domingo, 29 de setembro de 2013

Um vídeo para refletir sobre a Grande Comissão

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo:
É-me dado todo o poder no céu e na terra" 
Mateus 28:18
Um belo vídeo sobre o trabalho de evangelização dos missionários na Suazilândia e a abordagem missiológica com os alunos do Seminário Presbiteriano Denoel Nicodemos Eller, em Belo Horizonte.

Como é dito no vídeo pelo teólogo e pedagogo Igor Miguel, "se você não compreender que esse é o fundamento da grande comissão, pode ser que sua tarefa e sua vocação missionária estejam ainda um pouco comprometida".

Que Deus continue abençoando esses trabalhos e nos capacitando para o entendimento correto de nossa missão!

SOLI DEO GLORIA!

sábado, 7 de setembro de 2013

UM NOVO GRITO DE INDEPENDÊNCIA

por Leonardo M. Verona

Comemoramos hoje o dia da Independência do Brasil, quando em 7 de setembro de 1822, D. Pedro de Alcântara de Bragança, teria bradado as margens do rio Ipiranga a celebre frase que simbolicamente significou a emancipação política do Brasil de Portugal: "Independência ou morte!"
Certo é que o tempo passou, e apesar de não sermos mais colônia, ainda somos escravos e dependentes de muitas mazelas sociais. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, existe um abismo entre uma pequena parcela rica e uma maioria pobre. O sistema tributário brasileiro, composto principalmente por impostos indiretos, onera muito mais os pobres do que os ricos. Na época de Tiradentes, Portugal cobrava do Brasil o "quinto", que recolhia 20% do ouro encontrado no nosso território. Atualmente, somados todos os tipos de tributos, pagamos cerca de 40% em impostos para as esferas governamentais. Estamos hoje alguns degraus abaixo do "quinto dos infernos"! E como se não bastasse, quase não vemos o dinheiro arrecadado por esses impostos serem traduzidos em serviços públicos minimamente decentes!
Nosso sistema educacional é uma vergonha! O Brasil, apesar de ser a 7ª maior economia do mundo, está no 88º lugar no ranking educacional feito pela Unesco (2011), atrás de países como Bolívia, Equador, El Salvador e Botswana. O que esperar de um país que não leva a sério a educação de seus cidadãos? Temos também a violência que impera em nossas cidades. Os cidadãos que pagam seus impostos em dia, vivem reféns do medo, presos em suas casas, cercadas por altos muros. Em alguns lugares, os criminosos ditam as regras, cobram taxas, julgam e matam! Tudo isso sob os olhares omissos do Estado. Outro grande problema é a mobilidade urbana. O trânsito nas cidades brasileiras é caótico. O transporte público é caro e precário, com ônibus e metrôs lotados todos os dias. E a saúde então? Faltam hospitais, equipamentos e médicos qualificados. Pessoas morrem todos os dias nas filas a espera de atendimento! Sem falar de parte do nosso dinheiro que vai para o ralo da corrupção! O que esperar do nosso país? Será que um dia seremos independentes dessas mazelas?
Recentemente, o povo brasileiro mostrou nas ruas que não agüenta mais essa situação! Milhares saíram as ruas pedindo educação, saúde, segurança, transporte de qualidade e o fim da corrupção. Mas, apesar da grande importância desses protestos, não podemos esperar que a solução venha de cima para baixo, de um plano de governo, ou das elucubrações de um líder político carismático!
Devemos todos juntos, cada cidadão, começar a construir um país melhor e mais justo. Devemos por a mão na massa, trabalharmos onde estivermos, seja participando de associação de bairro, de conselhos de saúde, educação, segurança pública; ajudando os mais necessitados, levando educação a quem não tem acesso e etc. Podemos agir em várias frentes, segundo a nossa vocação e as oportunidades que são colocadas diante de nós. Parece ser uma utopia esperar isso de todo povo, mas imagine, se metade daqueles que se denominam evangélicos no Brasil, hoje cerca de 25% da população, se engajasse por um país mais justo? Com certeza teríamos uma país melhor!
Temos que sair do comodismo, da nossa zona de conforto, de esperar que façam tudo por nós. E assim, darmos um novo e imenso grito de independência!
Para refletirmos, deixo a bela música "Este Páis" do cantor e compositor Gladir Cabral.


