sábado, 7 de setembro de 2013

UM NOVO GRITO DE INDEPENDÊNCIA

por Leonardo M. Verona

Comemoramos hoje o dia da Independência do Brasil, quando em 7 de setembro de 1822, D. Pedro de Alcântara de Bragança, teria bradado as margens do rio Ipiranga a celebre frase que simbolicamente significou a emancipação política do Brasil de Portugal: "Independência ou morte!"
Certo é que o tempo passou, e apesar de não sermos mais colônia, ainda somos escravos e dependentes de muitas mazelas sociais. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, existe um abismo entre uma pequena parcela rica e uma maioria pobre. O sistema tributário brasileiro, composto principalmente por impostos indiretos, onera muito mais os pobres do que os ricos. Na época de Tiradentes, Portugal cobrava do Brasil o "quinto", que recolhia 20% do ouro encontrado no nosso território. Atualmente, somados todos os tipos de tributos, pagamos cerca de 40% em impostos para as esferas governamentais. Estamos hoje alguns degraus abaixo do "quinto dos infernos"! E como se não bastasse, quase não vemos o dinheiro arrecadado por esses impostos serem traduzidos em serviços públicos minimamente decentes!
Nosso sistema educacional é uma vergonha! O Brasil, apesar de ser a 7ª maior economia do mundo, está no 88º lugar no ranking educacional feito pela Unesco (2011), atrás de países como Bolívia, Equador, El Salvador e Botswana. O que esperar de um país que não leva a sério a educação de seus cidadãos? Temos também a violência que impera em nossas cidades. Os cidadãos que pagam seus impostos em dia, vivem reféns do medo, presos em suas casas, cercadas por altos muros. Em alguns lugares, os criminosos ditam as regras, cobram taxas, julgam e matam! Tudo isso sob os olhares omissos do Estado. Outro grande problema é a mobilidade urbana. O trânsito nas cidades brasileiras é caótico. O transporte público é caro e precário, com ônibus e metrôs lotados todos os dias. E a saúde então? Faltam hospitais, equipamentos e médicos qualificados. Pessoas morrem todos os dias nas filas a espera de atendimento! Sem falar de parte do nosso dinheiro que vai para o ralo da corrupção! O que esperar do nosso país? Será que um dia seremos independentes dessas mazelas?
Recentemente, o povo brasileiro mostrou nas ruas que não agüenta mais essa situação! Milhares saíram as ruas pedindo educação, saúde, segurança, transporte de qualidade e o fim da corrupção. Mas, apesar da grande importância desses protestos, não podemos esperar que a solução venha de cima para baixo, de um plano de governo, ou das elucubrações de um líder político carismático!
Devemos todos juntos, cada cidadão, começar a construir um país melhor e mais justo. Devemos por a mão na massa, trabalharmos onde estivermos, seja participando de associação de bairro, de conselhos de saúde, educação, segurança pública; ajudando os mais necessitados, levando educação a quem não tem acesso e etc. Podemos agir em várias frentes, segundo a nossa vocação e as oportunidades que são colocadas diante de nós. Parece ser uma utopia esperar isso de todo povo, mas imagine, se metade daqueles que se denominam evangélicos no Brasil, hoje cerca de 25% da população, se engajasse por um país mais justo? Com certeza teríamos uma país melhor!
Temos que sair do comodismo, da nossa zona de conforto, de esperar que façam tudo por nós. E assim, darmos um novo e imenso grito de independência!
Para refletirmos, deixo a bela música "Este Páis" do cantor e compositor Gladir Cabral.


Este País
(Gladir Cabral)

Este país precisa mesmo é de sonho,
De um dia a dia um pouco menos tristonho
De alguma porta aberta para a justiça, que já se avista.
De uma janela que não tema a clareza
Da luz do sol que vem com toda a certeza
Afugentar o medo, a morte, a mentira
E nossa pobreza

Um novo e imenso grito de independência
O pé no chão e a mão sobre a consciência
A fé no coração e aquela inocência
Não mais perdida

Este país precisa de água corrente
De honestidade solta pela vertente
De uma floresta transbordando de vida
Força incontida.
Um litoral de areias brancas e mares
Onde morenos braços de outros Palmares
Construam juntos ruas, casas e escolas,
Novas cidades,
Uma avenida feita de pedraria
E ladrilhada de cristal de alegria
Que fosse todo bem que a gente queria
E que traria

Um novo e imenso grito de independência
O pé no chão e a mão sobre a consciência
A fé no coração e aquela inocência
Não mais perdida

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