quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ELEIÇÃO


Igor Campos

BASE BÍBLICA: Efésios 1:3-5



INTRODUÇÃO


“O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.” Provérbios 16:4.

Nas conversas do nosso dia a dia, a palavra “eleição” sempre aparece para se referir à escolha dos políticos que irão nos representar nas câmaras de vereadores e deputados, na prefeitura, no governo do estado e na presidência do país. O sentido da palavra no dicionário é exatamente este: eleger é escolher alguém para desempenhar alguma função. Mas o ensino bíblico da eleição vai muito além do significado com o qual estamos acostumados. Essa maravilhosa e misteriosa doutrina diz respeito à nossa salvação em Jesus Cristo, antes da criação do homem e do Universo, e por isso deve ser estudada com muita atenção e temor, sempre à luz da Bíblia. 

No início de sua Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo diz o seguinte: “Bendito o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1:3-5). De acordo com a Bíblia, Deus nos elegeu para a salvação eterna antes mesmo que sonhássemos em existir. Nosso Pai eterno nos predestinou, ou seja, destinou previamente a vida eterna que teremos com ele nos céus, e também reprovou previamente os incrédulos, predestinando-os à condenação do Inferno (Romanos 9). 

Se acreditamos realmente que a Bíblia é a palavra viva de Deus, nossa única regra de fé e de prática, precisamos aceitar a doutrina da eleição, mesmo antes de entendê-la. Deus é soberano para fazer a vontade dele, para a glória dele mesmo, pois ele nos diz em Isaías 46:10: “Meu propósito permanecerá de pé, e farei toda a minha vontade”, vontade esta que nos é boa, perfeita e agradável. 


ELEITOS PELA GRAÇA


Não existe nenhuma boa obra ou coisa alguma que possamos fazer para ganhar a salvação em Cristo. Em Efésios lemos: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Temos nesses versículos uma notícia maravilhosa: a salvação é totalmente de graça, pois o preço dela já foi pago no sacrifício do Senhor na cruz do calvário. Cabe a nós apenas agradecer pela vida eterna e viver de acordo com os ensinamentos da Bíblia, testificando, dessa forma, a nossa salvação ao mundo todo.

Muitos cristãos acreditam que Deus predestinou alguns de nós para a salvação porque já sabia o que iria ocorrer. Mas podemos perceber nas Escrituras que Deus não apenas sabe, mas decreta e ordena tudo o que acontece conosco e com o restante do mundo. 

Esses decretos de Deus não fazem de nós simples fantoches nas mãos dele; pelo contrário, é por causa dessa eleição que temos o privilégio de participar com nossas vidas dos propósitos divinos. Se Deus não tivesse nos escolhido, não poderíamos jamais crer em Cristo, pois ele mesmo nos diz: “Ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (João 6:65). Além disso, um morto pode fazer algo para reviver? A Bíblia nos diz que estávamos mortos nos nossos delitos e pecados, mas Deus nos agraciou com a vida (Efésios 2:1). 

À primeira vista, a doutrina da eleição pode parecer uma injustiça. Deus escolhe alguns para a salvação, e outros, para a perdição. Mas Deus é o eterno juiz e ama a justiça (Salmo 33:5), e por isso é impossível que alguma injustiça venha da parte dele. 

Deus, em sua justiça, entrega os ímpios aos seus próprios pecados, decretando a eles a condenação por causa de suas perversidades. Mas Deus, em sua misericórdia, entregou alguns a Cristo para que fossem adotados como filhos, salvos e remidos pelo seu sangue. Por parte de Deus, não há injustiça, e sim justiça e misericórdia, que juntas manifestam a glória dele.


APLICAÇÃO


Então qual foi o critério de Deus na eleição? Essa é uma pergunta que permanecerá sem resposta e que, na verdade, não precisa de resposta. A Bíblia nos diz no livro de Isaías que os caminhos de Deus são mais altos que os nossos caminhos, e os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos pensamentos (Is 55:9). Por esse motivo, muitas vezes ficamos entristecidos, confusos e relutantes ao tratarmos de doutrinas que não podem ser explicadas apenas pela nossa razão. Ore a Deus pedindo a ele que te traga paz acerca desses ensinamentos, confortando e convencendo seu coração. É ele quem nos dá a fé e a salvação, além da oportunidade de servirmos Cristo, a igreja e nossa comunidade. 