Este País
(Gladir Cabral)

Este país precisa mesmo é de sonho,
De um dia a dia um pouco menos tristonho
De alguma porta aberta para a justiça, que já se avista.
De uma janela que não tema a clareza
Da luz do sol que vem com toda a certeza
Afugentar o medo, a morte, a mentira
E nossa pobreza

Um novo e imenso grito de independência
O pé no chão e a mão sobre a consciência
A fé no coração e aquela inocência
Não mais perdida

Este país precisa de água corrente
De honestidade solta pela vertente
De uma floresta transbordando de vida
Força incontida.
Um litoral de areias brancas e mares
Onde morenos braços de outros Palmares
Construam juntos ruas, casas e escolas,
Novas cidades,
Uma avenida feita de pedraria
E ladrilhada de cristal de alegria
Que fosse todo bem que a gente queria
E que traria

Um novo e imenso grito de independência
O pé no chão e a mão sobre a consciência
A fé no coração e aquela inocência
Não mais perdida

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

UMA RESPOSTA À TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


EXPOSIÇÃO EM JÓ 1 E 2

Palestrante: Leonardo M. Verona
Realizada na Missão Reluz, Belo Horizonte.




Vivemos em tempos em que a Palavra de Deus tem sido distorcida por muitas igrejas e pastores ditos evangélicos. O Deus pregado por esses líderes assemelha-se mais a um Gênio da lâmpada ou a um Papai Noel, que existe somente para atender os nossos desejos, caprichos e taras.
Basta ligarmos a TV ou rádio, para logo encontrarmos uma pregação deste tipo, dizendo: aceite a Jesus, venha em nossa igreja que você terá isso, aquilo e aquilo outro! Certa vez, ouvi um pastor dizendo que se alguém doasse 1000 reais para o seu programa de TV, esta pessoa seria muito prospera e não passaria pela crise econômica. Outro, contando uma espécie de testemunho, disse que um membro da sua igreja tinha só um fusquinha, e que depois dele participar de uma campanha tal, agora ele tem uma Land Rover!

Mas este visão errada de Deus não se restringe apenas a aspectos econômicos. Muitos tem pregado que a partir do momento em que você se torna um cristão, tudo agora na sua casa vai dar certo. Você não terá mais problemas na sua família e no seu casamento, você que antes era infeliz no amor, não será mais. Seus filhos vão virar uns anjinhos. Todos a sua volta irão te amar,  serem seus amigos e por aí vai. E se você é cristão e tem algum problema na sua vida, seja econômico ou de outra ordem, é porque certamente você está em pecado, abriu brecha e deu legalidade ao diabo. Ou seja, se você for bonzinho, e fazer tudo certinho, tudo na sua vida vai dar certo. Bem ao estilo Deus Papai Noel! Essa é a chamada teologia da retribuição ou também da prosperidade.

O que vemos nas Escrituras não é isso! E a história de Jó joga por terra esse tipo de teologia. Primeiramente, a história de Jó dá uma resposta à teologia da prosperidade. Jó, de uma hora para outra perdeu todos os seus bens, perdeu os seus filhos e ainda perdeu a sua saúde. Muitos hoje, contaminados por essa teologia, ao se depararem com o primeiro problema diriam como a mulher de Jó: porque ainda ainda sigo esse Deus. A resposta de Jó frente aos problema é estarrecedora, bem diferente do que vemos por aí:
Jó 1.21  e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!
Jó 2.10 Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

Em segundo lugar, a história de Jó dá uma resposta a ideia de que tudo de errado que acontece na nossa vida é consequência dos nossos pecados. No primeiro capítulo deste livro nos é dito que Jó era um homem íntegro aos olhos de Deus. Logo, não devemos atribuir o que nos acontece de ruim sempre ao pecado, já que Deus utiliza de circunstâncias para nos moldar segundo os seus propósitos.

