deus). O Eu se manifesta numa relação com estes aspectos criacionais (vistos em uma totalidade, na qual o biológico, o cultural, o econômico e o psíquico são apenas aspectos de um espectro mais variado e amplo de lugares onde ocorre a experiência) em sua totalidade e a essência religiosa do homem, que seria aquilo que direcionas a experiência vivida nos vários aspectos criacionais para um telos definido.

Desta forma, o ser humano é um ser essencialmente plural, no sentido de que a sua vida não pode ser resumida em um único aspecto do real, nem deve ser interpretada como. O grande problema é que sempre que estamos em um debate com um determinismo, nós perdemos. A lógica dele é maior que a nossa. Tudo consegue ser explicado por seu sistema, e é exatamente essa a força de sua teoria.  A única maneira de se livrar desse reducionismo é um choque com a realidade ao perceber que somos seres mais complexos do que todos estes aspectos. Isto nos leva à famosa história de Francis Schaeffer e o seu encontro com o marinheiro determinista em sua lua de mel. O marinheiro  era um reducionista biológico extremo, mas Schaeffer percebeu uma coisa: Ele amava a mulher com quem havia se  casado. E então perguntou se quando ele se deitava com ela a noite, se ele acreditava que ela era apenas um amontoado de átomos eu reagia quimicamente. Ele foi forçado a dizer que sim. Infelizmente, não sabemos como foi o resto da lua de mel do casal, mas podemos ver na postura do marido, como o determinismo, por mais lógico que pareça ser, exclui significativamente uma parte do real.

Visto de um ângulo cristão, o determinismo é uma espécie de idolatria, na qual Deus, que deveria ser o ponto para o qual direcionamos nossa raiz religiosa  que integra a nossa percepção da realidade, é trocado por um dos aspectos da realidade. Dessa maneira, a percepção de real é alterada para uma distorção do real, na qual a única solução e remédio é o sacrifício de Cristo que “E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. Colossenses 1:20



Bibliografia
No Crepúsculo do Pensamento ocidental de Dooyeweerd.
O Deus que Intervém de Francis Schaeffer

5 comentários:

  1. Abaixo, comentário de Helio Brandão, feito no Facebook:
    Acho que uma abordagem epistemológica é interessante. Primeiro, gostaria de apontar dois tipos de determinismos que você não trabalhou: o determinismo materialista, para o qual a realidade é imanente, e o realismo idealista ou metafísico, que é transcendente. Quando se fala, por exemplo, em "teleologia do homem", provavelmente se está sendo um determinista transcendentalista.

    Ora, afirmar que o universo é uma criação de Deus, um plano Dele não é um determinismo? Tudo se justificaria de acordo com Suas Leis: da Criação às ações decorrentes do livre arbítrio. se a existência humana "não pode ser resumida em um único aspecto do real, nem deve ser interpretada como", se preocupar com questões como alma e Paraíso seriam abordagens deterministas, também.

    Esse, entretanto, não é o problema.

    O que a epistemologia têm afirmado, há algum tempo, é que não é possível construir uma hipótese que não esteja totalmente aberta sem se ser minimamente determinista sob um aspecto. Qualquer teoria é uma tentativa de explicar algo e quando tenta-se explicar tudo com ela, a teoria se parte, porque não pode tentar apreender o todo. É isso que gera questões teológicas tão antigas quanto ao Paradoxo da Existência do Mal ou Onisciência vs. Livre Arbítrio. Algumas teorias explicam mais do que outras, mas quando tenta-se escrutinar cada aspecto da existência com ela, aí não há jeito, a contradição aparece.

    Podemos concordar, do ponto de vista materialista, idealista, cético, crente, ateu, religioso, que essa é uma limitação humana, não do conhecimento em si. Quero dizer, o conhecimento pode ser infinito, mas a cognição humana não é, e ainda estamos longe de termos um "acumulado total de conhecimento humano" que ouse afirmar se aproximar de um todo.

    Ao final do seu texto, não fica claro se a cosmovisão calvinista não é um determinismo, mas você faz uma afirmação firme de que, mesmo que o for, é o único determinismo válido.