Na hora de escolher os candidatos nas eleições, podemos ser falhos e até injustos. Mas Deus, em sua perfeição, nunca pode falhar. Deus não nos elege por causa de alguma obra, mas nos elege para alguma obra: somos eleitos para servir e glorificar a Deus.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Redenção e consumação




Yuri Ribeiro Fernandes



BASE BÍBLICA: Colossenses 1:13-20


INTRODUÇÃO


Vimos nos últimos textos desta série que Deus criou o homem e se relacionava com ele, e o homem tinha plena comunhão com Deus, com o próximo e com a criação. Mas também vimos que, em Adão, o homem pecou, naquilo que chamamos de Queda, a qual maculou todas as áreas da nossa vida. A boa nova é que em Jesus podemos ter uma nova vida, pois ele nos trouxe a redenção. Veremos que a obra que Jesus fez restaura o nosso relacionamento com Deus, nosso relacionamento com o próximo e com a Criação, e nos prepara para eternidade.


A OBRA DE CRISTO COMO RESTAURAÇÃO


É muito interessante perceber como todas as palavras que são usadas na Bíblia para falar da nossa salvação dizem respeito a um retorno a uma condição inicial. Isso acontece por que o fruto principal do pecado é a inimizade: o pecado nos faz inimigos de Deus, porque não queremos nos submeter ao seu poder e às suas ordenanças. O pecado nos faz inimigos uns dos outros, pois viver em comunidade exige muitas vezes abrir mão de coisas que não queremos deixar. O pecado nos faz inimigos da criação porque, em vez de cuidar dela, o nosso desejo é inclinado para a exploração egoísta daquilo que a criação nos oferece.
Ao lermos o texto de Colossenses 1:20, lemos que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, Jesus “reconciliou consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”. Quando Jesus morreu na cruz, ele nos trouxe paz com Deus. O que isso significa? Se a inimizade é fruto do pecado, o fruto da cruz é a reconciliação. Com essa discussão, já podemos entender que na cruz Jesus pagou a pena que nós deveríamos pagar. E é por isso que nEle podemos vencer a nossa inimizade contra Deus. 
O texto nos diz que não apenas nós, mas todas as coisas também foram reconciliadas com Deus. Isso é algo profundo e nos mostra que por meio da cruz podemos vencer não apenas a nossa inimizade com Deus, mas também a nossa inimizade uns com os outros! Isso é possível porque a obra de Cristo nos redime tão completamente que nos faz perceber que o pecado atinge profundamente os nossos relacionamentos e que, seguindo o exemplo dele, podemos consertar todos esses relacionamentos.


A REDENÇÃO E A GRAÇA


Vemos que a ênfase das Escrituras no retorno em Deus, restaurando todas as coisas, como uma das grandes marcas da Graça de Deus. Deus poderia ter acabado com toda a criação por causa do pecado e poderia ter criado tudo de novo. Mas vemos que Deus se recusa a deixar a sua criação, e sacrifica o seu próprio filho para resgatar essa criação e devolvê-la ao seu rumo original.
Nós não tínhamos nenhum merecimento para que Deus fizesse esse sacrifício por nós. Muito pelo contrário, o nosso único merecimento era a morte. Mas a graça significa justamente isso: amor imerecido. Apesar do nosso pecado, Deus insiste em nos amar e nos trazer de novo para Ele. A graça faz parte da natureza de Deus.
Pode parecer que Deus é gracioso somente porque nós pecamos, mas, se atentarmos para o fato de que Deus não precisava nem ao menos ter nos criado, podemos ver que até o fato de existirmos é graça de Deus! Essa graça de Deus se manifesta de modo ainda mais maravilhoso no momento da Redenção, quando a própria criação que se rebelou contra Ele é trazida de volta ao seu projeto original – com o próprio Jesus pagando a conta por isso.



O REINO DAQUI À ETERNIDADE


Quando a cruz de Cristo reconciliou todas as coisas, Jesus inaugurou um novo reino. Esse reino é o que carrega as marcas da Redenção. Como cidadãos desse reino, somos chamados a trabalhar em favor desse projeto de reconciliação. Se o nosso projeto original era glorificar a Deus, trabalhando em sua criação, temos que viver em prol dessa restauração. E mais do que isso: devemos mostrar para outras pessoas que Deus pode trazê-las para dentro desse reino!
Os cidadãos do Reino precisam trabalhar para a manutenção dele, sempre tendo em mente que, embora esse reino já tenha sido estabelecido com a Cruz de Cristo, ele só será completo quando Jesus voltar.



APLICAÇÃO


É preciso ter o olhar na eternidade quando Cristo consumar a Redenção e a obra que começou. Haverá um dia em que todas as coisas serão restauradas por completo. Ainda que já vivamos em um mundo redimido por Deus, temos que conviver com a dura realidade do pecado. Mas, quando Cristo vier, Ele completará a obra que começou, e então tudo será novo de novo. Enquanto esperamos, com os olhos fixos na eternidade, devemos trabalhar aqui na Terra como agentes da reconciliação de Deus!