quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Palestras sobre Igreja e Política

As eleições se aproximam, logo, não existe momento mais propício para discutirmos sobre o papel dos cristãos e da Igreja na política.
Todos estão convidados para as palestras sobre "Igreja e Política" na Igreja Presbiteriana Novo Eldorado (Contagem, MG), às 18 horas, no dia 20/09.
Entrada Franca!
Esperamos todos lá!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Falando sobre evangelismo

por Yuri Fernandes

      Se existe um assunto que gera muitas dificuldades na igreja este assunto é o evangelismo. Evangelizar é um ato que passa por problemas de natureza teórica e prática: Muitos não discutem as bases bíblicas para o evangelismo, enquanto outros apresentam dificuldades práticas na hora do evangelismo (não saber abordar, não saber o que dizer). Tive uma prova empírica disto quando decidi participar com dois amigos das movimentações do “Dia de evangelização global” que aconteceu aqui em BH, e que teve a sua concentração na Praça 7 (o lugar onde as multidões se aglomeram e por onde todos passam). Um ar de estranheza havia se apoderado de mim, quando percebi que muitos dos jovens que estavam ali evangelizando, estavam usando narizes de palhaço, fazendo acrobacias, e com placas dizendo “Abraço grátis” (e abraçando transeuntes que ficavam sem graça) ou “Jesus te ama” enquanto as pessoas na correria de suas vidas diárias passavam por elas sem prestar muita atenção. Nada contra quem se utiliza das artes circenses para fazer o evangelismo, mas sempre que me lembro deste dia eu me pergunto qual foi o contato real que as pessoas da cidade tiveram com o evangelho. 
      Para além deste exemplo, tenho certa experiência no evangelismo universitário pelo fato de ter participado ativamente das atividades e da vida da Aliança Bíblica Universitária (ABU) em BH durante a minha graduação. E posso afirmar que apesar de evangelismo ser o foco da ABU, os estudantes sempre tiveram muita dificuldade de montar os estudos nesta perspectiva. Além disso, no meu envolvimento com a igreja local, percebo que muitos têm a vontade de participar mais ativamente de atividades de foco evangelístico, mas ficam perdidos sobre o como e o onde começar.
      


Evangelismo: a arte de falar

      Por que temos tanta dificuldade de evangelizar hoje em dia? Uma das dificuldades principais é que de fato temos uma má teologia de evangelização. Isto se mostra principalmente na máxima preferida de muitos: “Pregai o evangelho, se necessário use palavras”. Esta conhecida frase é muitas vezes atribuída à Francisco de Assis ou Agostinho de Hipona, e pode ser entendida como uma outra versão de outro provérbio gospel: “Às vezes a sua vida é o único evangelho que as pessoas vão ler”.
      Não deixa de ser evidente que estas máximas têm a virtude de nos lembrar de que devemos “andar de modo digno da vocação para qual fomos chamados” (Ef 4.1) e que o evangelho deve mudar de modo prático a nossa vida. Mas apesar desta virtude elas não passam de uma mentira deslavada. Isto é, pregar o evangelho sempre foi uma atitude enunciativa e compreender isto de outra forma é distorcer a nossa tarefa de evangelizar. Observe o que Jesus diz aos discípulos ao fim do Evangelho de Mateus, quando estabelece a grande comissão: 
E disse-lhes: "Vão pelo mundo todo e PREGUEM o evangelho a todas as pessoas” Mt 16.15
      Observem que a palavra usada é Pregar o evangelho. O sentido aqui é o de anúncio. Devemos anunciar o evangelho, e esta atitude mais do que simplesmente se expressar na vida, ela significa literalmente falar uma mensagem. Isto é, embora santidade seja a marca de uma vida cristã autêntica, ser santo não anuncia nada em si mesmo. Isto é, se o seu amigo vê você ajudando os necessitados, ou vê a sua fidelidade para com seu cônjuge, isto é certamente muito bom, mas não diz nada sobre o fato de que Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados, ou sobre o fato de sermos todos pecadores necessitados da graça de Deus. Isto é preciso ser expresso claramente.
      A nossa conduta deve se relacionar com a nossa mensagem, por que se não vivermos a santificação, pareceremos hipócritas diante daqueles para quem estamos pregando. Ainda assim não devemos deixar que as pessoas dependam do nosso testemunho: Somos salvos, estamos nos santificando a cada dia, porém ainda somos pecadores. A nossa natureza pecaminosa sempre nos acompanhará e uma hora ou outra vamos dar mau testemunho. Fazer com que a nossa vida não seja o único evangelho que as pessoas leiam é justamente a nossa principal tarefa no evangelismo: Por que a nossa vida possui falhas, mas a vida, a morte e a ressurreição de Jesus é que aponta para o caminho eterno da Salvação.
      O fato de que o pecado é ainda uma realidade que habita em nós deve contar ao nosso favor na hora do evangelismo, afinal, parte da nossa mensagem é dizer que somos todos pecadores. Uma máxima que é bem usada, e que expressa melhor a natureza do evangelismo é aquela dita por Spurgeon: “Evangelismo é um mendigo dizendo a outro mendigo onde conseguir pão”. Ainda assim, suas atitudes podem sim servir de ponto de contato para o evangelismo. Alguém pode olhar para você e se perguntar o quê faz você agir diferente. Pode ser que ela te pergunte isso. E ai é que realmente começa a sua ação no evangelismo, por que você tem uma mensagem a pronunciar.


Evangelismo: uma mensagem a pronunciar

      Ora, descobrimos então que o evangelismo envolve anunciar algo. O que é esse algo que devemos anunciar? Um ótimo exemplo é a pregação de Paulo no Areópago:
Então Paulo levantou-se na reunião do Areópago e disse: "Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos, pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio. "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas. De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós. ‘Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’. "Assim, visto que somos descendência de Deus, não devemos pensar que a Divindade é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e imaginação do homem. No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos". Atos 17:22-32
      Estas palavras de Paulo já revelam partes essenciais da mensagem a ser proclamada no evangelho. Ele começa falando sobre Deus e a sua ação criativa, sobre o fato de Deus ter criado o mundo e de que Ele sustenta as nossas vidas. Logo depois, Paulo nos conclama ao arrependimento, isto é, estamos perdidos no pecado, mas ele nos mostra que a solução está no cristo ressuscitado. É claro que nesta pregação, Paulo está dialogando com uma questão especifica, que é a idolatria (este detalhe será importante no próximo texto), mas o esquema da mensagem é básico. Se fossemos resumir, a mensagem a proclamar é o esqueleto da cosmovisão cristã: Criação, Queda e Redenção.


      A nossa mensagem não deve começar com o fato de que Jesus nos ama, mas sim com o fato de que Deus existe e nos criou à sua imagem. Ela necessariamente tem que passar pelo fato que somos pecadores, e de que um Deus justo não pode tolerar pecadores. Esse é drama moral da raça humana, ter sua imagem distorcida pelo pecado que comente. Somente compreendendo a nossa miséria é que podemos compreender a nossa redenção, e mensurar o tamanho do amor que Jesus Cristo nos oferece. É no sacrifício de Cristo, ocorrido no tempo e no espaço que encontramos a nossa redenção.