Em último lugar, a história de Jó não abre espaço para essa idéia de legalidade ou brecha. Vemos que o diabo não atua na vida de Jó porque ele deu legalidade, mas porque Deus é quem permitiu que Satanás tocasse na vida dele. Isso para cumprir os seus propósitos Eternos. O diabo está sujeito a Deus, porque Deus é soberano.

Logo, meus irmãos, que não sejamos crentes que ao primeiro sinal de problema, nos afastamos de Deus, ou atribuímos tudo ao pecado e ao diabo. Mas que saibamos reconhecer que Deus é soberano, e que ele nos molda por meio das circunstâncias da vida.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Soberania é para quem pode!

que é soberania? Quem é soberano? A este respeito, Guilherme de Carvalho coloca:
“Soberania: inicialmente, como o expôs Kuyper, é um conceito simples e intuitivo. Soberania é o direito de impor a própria vontade. O direito de exercitar a liberdade, nesse sentido; mas de causar, no exercício da liberdade, uma limitação da liberdade. E a partir de seu direito ao poder, a liberdade de exercitá-lo para bloquear toda resistência a si. Nesse sentido, sim, Deus é a fonte de todo o poder. O Deus Trino é o Soberano absoluto, detentor do direito e das energias necessárias para fazer cumprir a sua vontade.” ¹

Esta definição da soberania de Deus é bem clara: Sendo Deus soberano, quem pode pelas suas próprias forças e ações ordenar a sua vontade? Ao observar a mentalidade do evangelho que é pregado nos programas de TV e na chamada corrente teológica do Neopentecostalismo, vemos que a coisa é bem diferente. “Eu determino” e “Tomo posse” são expressões que junto com práticas como ungir suas posses e objetos mágicos (caneta ungida, rosa ungida, toalhinha da unção poderosa) tentam reivindicar para o homem e não para Deus o poder de sua própria vida. No entanto, as Escrituras, não abrem espaço para este tipo de coisa. Nós somos criaturas, delimitadas pelo espaço e pelo tempo, e não Ele. Observe esta passagem:

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Romanos 11:33-36 

O Texto pergunta para aqueles que questionam e tentam “controlar Deus” : Quem ai foi conselheiro de Deus? Quem ai compreende a mente d’Ele? Ora pois, todas as coisas são dele, todas as coisas são conduzidas por ele e tem como fim a glória dele. Por que questionar? Por que tentar controla-lo?

Há alguns dias, participei de um estudo bíblico de cunho evangelístico justamente sobre este assunto: A soberania de Deus. Muitos cristãos, estavam ali falando sobre como esta doutrina lhe traz paz e segurança. Apenas um não-cristão colocou algo intrigante: A Soberania é algo que assusta, por que significa em ultima instância que não temos o controle sobre a nossa própria vida. Ele acertou o cerne da questão. O que nos impede de crer na soberania de Deus e a realizar as nossas mandingas gospeis é exatamente uma questão de ego. Não queremos perder o controle, queremos sempre ter a sensação de que temos algum poder.

Precisamos compreender essa soberania de Deus como se ela fosse um vento impetuoso. Assim como o trigo se curva diante da força do vento, nos curvamos diante da imensa soberania de Deus. Àqueles que tentam se manter firmes se partem diante de tamanho poder!


¹ Cosmovisão cristã e transformação: espiritualidade, razão e ordem social. CARVALHO, Guilherme Vilela Ribeiro de. Editora Ultimato, 2006. Viçosa, MG.