domingo, 5 de maio de 2013

A Bolha Gospel

Por Yuri Fernandes

É preocupante a visão que muitos cristãos possuem de qual é a relação que ele deve ter com a cultura ao derredor. A visão que assola as nossas igrejas é a de que devemos viver numa bolha, a bolha gospel. Como toda bolha, existe algo que está dentro e algo que está fora. Dentro da bolha, existem apenas coisas feitas por cristãos, sobretudo quando se fala de música.


É demasiadamente interessante observar o papel que música exerce dentro desta bolha. Ela seria um forte campo gravitacional. É algo que tem relação com a identidade do grupo. Só é verdadeiramente crente aquele que consome determinados cantores e bandas dentro de um circulo de atuação. A grande questão que se coloca é: Por que a música? Por que é na música que as pessoas que vivem dentro da bolha travam terríveis discussões a respeito do que seria santo e do que não seria? Por que é na música que temos as sanções mais fortes a este respeito? Talvez a resposta seja dolorida! Talvez a resposta é que os habitantes da bolha são idólatras. Eles idolatram um tipo de aspecto da cultura (a música) e o coloca acima de todos os outros, além é claro de investi-la de um poder espiritual mais elevado. Quantas vezes não ouvimos: “Musica profana pode te levar a pecar”, “tal música me santifica” ou “vou ouvir apenas estas musicas por que elas me deixam mais próximo de Deus”. Que terrível é este pensamento! Não é mais a comunhão com Deus por meio da oração e da Palavra que nos aproxima d’Ele! Não é mais a sua exortação pela Palavra que me impulsiona a ser mais santo! Não é mais a cruz de Cristo que motiva a viver uma vida reta! São as musicas que ouço!


Além disso, o objetivo da bolha é fazer com que a produção interna seja boa e agradável diante de Deus. Nada mais justo e inspirador. Mas os homens esquecem que o pecado é um problema generalizado, e da mesma maneira que há pecado fora da bolha, há pecado dentro da bolha. Heresias sem fim surgem dentro da bolha, onde um evangelho que barateia a graça em troca de bençãos narcisistas é cantado de maneira abundante. Do outro lado, esquecemos que Deus também pode se revelar na cultura extra-bolha, e que através da graça comum, podem surgir verdadeiras músicas que louvam a Deus, pelo que Ele é. Se o leitor está duvidoso disso, vou colocar dois exemplos aqui. O primeiro é uma musica do Charlie Brown Jr. A outra é uma música da cantora Gospel Damares. Contraste as duas letras com a palavra de Deus e se pergunte onde Cristo está sendo verdadeiramente pregado. Qual delas fala de um amor e de uma esperança cristã e qual ensina um evangelho triunfalista e vingátivo?






O terceiro problema da bolha é que ela apresenta uma solução simplista para um problema real. Muitos dizem com relação a essas músicas, que devemos ensinar os jovens a ouvir apenas o gospel, pelo fato de terem muitas músicas mundanas que inspiram a sexualidade, e um novo convertido não teria uma base sólida para separar o lícito do não lícito. Esta é uma solução preguiçosa para uma igreja preguiçosa. Se os jovens não estão aptos para dicernir o certo e o errado, então devemos joga-lo dentro da bolha gospel? Não seria mais certo, e até mais bíblico e cristão ensinar o novo convertido a ter dicernimento? Não seria mais justo ensinar os nossos jovens a olhar para o mundo e para cultura com os olhos das Sagradas Escrituras? Só o futuro nos dirá que geração será essa! Uma geração da modinha gospel e não uma geração que pensa e vive de acordo com a cosmovisão bíblica!

O último problema é que esta bolha isola outros aspectos. Por exemplo, posso ouvir somente música gospel, mas não preciso de nenhum cuidado ao escolher os filmes e as novelas que assisto, os livros que leio, os quadros clássicos que aprecio (ah, isso não tem valor né.) os filósofos que estudo. E, de contra partida, a tendência da bolha é se tornar expansionista. Já começamos a ver uma série de filmes, produtos e livros gospeis. Daqui a pouco vão surgir as heresias...

Conclamo então que estouremos esta bolha! Vamos sair desta bolha e contaminar o mundo com um Evangelho genuíno que se alastre por todas as áreas da cultura! Deixemos essa cosmovisão idólatra da bolha e vamos sempre nos lembrar das palavras de Jesus:

Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

João 17:15