    Mas o ponto mais sério de toda essa discussão é: você tem uma visão do feminismo (e de outros ismos) que não abrange a totalidade do que esta coisa é, o que é normal. Mas se eu passasse a ver todos os religiosos por base do que são os fundamentalistas (sejam cristãos ou muçulmanos, ou qualquer outro), você viria me dizer que minha visão é distorcida.

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  2. Segue-se Agora a resposta dada ao comentário, o que podemos ver, enriquece o texto:

    Em primeiro lugar, vou fazer uma distinção entre determinismo e recorte teórico, para tentar responder algumas questões levantadas. O determinismo é uma visão planificadora. Um recorte teórico é o que delimita a visão de uma ciência de outra. Cada ciência está responsável por uma aspecto da realidade. A biologia por exemplo, trata da vida de um modo diferente da maneira que as ciências humanas tratam. O determinismo está na atitude de planificar um desses aspectos sobre os outros. Já um recorte teórico é entender os processos dentro da lógica e da estrutura daquele aspecto de uma maneira que encontre coerência e harmonia com todos os outros aspectos. Não falo aqui de ter uma visão que conceba todos os aspectos, mas de dividir e encontrar coerência. Tal coerência é dada pela visão de mundo.
    Neste sentido, não proponho um determinismo metafísico, uma vez que o plano metafísico é apenas um desses aspectos, e deve ser visto como independente ao passo de que coerente com todos os outros. Desta forma, pensar em termos de paraíso e inferno não é NECESSARIAMENTE determinista (embora possa o ser em alguns casos). E digo mais, afirmar a lei de Deus não é determinismo, mas perceber um ordenamento no mundo criado que pode ser estrutural ou normativo. Ele é estrutural em alguns aspectos, como nas leis da natureza, na qual eu creio que Deus permanente sustenta, como é o caso da gravidade, da conservação de energia e talvez até da evolução das espécies. Em alguns outros aspectos ela é normativa, no sentido em que ela coloca determinados valores sociais e morais que devemos seguir, mas não necessariamente seguimos, como é o caso do casamento, do aborto, do furto, entre outros, no qual pagamos as consequências morais, estruturais e espirituais. Assim, temos que estas leis não são deterministas na medida em que elas não planificam a explicação do mundo, mas são os limites que nos permitem viver no mundo.
    Por fim, temos que a diferença está no que é a realidade e no que um individuo crê na realidade. A realidade é em si mesma complexa, mas o individuo pode ter uma visão determinista dela, ou uma visão que não explica tudo, mas que dá liberdade aos diferentes aspectos da vida. A questão é que você pode crer em algo e viver como se cresse no oposto. Você pode ser um determinista e admitir que existem certas experiências, como o amor, a beleza, a estética que você não explica em seu sistema. Mas você vive e experiência estas coisas. Para mim, quando o cristianismo é ontologicamente aberto, neste processo que eu expliquei no parágrafo anterior, ele é superior ao determinismo, pois ele reconhece a pluralidade da experiência humana ao mesmo tempo que deixa em aberto para cada ciência o seu caminho.

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  3. Gostaria de fazer algumas observações ao seu texto e comentário:

    1) No 8º parágrafo, você comete uma contradição grave. Você diz que o determinista (pessoa que assume alguma concepção reducionista) consegue explicar tudo, por isso, quem não é reducionista perde a discussão. Mas, se a concepção reducionista explica tudo, o que sobra pra você explicar? É óbvio que você irá perder a discussão. Ela acabou de deixar de ser reducionista quando você diz que ela explica tudo! E ainda você diz que a lógica dele (de quem é reducionista) é maior que a sua. Se ele tem uma lógica maior (mais coerente) que a sua e consegue explicar tudo, ele não é mais reducionista.

    2) Na resposta ao Hélio Brandão você diz que não quer propor um determinismo metafísico, e que o plano metafísico é apenas um dos aspectos do real. Essa afirmação é incorreta. Metafísica (ou ontologia, se preferir) não é apenas um aspecto da realidade, mas é aquilo que constitui toda a realidade. A metafísica visa a totalidade do Ser, e não é apenas um aspecto. Há uma distância gigante (e explicada historicamente) entre o significado etimológico do termo metafísica e do conceito utilizado pelos filósofos antigos, tal como Aristóteles.

    3) No último parágrafo de seu comentário você diz “temos que a diferença está no que é a realidade e no que um individuo crê na realidade. A realidade é em si mesma complexa, mas o individuo pode ter uma visão determinista dela, ou uma visão que não explica tudo, mas que dá liberdade aos diferentes aspectos da vida”. Quando diz isso, você afirma que a realidade é mais complexa do que os recortes teóricos, não é? Pois isso que você está dizendo também não é teórico? Se você está falando como o mundo se comporta, ou como o mundo é (no caso, é complexo), você está formulando uma teoria: a realidade mesma é complexa. Isso implica dizer que a sua visão também está sendo apenas um recorte da realidade, porque está sendo teórica (isso se você admitir, como parece, que o conhecimento teórico não pode abarcar o todo). 3.1) Outro problema é dizer que a realidade mesma é complexa. Tudo bem, mas para dizer isso, você, obrigatoriamente, tem que ter conhecido toda a realidade, para, no fim, dizer: ela é complexa. Caso contrário (o que é provável que você não tenha conhecido toda a realidade), você também está localizado e limitado a apresentar apenas um aspecto da realidade, como você disse que é o caso da biologia e afins. 3.2) E o que significa o termo complexo? Significa que não pode ser explicado? Caso afirmativo, você nega as premissas na conclusão porque acabou de explicar a realidade em si mesma: é complexa. Ou seja, a natureza-em-si é complexa.

    4) Portanto, pelo que percebi de seu texto e de seu comentário, ao mesmo tempo que você quer abarcar o todo (ainda que de forma inconsciente), você se situa em apenas mais um aspecto, o que faz com que toda sua argumentação não permaneça. Quereria que você percebesse que as ferramentas que você se utiliza para explicar a realidade, que acredito ser as de Dooyeweerd, são problemáticas e, algumas vezes, contraditórias.

    Aguardo seu comentário, abraço.

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  4. Boa Noite José Carlos!
    Desculpe a demora em responder, por que como havia dito, seria algo que demandaria um tempo (que inclusive não tinha na época do seu comentário. Enfim, vou comentar ponto por ponto.
    1)Quando disse que o reducionismo é mais lógico, na verdade eu trouxe à tona um conceito talvez até diferente de lógica. Neste momento eu encaro a lógica mais como uma operação mental feita em cima de determinadas pressuposições. A questão é que o reducionista é muito lógico pelo fato de que sua lógica é impecável dentro dos limites de suas pressuposições. Por exemplo, se tenho que tudo o que existe é a matéria e nada além disso (A) , posso concluir daí que sou apena matéria. Isto é perfeitamente lógico tomando A como pressuposto. Neste sentido temos uma lógica que é completa por que ela explica tudo o que você quiser, pois você depende do pressuposto. O amor pode ser visto como reações químicas, por exemplo. Talvez fique mais claro o que quero dizer com a seguinte passagem de Chesterton:
    Se você discutir com um louco, é extremamente provável que leve a pior; pois sob muitos aspectos a mente dele se move muito mais rápido por não se atrapalhar com coisas que costumam acompanhar o bom juízo. Ele não é embaraçado pelo senso de humor ou pela caridade, ou pelas tolas certezas da experiência. Ele é muito mais lógico por perder certos afetos da sanidade. De fato, a explicação comum para a insanidade nesse respeito é enganadora. O louco não é um homem que perdeu a razão. O louco é um homem que perdeu tudo exceto a razão. A explicação oferecida por um louco é sempre exaustiva e muitas vezes, num sentido puramente racional, é satisfatória. Ou, para falar com mais rigor, a explicação insana, se não for conclusiva, é pelo menos incontestável. [...] Se um homem disser, por exemplo, que os homens estão conspirando contra ele, você não pode discutir esse ponto, a não ser dizendo que todos os homens negam que são conspiradores; o que é exatamente o que os conspiradores fariam. Apesar de tudo, ele está errado [...] Talvez a maneira de nos aproximarmos ao máximo dessa descrição é dizer o seguinte: que a mente dele se move num círculo perfeito, porém reduzido (G. K. Chesterton, Ortodoxia).
    De certa forma, o que Chesterton Denuncia é exatamente o reducionismo. Ele explica tudo, mas só explica tudo por que no fim das contas, reduz tudo a uma questão de lógica. A coerência não é apenas uma questão de lógica, afinal é também uma questão de verossimilhança com a realidade. Lembro de uma professora de sociologia questionando o marxismo justamente neste ponto. “O problema do marxismo é que ele explica tudo. Só que se você tem uma teoria que explica tudo, no fim das contas você não explica nada.” Ora, se ao explicar tudo, você possui uma lógica perfeita, mas ao confrontar com a realidade, você vê que a teoria está distante da experiência vivida, é preciso rever o sentido da nossa teoria.

    2)Talvez este ponto seja o mais complexo. Acho que quando utilizei o termo metafisico, não foi com uma precisão filosófica, mas sim como este aspecto transcendente da realidade. As vezes eu me enrolo em termos técnicos. Pensando em Dooyweerd acho que a abordagem dele é sim de cunho metafísico, no sentido de que para ele é Deus que fundamenta a realidade. Mas este fato não explica tudo no sentido fenomenológico, uma vez que a ideia de que existem diversidades de fenômenos não redutíveis um aos outros. Todos estes fenômenos são coerentes diante do pressuposto básico da lei de Deus e de sua vontade, mas cada um segue uma lógica própria a ser entendida pela ciência que os têm como objeto de reflexão.

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  5. 3) Na verdade, Dooyweerd distingue a experiência oridnária do pensamento teórico. Isto é um ponto que precisa ficar claro, pra entender esta questão que você coloca. De fato, fiz uma colocação que é teórica. Estou recortando a realidade, para tentar entender como se dá o surgimento da própria teoria. Logo, não é apenas uma teorização sobre a realidade como um todo, mas uma teorização sobre a realidade sobre o prisma de uma questão epistemológica. 3.1) É contraditório dizer que a realidade é complexa? No sentido em que aqui coloco, a complexidade quer dizer essa diversidade de aspectos. Como sei dessa diversidade de aspectos? É pela experiência ordinária que tenho acesso ao mundo e à realidade, e esta minha experiência revela algo de complexo no mundo. Ela possui aspectos biológicos, aspectos físicos, aspectos sociais e culturais, aspectos linguísticos, aspectos morais e aspectos religiosos. Tudo isso, nas palavras populares: “Junto e misturado”. Um almoço, por exemplo, possui muitos destes aspectos. O alimento é uma necessidade biológica que acontece por processos físicos e químicos, mas é também uma experiência cultural que é perpassada por regras de etiqueta e condutas que são socialmente compartilhadas e dependendo do caso até possui um caráter religioso. Tudo isto está contido na experiência de um almoço, mas as diferentes disciplinas ao recortarem isto teoricamente, recortam estes aspectos. O que é problemático é tornar uma dessas explicações absolutas. 3.2) Complexo, como disse mais acima, é simplesmente uma constatação dessa diversidade de esferas.
    4) Talvez eu precise refletir um pouco mais sobre o tema. Talvez minha ideia não seja simplesmente explicar a realidade como um todo, mas entender os processos que estão por trás do conhecimento teórico e cientifico produzido na academia (sobretudo pelas bandas da FAFICH) que de certa maneira, excluem de antemão algumas possibilidades de explicações de fenômenos. Enfim, acho que podemos dialogar mais sobre os assuntos que abordamos aqui, talvez até pessoalmente, e quem sabe, não aprendermos um pouco mais a respeito deste tema?
    Abraços!
    Yuri R. Fernandes.

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